quarta, 03 de junho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Advogado

A+ A-

OPERAÇÃO OMERTÀ: EM DEFESA HISTÓRICA “HACKER” FOI O ÚNICO ABSOLVIDO.

Icone Calendário

5 de julho de 2024

Continue Lendo...

OPERAÇÃO OMERTÀ:  EM DEFESA HISTÓRICA “HACKER” FOI O ÚNICO ABSOLVIDO.

Conhecida como a operação do século à “OMERTÀ”, que ocasionou o Júri do Século, teve na figura do “HACKER” o seu grande calcanhar de Aquiles. O “Hacker” foi um dos sete acusados de terem participado do homicídio duplamente qualificado em desfavor da vítima Matheus Coutinho Xavier. Representado pelo criminalista Dr. ALEX VIANA, o “Hacker”, foi o único a ser absolvido, ainda na primeira fase.
Segundo a narrativa acusatória o “Hacker” teria auxiliado os demais envolvidos a executarem o plano de matarem a pessoa de Paulo Roberto Teixeira Xavier, porém, acabaram matando o seu filho. De acordo com a denúncia o “Hacker” teria sido contratado para hackear Paulo Xavier, fornecendo informações sobre ele e sobre sua localização em tempo real.
Foi esclarecido na ação penal, através do Dr. Alex Viana, que a narrativa acusatória tinha um grande problema, E.S.M denominado de “Hacker” não era hacker, não tinha nenhuma habilidade técnica para exercer tal função, no processo não se tinha uma prova que demonstrasse que ele teria participado do suposto plano, bem como de que ele teria alguma habilidade nesse sentido.
Além da ausência de prova de sua participação, no interrogatório judicial ele esclareceu que o que está escrito no interrogatório policial foi fruto de coerção, um batalhão de policiais o prenderam e lhe disseram que sua vida corria risco, se ele assinasse aquele documento eles o protegeriam, com medo ele assinou. Porém, após a sua assinatura, o que fizeram foi levá-lo à rodoviária.
Na instrução processual, o “Hacker” esclareceu que não conhecia os demais acusados, nunca teve relações com eles, e, jamais foi lhe dito algo a respeito do suposto plano contado pela acusação. A grande indagação da Defesa técnica era que se todos os corréus tinham relações pessoais com a vítima e sabiam onde ela morava, para que precisariam de um terceiro para lhes prestar uma informação que já conheciam?
Apesar de tudo o que foi alegado pela defesa e da ausência de prova que sustentasse a participação do “Hacker”, o Ministério Público pediu a pronúncia dele, querendo que ele fosse levado a julgamento perante o Tribunal do Júri.
De forma inédita e surpreendente, o juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, o impronunciou, sendo ele absolvido:
“Assim, retira-se do feito que quanto a EURICO não havia conexão subjetiva de finalidade ou sequer controle por parte dele da ação final, salientando ainda que sequer conhecia Jamil Name, Jamil Name Filho, Marcelo Rios e Vladenilson. (...)
Ademais, Campo Grande não é uma cidade tão grande como as demais capitais do país, aliás segundo a acusação Paulo R. Xavier trabalhava há anos para os Names, tinha convivência constante, trabalho, viagens, etc., enfim contado direto inclusive moravam próximos - poucas quadras no mesmo bairro Bela Vista - e também conhecia os seus empregados informais Marcelo Rios e Vladenilson, significando que para encontrarem Paulo Xavier não teriam dificuldade nenhuma, não necessitando, portanto, de hacker como se alardeia nos depoimentos policiais ao afirmarem que a função era "acompanhamento em tempo real da vítima virtual", lembrando que o crime foi praticado na própria desta, aliás como disse Vladenilson em seu interrogatório "eu tinha até o telefone desta vítima e sabia onde morava". Dessa maneira, os indícios de participação do denunciado EURICO embora existentes não são suficientes para submetê-lo a julgamento popular razão pela qual deve ser impronunciado.”
Ao jornal o Dr. ALEX VIANA disse que: “apesar da grande midiatização e repercussão do caso, a realidade é que no processo não havia e não há prova alguma da participação dele, ele não era hacker, não tinha capacitação técnica, não conhecia os demais envolvidos, não tinha ciência de plano algum, e, o mais importante, não havia razão para se querer a localização da vítima, pois, os correus a conhecia e sabiam tudo sobre ela, sendo desnecessária a utilização de um terceiro para localizá-la. A impronuncia foi acertadíssima”.
De todos os acusados, o único absolvido só foi o “hacker”, todos os demais foram condenados pelo Tribunal do Júri.

opinião

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da...

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

29 de maio de 2026

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

 

Continue Lendo...

Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da tela do celular ou da televisão podemos observar o Estado, através de seus agentes, enforcar, bater, pisotear, e até matar pessoas “suspeitas” de algum ilícito, ora derrubam uma professora no chão e colocam o pé em seu rosto, ora derrubam uma mulher com duas crianças menores em seu colo e fazem a famosa posição em que o policial americano matou George Floyd, e assim caminha a política ostensiva do Estado.

Mas ultimamente estamos vivenciando alguns membros do Ministério Público denunciarem pessoas que cometeram crimes famélicos, chegando-se ao cúmulo de recorrer de uma absolvição sumária de pessoas que teriam furtado lixo, é, isto mesmo, lixo.

As pessoas vítimas dessa força ostensiva, e, agora, dessa persecução acusatória, têm em comum o fato de serem pobres e negras. Aliás, o retrato da nossa população carcerária, esta que é a 3ª maior população carcerária do mundo, é de pobres, negros, e com até o ensino fundamental completo.

Diante desses fatos e deste resultado, que a criminologia nos mostra tão bem, não é possível conceber que só negros e pobres cometem crimes, parece incontroverso que o sistema é voltado para combater somente uma classe social.

Por isso, se está constatando esta aporofobia no campo da política criminal brasileira, ou seja, existe uma aversão aos pobres, é por isso que o sistema é voltado para combater somente esta classe social, seus agentes se tornaram autômatos, característica que George Orwell definiu muito bem no livro 1984, que significa dizer que o ser não é mais racional, age de forma mecanizada, automática, não é mais humano, é uma máquina.

Talvez foi essa automatização do pensar que sustentou a insanidade de mover o Poder Judiciário, este que é tão caro e tão abarrotado, para cuidar de furto de lixo. Afinal, sabendo-se que o custo mensal de um preso é de R$ 2.400,00, qual a lógica do direito penal intervir em algo que se quer tem valor?

Não posso terminar sem citar Vitor Hugo, autor que tão bem narrou as questões da miséria humana em “Os Miseráveis”:

“Certa vez, numa reunião, ouviu dizer que se fazia a instrução de um processo criminal já próximo do julgamento. Um pobre homem, falto de recursos, por amor de uma mulher e de uma criança, cunhou moedas falsas. Nessa época, tal crime era punido com a morte. A mulher foi detida quando gastava a primeira moeda. Prenderam-na como a única culpada. Somente ela poderia delatar seu amante e condená-lo. Apesar da insistência, continuou obstinadamente a negar que ele tivesse qualquer participação no caso. O Procurador do Rei teve, então, uma ideia. Inventou uma infidelidade do amante e chegou mesmo, com trechos de cartas jeitosamente apresentadas, a persuadir a coitada da existência de uma rival com quem tal homem a enganava. Então, louca de ciúme, ela denunciou o amante, confessando e provando o crime. O homem estava perdido. Naqueles dia em Aix, ele seria julgado com sua cúmplice. Contava-se o acontecido e todos se admiravam da habilidade do Magistrado. Pondo em jogo o ciúme, pelo ódio fizera brilhar a verdade, fizera surgir a vingança, a Justiça.

O Bispo ouviu tudo em silêncio. Quando terminaram, perguntou:

– Onde vão ser julgados esses dois?

– No fórum.

– E onde vai ser julgado o procurador do Rei?

Opinião

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite. A Consolidação das...

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

22 de maio de 2026

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

 

Continue Lendo...

O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Embora a legislação determine, preferencialmente, o descanso aos domingos, a escala 6x1 permite, na prática, a rotatividade das folgas, fazendo com que muitos trabalhadores tenham apenas um domingo de descanso a cada sete semanas, a depender da convenção coletiva da categoria. A distribuição das horas, como jornadas de 8 horas de segunda a sexta e 4 horas aos sábados, também varia conforme acordos sindicais.


O resultado é um cenário em que milhões de brasileiros trabalham até 44 horas semanais para receber um salário mínimo de R$ 1.621, equivalente a aproximadamente US$ 244. Trata-se de uma das menores remunerações da América do Sul. O trabalhador brasileiro recebe menos que trabalhadores do Uruguai (US$ 626), Chile (US$ 597), Equador (US$ 482), Colômbia (US$ 446), Bolívia (US$ 362), Paraguai (US$ 350) e Peru (US$ 275).


Mesmo ocupando posição inferior em remuneração, o Brasil figura entre os países com maiores índices de esgotamento profissional. Em 2021, levantamento da International Stress Management Association (Isma-BR) apontou o Brasil como o segundo país com mais casos de burnout no mundo. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, marcada pelo esgotamento físico, emocional e mental decorrente de condições excessivamente desgastantes de trabalho.
Nesse contexto, a deputada federal Erika Hilton apresentou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para revisar a jornada de trabalho no Brasil. A iniciativa surgiu em parceria com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Azevedo, e busca ampliar o debate sobre qualidade de vida, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e modernização das relações de trabalho.


O Movimento Vida Além do Trabalho defende a substituição gradual da escala 6x1 por modelos mais equilibrados, como a escala 4x3, além de medidas de proteção ao trabalhador, incluindo limitação de horas extras, ampliação de pausas e fortalecimento da fiscalização sobre abusos trabalhistas.
Por outro lado, a Emenda nº 1 à PEC 221/19, apresentada pelo deputado Sérgio Turra e assinada por outros 175 parlamentares, propõe um prazo de até 10 anos para implementação das mudanças, além de ampliar mecanismos de flexibilização das jornadas. O texto prevê expansão do banco de horas, alterações em intervalos de descanso, fortalecimento de acordos individuais e manutenção de jornadas maiores em determinadas atividades consideradas essenciais.


Críticos da proposta afirmam que a emenda esvazia o objetivo original da PEC, ao permitir ampla flexibilização das regras trabalhistas sem enfrentar diretamente a sobrecarga enfrentada pelo trabalhador brasileiro.
O debate, portanto, não se resume à redução da jornada. Trata-se de discutir qual modelo de país o Brasil deseja construir: um país sustentado pelo esgotamento permanente de sua força de trabalho ou uma sociedade que compreenda que desenvolvimento econômico e dignidade humana não são ideias incompatíveis.