quinta, 04 de junho, 2026
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Após informar que levaria até 30 dias para concluir sua fiscalização do processo eleitoral, o Ministério da Defesa promete entregar já nesta quarta-feira, 9, o relatório com suas conclusões. O prazo encurtado atende as pressões do presidente Jair Bolsonaro, que trocou os holofotes pelos bastidores desde que perdeu a disputa para o petista Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de outubro. Nas poucas declarações que concedeu de lá para cá, o presidente insinua que o dossiê dos militares pode alterar o jogo. "Brevemente teremos as consequências do que está acontecendo", afirmou ele, na última segunda-feira, 7.
Como revelou o Estadão, o Comando do Exército não tem intenção de questionar o resultado das urnas, mas deve apresentar ressalvas, como a de que nenhum sistema informatizado está 100% blindado e precisa de aprimoramento. Bolsonaro explora essa informação politicamente, dizendo que o risco de fraude é "quase zero, mas não é zero". Grupos de apoiadores do presidente lotam as portas de quartéis na expectativa de que o relatório mude o resultado da eleição.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, alimentou ontem as especulações em torno do dossiê. Na primeira entrevista coletiva desde que foi condenado no escândalo do mensalão, em 2012, Costa Neto disse que a legenda não quer contestar o resultado, mas Bolsonaro poderá fazê-lo se tiver "algo real na mão". Já o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin disse que o relatório do Ministério da Defesa é assunto para o Judiciário. "Não tenho nenhuma informação sobre esse relatório. Agora, quem cuida disso é o Poder Judiciário, que tem uma Justiça especializada para isso, que é a Justiça eleitoral", afirmou o vice.
A atribuição sobre o resultado das eleições é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os militares dizem ver seu papel como o de uma entidade fiscalizadora do processo apenas para aperfeiçoar a segurança dos pleitos. Num contraponto a eventuais questionamentos, o Tribunal de Contas da União (TCU) já divulgou dois relatórios e descartou qualquer irregularidade na votação e apuração deste ano.
O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, reiterou por diversas vezes que a função das Forças Armadas era de contribuir para melhorar o processo de votação. Em comunicado oficial, em 18 de outubro, disse agir à luz da Resolução 23.673/21, do TSE, fiscalizando o sistema eletrônico a convite do próprio tribunal e não se dedicando a uma auditoria propriamente dita.
Quando assumiu em agosto a presidência do TSE, o ministro Alexandre de Moraes concordou em atender os pleitos dos militares. A urna 2020 foi submetida à inspeção por peritos de universidades federais; o teste piloto com participação de eleitores foi realizado em seções eleitorais dos dois turnos de votação e os partidos puderam realizar a auditoria, respeitadas as regras eleitorais.
Os resultados dos testes dos quais participaram os eleitores, como pediram os militares, foram divulgados após cada turno. Em vez de o chamado teste de integridade ser totalmente realizado em um ambiente controlado, e por servidores da Justiça Eleitoral, uma parte ocorreu nas seções. Desta forma, eleitores acionaram urnas com o objetivo de simular uma votação para o teste de segurança.
Cabia aos voluntários tão somente liberar os equipamentos com a impressão digital. Todo o procedimento seguinte do teste continuou a cargo de servidores. Nos locais de votação onde foram realizados os testes com biometria, militares, policiais federais e técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) acompanharam o passo a passo.
Nessa etapa de verificação da integridade das máquinas, urnas são sorteadas para receber votos específicos, pré-registrados. Eles não entram no somatório oficial. O resultado apontado pela máquina é, em seguida, confrontado com a lista prévia.
A adesão voluntária de eleitores ao teste de biometria foi considerada baixa. No primeiro turno, foram 2.044 pessoas. Os militares pediram que o TSE se organizasse para convidar pessoas a dar sua contribuição. O pedido foi negado. A Corte Eleitoral observou que não poderia forçar eleitores a participar do teste piloto.
Boletins de urnas
O relatório que será entregue pela Defesa ao TSE consiste no resultado de uma análise feita pelos militares sobre os boletins de urnas de 462 seções eleitorais. Eles são impressos pelos equipamentos ao fim das votações e informam os totais de votos de cada candidato, registrados ao longo do dia naquela respectiva urna.
O objetivo inicial era simplesmente constatar se o resultado que a urna imprime no boletim é o mesmo que a Justiça Eleitoral envia para a totalização oficial dos votos. Nove dias após a declaração oficial dos resultados, a verificação dos militares tornou-se inócua. Isso porque o TCU realizou uma inspeção semelhante, mas com amostragem muito superior à dos militares.
No primeiro turno, o TCU analisou boletins de 4.161 urnas. No segundo, mais 604. Nas duas etapas nenhuma única divergência foi encontrada. Ou seja, todos os votos que as urnas receberam e imprimiram nos boletins foram corretamente enviados para a totalização oficial do TSE.
A análise de boletins de urna passa ao largo da queixa central feita há meses pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a segurança dos equipamentos. Na reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada em que lançou suspeitas sobre a votação eletrônica, em julho, o presidente focou em ataques cibernéticos contra o sistema. Ameaças de hackers, contudo, não entraram no primeiro grau de preocupação de militares.
Na semana passada, uma nova narrativa falsa foi levantada por apoiadores de Bolsonaro para tentar colocar em xeque o resultado que impôs uma inédita derrota ao presidente que tentava a reeleição. A partir de um dossiê apócrifo, um canal do YouTube controlado por um argentino próximo da família Bolsonaro falou em problemas em modelos antigos de urnas eletrônicas, anteriores a 2020. As alegações são falsas e partem de premissa errada.
Segundo a teoria conspiratória, urnas de modelos anteriores não teriam sido submetidas a teste e, com isso, computavam mais votos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente eleito. A versão é falsa. Todas as urnas usadas nas eleições foram submetidas a testes.
Nesta terça-feira, 8, o TCU se manifestou sobre o dossiê apócrifo e classificou o questionamento sobre os modelos como irrelevante. A Corte ressaltou que a discussão sobre modelos "novos" e "antigos" das urnas sequer foi levantada na auditoria feita pelos técnicos do órgão porque, durante todo o período de análise das informações, não foram encontradas divergências. Entre as milhares de urnas usadas pelo TCE para análise dos boletins impressos, 2.630 eram de modelos anteriores ao de 2020.
Saúde
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a retirada do mercado de um lote específico de água mineral natural sem gás da marca Crystal...
3 de junho de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a retirada do mercado de um lote específico de água mineral natural sem gás da marca Crystal após a detecção de contaminação microbiológica durante análises realizadas por órgãos de vigilância sanitária.
A medida inclui a suspensão imediata da venda, distribuição e consumo dos produtos pertencentes ao lote identificado como LZ1 VAL200127 3 P 200126. A decisão foi adotada depois que exames laboratoriais confirmaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo que pode representar riscos à saúde, especialmente para pessoas com imunidade comprometida.
O lote foi produzido pela empresa Mineração Bom Jesus Ltda., localizada em Luziânia, Goiás, e corresponde a mais de 374 mil garrafas de 500 mililitros fabricadas em janeiro deste ano. A validade dos produtos se estende até janeiro de 2027.
Segundo informações divulgadas pela fabricante, a maior parte das unidades foi distribuída para o Distrito Federal. O restante foi encaminhado para municípios de Goiás, São Paulo e Tocantins.
A contaminação foi descoberta durante uma fiscalização de rotina realizada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal. Após a confirmação do resultado, o lote foi interditado preventivamente e o caso comunicado à Anvisa, que acompanhou a adoção das medidas de recolhimento.
Até o momento, não foram registrados relatos de consumidores sobre problemas relacionados ao consumo da água pertencente ao lote afetado. Mesmo assim, as autoridades sanitárias orientam que qualquer pessoa que tenha adquirido o produto verifique atentamente as informações impressas no rótulo.
A recomendação é que as unidades identificadas com o lote recolhido não sejam consumidas. Os consumidores devem aguardar as orientações da fabricante para realizar a devolução do produto e solicitar eventual ressarcimento.
A Anvisa reforça que o monitoramento constante da qualidade dos alimentos e bebidas comercializados no país é fundamental para garantir a segurança dos consumidores e evitar riscos à saúde pública.
Documento
Os brasileiros que possuem a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) passaram a contar com mais praticidade para viajar pela América do Sul. O documento já pode ser utilizado como...
2 de junho de 2026
Os brasileiros que possuem a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) passaram a contar com mais praticidade para viajar pela América do Sul. O documento já pode ser utilizado como identificação oficial para ingresso em diversos países da região, dispensando a apresentação de passaporte em viagens de turismo de curta duração.
A medida reforça os acordos de integração firmados entre os países do Mercosul e nações associadas, que permitem a circulação de cidadãos mediante a apresentação de um documento de identidade válido e reconhecido pelas autoridades migratórias.
A CIN substitui gradualmente o antigo Registro Geral (RG) e traz como principal inovação a utilização do CPF como número único de identificação em todo o território nacional. O documento também possui recursos modernos de segurança, incluindo versão digital e mecanismos que dificultam fraudes.
Com a adoção da nova carteira, os viajantes brasileiros podem utilizar o documento para entrar em países sul-americanos que aceitam a identificação civil em substituição ao passaporte, tornando os deslocamentos mais simples e acessíveis.
Especialistas orientam que os viajantes verifiquem previamente as exigências específicas do país de destino, além de conferir se o documento está em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade estabelecido para a faixa etária do titular.
A expectativa do governo federal é ampliar gradativamente a emissão da Carteira de Identidade Nacional, promovendo a unificação dos cadastros e facilitando o acesso dos cidadãos a serviços públicos e viagens internacionais dentro dos países que mantêm acordos com o Brasil.