quinta, 04 de junho, 2026
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EM MARACAJU/MS ACUSADO DE PARTICIPAR DA MORTE DE PM É PARCIALMENTE ABSOLVIDO E TEM REVOGADA SUA
PRISÃO.
Na última semana o conselho de jurados de Maracaju/MS julgou o último acusado do homicídio triplamente qualificado contra um policial militar. Patrique e mais três acusados (F.A.P, M.B.B, e E.R.C). Todos estavam sendo acusados de terem praticado homicídio qualificado pelo perigo comum, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, e em razão da vítima ser policial militar, bem como por pertencerem a organização criminosa.
Segundo a denúncia no dia 10/02/2019, por volta das 01h03min, no estabelecimento comercial denominado “Lanchonete do Gordinho”, localizado na Rua Onze de Junho, em frente à praça central, em Maracaju/MS, os acusados mataram a vítima Juciel Rocha Professor, policial militar.
O júri foi desmembrado a pedido da defesa de Patrique. Cada acusado foi julgado separadamente. Todos foram condenados integralmente, a média da pena ficou por volta de 30 anos de reclusão para cada um. Exceto Patrique.
Sua defesa levantou várias nulidades durante o julgamento, a oitiva das testemunhas durou quase 10 horas, o Dr. Alex Viana pediu a prisão de um policial, que era testemunha, por falso testemunho. O clima de tensão era grande. A defesa foi sustentada pelo Dr. Alex Viana, Dra. Herika Ratto, Dr. Jardelino Pereira, e Dra. Vitória Britto.
O MPE sustentou a denúncia desde o início, pediu a condenação do Réu em tudo.
A defesa sustentou a negativa de autoria, pela ausência de prova de que Patrique teria participado do crime, mas, sobretudo por existir prova da não participação. No dia do crime Patrique estava na casa de amigos, o que foi comprovado com o depoimento das testemunhas. A defesa ficou sabendo no dia do julgamento que o resultado da quebra do sigilo dos dados telefônicos dos acusados estava apensado nos autos sob sigilo, e essa prova demonstrava que semanas antes até a data do crime, nenhum dos acusados se encontraram, nenhum dos acusados se comunicaram, logo, estava provado que era um inocente que estava sendo julgado. O verdadeiro culpado estava solto. Tanto que segundo o delegado o mandante não foi encontrado. A defesa achou um absurdo o inquérito ter acabado em 09 dias.
Foi comparado o inquérito do processo com o inquérito do caso “NAME”, tendo a defesa ficado indignada com a falta de zelo, mesmo a vítima se tratando de um irmão de farda. Falou-se que diferentemente daquele inquérito, nesse o réu está sendo julgado com fundamento na presunção, no achismo, de quem trabalhou nesse inquérito, com a probabilidade muito grande dos verdadeiros culpados estarem solto.
Ao final o júri decidiu absolver o Patrique do crime de organização criminosa, concedeu a participação de menor potencial ofensivo, pois, sua participação teria sido somente de mostrar quem era a vítima, e com isso, sua pena ficou em 10 anos de reclusão. A defesa requereu a revogação da prisão preventiva, o juízo deferiu, e o réu saiu solto. A família ficou em êxtase. Os advogados foram ovacionados.
Segundo o Dr. ALEX VIANA: “No Tribunal das Lagrimas não existe vitória, ainda mais quando no caso temos uma vítima admirada pela população, policial militar, um rapaz jovem, trabalhador, que merece, como o próprio Patrique disse, toda a nossa admiração. Saímos daqui hoje com o coração em paz, colocamos fim a essa injustiça”!
A Dra. HERIKA RATTO disse que: “Olha hoje nos sentimos o próprio Davi, enfrentamos uma estrutura gigante, tivemos muita coragem para vir aqui hoje, e fizemos isso porque acreditamos na inocência do Patrique, jamais viríamos aqui se tivéssemos dúvida dessa inocência”.
O pai do Patrique, falou pela família, (Sebastião): “Estou muito emocionado, que defesa foi essa?! Esses advogados foram usados por Deus. Dr. Alex Viana e Dra. Herika conseguiram mostrar o que todos nós tentamos dizer há anos, que o nosso menino é inocente. Eu vi todos os outros júris, estávamos com muito medo, as penas que os outros levaram foram altas, mais de 30 anos, e, hoje, com a graça de Deus, nosso menino será solto. Só tenho a agradecer a esses anjos e a Deus”.
opinião
Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da...
29 de maio de 2026
Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da tela do celular ou da televisão podemos observar o Estado, através de seus agentes, enforcar, bater, pisotear, e até matar pessoas “suspeitas” de algum ilícito, ora derrubam uma professora no chão e colocam o pé em seu rosto, ora derrubam uma mulher com duas crianças menores em seu colo e fazem a famosa posição em que o policial americano matou George Floyd, e assim caminha a política ostensiva do Estado.
Mas ultimamente estamos vivenciando alguns membros do Ministério Público denunciarem pessoas que cometeram crimes famélicos, chegando-se ao cúmulo de recorrer de uma absolvição sumária de pessoas que teriam furtado lixo, é, isto mesmo, lixo.
As pessoas vítimas dessa força ostensiva, e, agora, dessa persecução acusatória, têm em comum o fato de serem pobres e negras. Aliás, o retrato da nossa população carcerária, esta que é a 3ª maior população carcerária do mundo, é de pobres, negros, e com até o ensino fundamental completo.
Diante desses fatos e deste resultado, que a criminologia nos mostra tão bem, não é possível conceber que só negros e pobres cometem crimes, parece incontroverso que o sistema é voltado para combater somente uma classe social.
Por isso, se está constatando esta aporofobia no campo da política criminal brasileira, ou seja, existe uma aversão aos pobres, é por isso que o sistema é voltado para combater somente esta classe social, seus agentes se tornaram autômatos, característica que George Orwell definiu muito bem no livro 1984, que significa dizer que o ser não é mais racional, age de forma mecanizada, automática, não é mais humano, é uma máquina.
Talvez foi essa automatização do pensar que sustentou a insanidade de mover o Poder Judiciário, este que é tão caro e tão abarrotado, para cuidar de furto de lixo. Afinal, sabendo-se que o custo mensal de um preso é de R$ 2.400,00, qual a lógica do direito penal intervir em algo que se quer tem valor?
Não posso terminar sem citar Vitor Hugo, autor que tão bem narrou as questões da miséria humana em “Os Miseráveis”:
“Certa vez, numa reunião, ouviu dizer que se fazia a instrução de um processo criminal já próximo do julgamento. Um pobre homem, falto de recursos, por amor de uma mulher e de uma criança, cunhou moedas falsas. Nessa época, tal crime era punido com a morte. A mulher foi detida quando gastava a primeira moeda. Prenderam-na como a única culpada. Somente ela poderia delatar seu amante e condená-lo. Apesar da insistência, continuou obstinadamente a negar que ele tivesse qualquer participação no caso. O Procurador do Rei teve, então, uma ideia. Inventou uma infidelidade do amante e chegou mesmo, com trechos de cartas jeitosamente apresentadas, a persuadir a coitada da existência de uma rival com quem tal homem a enganava. Então, louca de ciúme, ela denunciou o amante, confessando e provando o crime. O homem estava perdido. Naqueles dia em Aix, ele seria julgado com sua cúmplice. Contava-se o acontecido e todos se admiravam da habilidade do Magistrado. Pondo em jogo o ciúme, pelo ódio fizera brilhar a verdade, fizera surgir a vingança, a Justiça.
O Bispo ouviu tudo em silêncio. Quando terminaram, perguntou:
– Onde vão ser julgados esses dois?
– No fórum.
– E onde vai ser julgado o procurador do Rei?
Opinião
O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite. A Consolidação das...
22 de maio de 2026
O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Embora a legislação determine, preferencialmente, o descanso aos domingos, a escala 6x1 permite, na prática, a rotatividade das folgas, fazendo com que muitos trabalhadores tenham apenas um domingo de descanso a cada sete semanas, a depender da convenção coletiva da categoria. A distribuição das horas, como jornadas de 8 horas de segunda a sexta e 4 horas aos sábados, também varia conforme acordos sindicais.
O resultado é um cenário em que milhões de brasileiros trabalham até 44 horas semanais para receber um salário mínimo de R$ 1.621, equivalente a aproximadamente US$ 244. Trata-se de uma das menores remunerações da América do Sul. O trabalhador brasileiro recebe menos que trabalhadores do Uruguai (US$ 626), Chile (US$ 597), Equador (US$ 482), Colômbia (US$ 446), Bolívia (US$ 362), Paraguai (US$ 350) e Peru (US$ 275).
Mesmo ocupando posição inferior em remuneração, o Brasil figura entre os países com maiores índices de esgotamento profissional. Em 2021, levantamento da International Stress Management Association (Isma-BR) apontou o Brasil como o segundo país com mais casos de burnout no mundo. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, marcada pelo esgotamento físico, emocional e mental decorrente de condições excessivamente desgastantes de trabalho.
Nesse contexto, a deputada federal Erika Hilton apresentou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para revisar a jornada de trabalho no Brasil. A iniciativa surgiu em parceria com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Azevedo, e busca ampliar o debate sobre qualidade de vida, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e modernização das relações de trabalho.
O Movimento Vida Além do Trabalho defende a substituição gradual da escala 6x1 por modelos mais equilibrados, como a escala 4x3, além de medidas de proteção ao trabalhador, incluindo limitação de horas extras, ampliação de pausas e fortalecimento da fiscalização sobre abusos trabalhistas.
Por outro lado, a Emenda nº 1 à PEC 221/19, apresentada pelo deputado Sérgio Turra e assinada por outros 175 parlamentares, propõe um prazo de até 10 anos para implementação das mudanças, além de ampliar mecanismos de flexibilização das jornadas. O texto prevê expansão do banco de horas, alterações em intervalos de descanso, fortalecimento de acordos individuais e manutenção de jornadas maiores em determinadas atividades consideradas essenciais.
Críticos da proposta afirmam que a emenda esvazia o objetivo original da PEC, ao permitir ampla flexibilização das regras trabalhistas sem enfrentar diretamente a sobrecarga enfrentada pelo trabalhador brasileiro.
O debate, portanto, não se resume à redução da jornada. Trata-se de discutir qual modelo de país o Brasil deseja construir: um país sustentado pelo esgotamento permanente de sua força de trabalho ou uma sociedade que compreenda que desenvolvimento econômico e dignidade humana não são ideias incompatíveis.