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TRAGÉDIA FAMILIAR É CONFUNDIDA COM FEMINICÍDIO, APONTA DEFESA

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7 de novembro de 2025

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Alex Viana

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Em 2023, uma tragédia abalou a vida de LAF e de sua família. Segundo ele, em meio a uma discussão motivada pelo pedido da esposa para que não fosse a outra fazenda naquele dia, ocorreu um ato impensado e imprudente. No calor da emoção, acreditando que a arma não funcionava e desejando apenas dar um susto, acabou por acionar o gatilho, resultando fatalmente no disparo que atingiu sua companheira. Desesperado, pensou em tirar a própria vida, mas desistiu ao ouvir — segundo relatou — a voz de Deus. No mesmo dia, comunicou o fato ao filho, pediu perdão, deixou a arma no local e, no primeiro dia útil seguinte, apresentou-se espontaneamente à Delegacia.

Apesar de seu arrependimento, confissão e imediata colaboração com a Justiça, a investigação seguiu a linha de feminicídio, desconsiderando a ausência de elementos mínimos que indicassem dolo ou violência doméstica. Inicialmente, os familiares da vítima afirmaram jamais terem presenciado qualquer tipo de agressão. No entanto, após a comoção social e o espírito de vingança, alguns passaram a supor — sem base fática — que haveria violência psicológica e patrimonial, ainda que todos reconhecessem que a vítima jamais relatou nada e que nunca presenciaram agressões.

Durante a instrução processual, a defesa desfez todas as narrativas artificiais criadas no inquérito. Foi provado, de forma cabal, que não havia vestígio de violência física, psicológica ou patrimonial. As testemunhas mais próximas confirmaram que, em mais de 30 anos de casamento, nunca presenciaram qualquer ato violento. Pessoas que conviveram com o casal afirmaram tratar-se de uma relação de amor, respeito e fé, marcada pela atuação conjunta na igreja e pela admiração mútua.

A equipe de defesa — liderada pelo Dr. Alex Viana, ao lado das Dras. Herika Ratto, Fernanda Bourdokan e Ellen Magro — demonstrou ainda, por meio das mensagens de celular entre o casal, o tom de carinho e parceria, comprovando que a vítima era independente, atuante e livre: dirigia, administrava finanças, frequentava a igreja e liderava grupos religiosos. Nenhuma prova corroborou a tese de feminicídio.

Mesmo diante da clareza das provas, o Ministério Público insistiu na tese acusatória. O júri, após mais de 15 horas de sessão e intensos debates, acabou acolhendo a acusação de feminicídio, fixando a pena mínima de 12 anos de reclusão, reconhecendo, na prática, a ausência de agravantes concretos. O Tribunal de Justiça, sensível ao grave estado de saúde do réu, manteve a prisão domiciliar, reconhecendo sua condição de vulnerabilidade e a desumanidade das condições carcerárias enfrentadas.

Em entrevista, o Dr. Alex Viana declarou:

Foi um trabalho exaustivo. Buscamos a prevalência da verdade, mas infelizmente ainda se confunde feminicídio com femicídio. Demonstramos que não havia prova de violência doméstica e que tudo indicava tratar-se de um homicídio culposo. Respeitamos a decisão dos jurados, mas recorreremos, porque acreditamos que a verdade prevalecerá.”

O caso agora segue ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde a defesa espera que a Justiça reconheça o que as provas sempre mostraram: que LAF não é um assassino, mas um homem devastado por um trágico acidente.

opinião

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da...

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

29 de maio de 2026

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

 

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Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da tela do celular ou da televisão podemos observar o Estado, através de seus agentes, enforcar, bater, pisotear, e até matar pessoas “suspeitas” de algum ilícito, ora derrubam uma professora no chão e colocam o pé em seu rosto, ora derrubam uma mulher com duas crianças menores em seu colo e fazem a famosa posição em que o policial americano matou George Floyd, e assim caminha a política ostensiva do Estado.

Mas ultimamente estamos vivenciando alguns membros do Ministério Público denunciarem pessoas que cometeram crimes famélicos, chegando-se ao cúmulo de recorrer de uma absolvição sumária de pessoas que teriam furtado lixo, é, isto mesmo, lixo.

As pessoas vítimas dessa força ostensiva, e, agora, dessa persecução acusatória, têm em comum o fato de serem pobres e negras. Aliás, o retrato da nossa população carcerária, esta que é a 3ª maior população carcerária do mundo, é de pobres, negros, e com até o ensino fundamental completo.

Diante desses fatos e deste resultado, que a criminologia nos mostra tão bem, não é possível conceber que só negros e pobres cometem crimes, parece incontroverso que o sistema é voltado para combater somente uma classe social.

Por isso, se está constatando esta aporofobia no campo da política criminal brasileira, ou seja, existe uma aversão aos pobres, é por isso que o sistema é voltado para combater somente esta classe social, seus agentes se tornaram autômatos, característica que George Orwell definiu muito bem no livro 1984, que significa dizer que o ser não é mais racional, age de forma mecanizada, automática, não é mais humano, é uma máquina.

Talvez foi essa automatização do pensar que sustentou a insanidade de mover o Poder Judiciário, este que é tão caro e tão abarrotado, para cuidar de furto de lixo. Afinal, sabendo-se que o custo mensal de um preso é de R$ 2.400,00, qual a lógica do direito penal intervir em algo que se quer tem valor?

Não posso terminar sem citar Vitor Hugo, autor que tão bem narrou as questões da miséria humana em “Os Miseráveis”:

“Certa vez, numa reunião, ouviu dizer que se fazia a instrução de um processo criminal já próximo do julgamento. Um pobre homem, falto de recursos, por amor de uma mulher e de uma criança, cunhou moedas falsas. Nessa época, tal crime era punido com a morte. A mulher foi detida quando gastava a primeira moeda. Prenderam-na como a única culpada. Somente ela poderia delatar seu amante e condená-lo. Apesar da insistência, continuou obstinadamente a negar que ele tivesse qualquer participação no caso. O Procurador do Rei teve, então, uma ideia. Inventou uma infidelidade do amante e chegou mesmo, com trechos de cartas jeitosamente apresentadas, a persuadir a coitada da existência de uma rival com quem tal homem a enganava. Então, louca de ciúme, ela denunciou o amante, confessando e provando o crime. O homem estava perdido. Naqueles dia em Aix, ele seria julgado com sua cúmplice. Contava-se o acontecido e todos se admiravam da habilidade do Magistrado. Pondo em jogo o ciúme, pelo ódio fizera brilhar a verdade, fizera surgir a vingança, a Justiça.

O Bispo ouviu tudo em silêncio. Quando terminaram, perguntou:

– Onde vão ser julgados esses dois?

– No fórum.

– E onde vai ser julgado o procurador do Rei?

Opinião

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite. A Consolidação das...

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

22 de maio de 2026

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

 

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O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Embora a legislação determine, preferencialmente, o descanso aos domingos, a escala 6x1 permite, na prática, a rotatividade das folgas, fazendo com que muitos trabalhadores tenham apenas um domingo de descanso a cada sete semanas, a depender da convenção coletiva da categoria. A distribuição das horas, como jornadas de 8 horas de segunda a sexta e 4 horas aos sábados, também varia conforme acordos sindicais.


O resultado é um cenário em que milhões de brasileiros trabalham até 44 horas semanais para receber um salário mínimo de R$ 1.621, equivalente a aproximadamente US$ 244. Trata-se de uma das menores remunerações da América do Sul. O trabalhador brasileiro recebe menos que trabalhadores do Uruguai (US$ 626), Chile (US$ 597), Equador (US$ 482), Colômbia (US$ 446), Bolívia (US$ 362), Paraguai (US$ 350) e Peru (US$ 275).


Mesmo ocupando posição inferior em remuneração, o Brasil figura entre os países com maiores índices de esgotamento profissional. Em 2021, levantamento da International Stress Management Association (Isma-BR) apontou o Brasil como o segundo país com mais casos de burnout no mundo. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, marcada pelo esgotamento físico, emocional e mental decorrente de condições excessivamente desgastantes de trabalho.
Nesse contexto, a deputada federal Erika Hilton apresentou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para revisar a jornada de trabalho no Brasil. A iniciativa surgiu em parceria com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Azevedo, e busca ampliar o debate sobre qualidade de vida, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e modernização das relações de trabalho.


O Movimento Vida Além do Trabalho defende a substituição gradual da escala 6x1 por modelos mais equilibrados, como a escala 4x3, além de medidas de proteção ao trabalhador, incluindo limitação de horas extras, ampliação de pausas e fortalecimento da fiscalização sobre abusos trabalhistas.
Por outro lado, a Emenda nº 1 à PEC 221/19, apresentada pelo deputado Sérgio Turra e assinada por outros 175 parlamentares, propõe um prazo de até 10 anos para implementação das mudanças, além de ampliar mecanismos de flexibilização das jornadas. O texto prevê expansão do banco de horas, alterações em intervalos de descanso, fortalecimento de acordos individuais e manutenção de jornadas maiores em determinadas atividades consideradas essenciais.


Críticos da proposta afirmam que a emenda esvazia o objetivo original da PEC, ao permitir ampla flexibilização das regras trabalhistas sem enfrentar diretamente a sobrecarga enfrentada pelo trabalhador brasileiro.
O debate, portanto, não se resume à redução da jornada. Trata-se de discutir qual modelo de país o Brasil deseja construir: um país sustentado pelo esgotamento permanente de sua força de trabalho ou uma sociedade que compreenda que desenvolvimento econômico e dignidade humana não são ideias incompatíveis.