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465 MIL MORTES EM DECORRÊNCIA DA COVID-19, ONDE ERRAMOS?

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2 de junho de 2021

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465 MIL MORTES EM DECORRÊNCIA DA COVID-19, ONDE ERRAMOS?

Em dezembro de 2019 a China emitiu um comunicado para a Organização Mundial da Saúde (OMS), tratava-se de um alerta para um surto de “pneumonia de causa desconhecida” em Wuhan, logo depois ficaríamos sabendo que se tratava de um coronavírus. A covid-19 se alastrou na Ásia, na Europa, e na América do Norte, tendo o vírus chegado por último no continente sul-americano. No Brasil o primeiro caso foi detectado somente em 26/02/2020. Diante deste fato muitos se indagam como o nosso país, tendo visto tudo o que ocorria no mundo, não se preparou adequadamente para enfrentar este inimigo invisível?

Um, não fechamos os aeroportos e nem estabelecemos um política de testagem para os tripulantes, com isso, mesmo vendo o que ocorria no mundo, não tivemos o mínimo de cuidado e precaução para não deixar o vírus circular livremente.

Dois, ao invés de todas as autoridades públicas seguirem as orientações da OMS, dos especialistas em epidemiologia, virologia, e todas as melhores práticas que os outros países estavam adotando, aqui o Governo Federal negava a gravidade da crise, primeiro disse que era uma gripezinha, depois disse que devíamos aceitar as mortes e, não ficarmos chorando-as como maricas, ou seja, ao invés de concentrar a energia em solucionar os problemas, preferimos nega-los.

Três, em 16/04/2020, com 1.952 MORTES, o Presidente decide exonerar o Ministro da Saúde Mandetta, pois queria alguém que não seguisse as orientações dos especialistas, que autorizasse a abertura de tudo, e que disseminasse a existência de um tratamento precoce que não existia. Nelson Teich foi nomeado como novo Ministro da Saúde, com menos de 01 mês no cargo (15/05), ele pediu demissão por não concordar em dizer que existe tratamento precoce contra a covid-19, ou seja, não aceitou enganar a população, entregando o Ministério com 14.817 MORTES.

Quatro, o Presidente decide deixar Eduardo Pazuello, sem formação técnica e experiência na área, ficar como Ministro Interino da Saúde até 16/09/2020, data em que foi nomeado como Ministro titular, na pasta ele investiu em disseminar o tratamento precoce (cloroquina), o isolamento vertical, e a imunidade de rebanho, enfim, fez tudo o que o Presidente queria. A consequência foi que além dele ter deixado faltar oxigênio nos hospitais, e não ter comprado as vacinas no momento certo, EDUARDO PAZUELLO recebeu o Ministério da Saúde com menos de 15 mil mortes e o entregou com um total de mais de 282 mil mortes, com uma média de morte diária de quase 3 mil.

Cinco, o pior de todos os erros, lutar contra as vacinas. O Governo Federal além de boicotar as vacinas, de colocar em dúvida a eficácia delas, de dizer que quem tomasse viraria jacaré, deixou de compra-las quando lhes foram ofertadas, e isso ocasionou a demora na vacinação. Era para termos começado a vacinar em dezembro de 2020, hoje era para termos mais de 30% da população vacinada com a segunda dose, mas só temos 10,57%.

Portanto, é um fato que quem morreu após dezembro de 2020, morreu por ineficiência do Governo Federal.

 

opinião

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da...

APOROFOBIA, QUE PALAVRÃO É ESSE?

29 de maio de 2026

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Segundo o dicionário, a definição de aporofobia é repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres ou desfavorecidos. Dito isto, sem nem ao menos sair de casa, da tela do celular ou da televisão podemos observar o Estado, através de seus agentes, enforcar, bater, pisotear, e até matar pessoas “suspeitas” de algum ilícito, ora derrubam uma professora no chão e colocam o pé em seu rosto, ora derrubam uma mulher com duas crianças menores em seu colo e fazem a famosa posição em que o policial americano matou George Floyd, e assim caminha a política ostensiva do Estado.

Mas ultimamente estamos vivenciando alguns membros do Ministério Público denunciarem pessoas que cometeram crimes famélicos, chegando-se ao cúmulo de recorrer de uma absolvição sumária de pessoas que teriam furtado lixo, é, isto mesmo, lixo.

As pessoas vítimas dessa força ostensiva, e, agora, dessa persecução acusatória, têm em comum o fato de serem pobres e negras. Aliás, o retrato da nossa população carcerária, esta que é a 3ª maior população carcerária do mundo, é de pobres, negros, e com até o ensino fundamental completo.

Diante desses fatos e deste resultado, que a criminologia nos mostra tão bem, não é possível conceber que só negros e pobres cometem crimes, parece incontroverso que o sistema é voltado para combater somente uma classe social.

Por isso, se está constatando esta aporofobia no campo da política criminal brasileira, ou seja, existe uma aversão aos pobres, é por isso que o sistema é voltado para combater somente esta classe social, seus agentes se tornaram autômatos, característica que George Orwell definiu muito bem no livro 1984, que significa dizer que o ser não é mais racional, age de forma mecanizada, automática, não é mais humano, é uma máquina.

Talvez foi essa automatização do pensar que sustentou a insanidade de mover o Poder Judiciário, este que é tão caro e tão abarrotado, para cuidar de furto de lixo. Afinal, sabendo-se que o custo mensal de um preso é de R$ 2.400,00, qual a lógica do direito penal intervir em algo que se quer tem valor?

Não posso terminar sem citar Vitor Hugo, autor que tão bem narrou as questões da miséria humana em “Os Miseráveis”:

“Certa vez, numa reunião, ouviu dizer que se fazia a instrução de um processo criminal já próximo do julgamento. Um pobre homem, falto de recursos, por amor de uma mulher e de uma criança, cunhou moedas falsas. Nessa época, tal crime era punido com a morte. A mulher foi detida quando gastava a primeira moeda. Prenderam-na como a única culpada. Somente ela poderia delatar seu amante e condená-lo. Apesar da insistência, continuou obstinadamente a negar que ele tivesse qualquer participação no caso. O Procurador do Rei teve, então, uma ideia. Inventou uma infidelidade do amante e chegou mesmo, com trechos de cartas jeitosamente apresentadas, a persuadir a coitada da existência de uma rival com quem tal homem a enganava. Então, louca de ciúme, ela denunciou o amante, confessando e provando o crime. O homem estava perdido. Naqueles dia em Aix, ele seria julgado com sua cúmplice. Contava-se o acontecido e todos se admiravam da habilidade do Magistrado. Pondo em jogo o ciúme, pelo ódio fizera brilhar a verdade, fizera surgir a vingança, a Justiça.

O Bispo ouviu tudo em silêncio. Quando terminaram, perguntou:

– Onde vão ser julgados esses dois?

– No fórum.

– E onde vai ser julgado o procurador do Rei?

Opinião

O BRASIL DO ESGOTAMENTO: O DEBATE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite. A Consolidação das...

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22 de maio de 2026

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O discurso de que o fim da escala 6x1 “vai acabar com o Brasil” ignora uma realidade elementar: o trabalhador brasileiro já vive no limite.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Embora a legislação determine, preferencialmente, o descanso aos domingos, a escala 6x1 permite, na prática, a rotatividade das folgas, fazendo com que muitos trabalhadores tenham apenas um domingo de descanso a cada sete semanas, a depender da convenção coletiva da categoria. A distribuição das horas, como jornadas de 8 horas de segunda a sexta e 4 horas aos sábados, também varia conforme acordos sindicais.


O resultado é um cenário em que milhões de brasileiros trabalham até 44 horas semanais para receber um salário mínimo de R$ 1.621, equivalente a aproximadamente US$ 244. Trata-se de uma das menores remunerações da América do Sul. O trabalhador brasileiro recebe menos que trabalhadores do Uruguai (US$ 626), Chile (US$ 597), Equador (US$ 482), Colômbia (US$ 446), Bolívia (US$ 362), Paraguai (US$ 350) e Peru (US$ 275).


Mesmo ocupando posição inferior em remuneração, o Brasil figura entre os países com maiores índices de esgotamento profissional. Em 2021, levantamento da International Stress Management Association (Isma-BR) apontou o Brasil como o segundo país com mais casos de burnout no mundo. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, marcada pelo esgotamento físico, emocional e mental decorrente de condições excessivamente desgastantes de trabalho.
Nesse contexto, a deputada federal Erika Hilton apresentou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para revisar a jornada de trabalho no Brasil. A iniciativa surgiu em parceria com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Azevedo, e busca ampliar o debate sobre qualidade de vida, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e modernização das relações de trabalho.


O Movimento Vida Além do Trabalho defende a substituição gradual da escala 6x1 por modelos mais equilibrados, como a escala 4x3, além de medidas de proteção ao trabalhador, incluindo limitação de horas extras, ampliação de pausas e fortalecimento da fiscalização sobre abusos trabalhistas.
Por outro lado, a Emenda nº 1 à PEC 221/19, apresentada pelo deputado Sérgio Turra e assinada por outros 175 parlamentares, propõe um prazo de até 10 anos para implementação das mudanças, além de ampliar mecanismos de flexibilização das jornadas. O texto prevê expansão do banco de horas, alterações em intervalos de descanso, fortalecimento de acordos individuais e manutenção de jornadas maiores em determinadas atividades consideradas essenciais.


Críticos da proposta afirmam que a emenda esvazia o objetivo original da PEC, ao permitir ampla flexibilização das regras trabalhistas sem enfrentar diretamente a sobrecarga enfrentada pelo trabalhador brasileiro.
O debate, portanto, não se resume à redução da jornada. Trata-se de discutir qual modelo de país o Brasil deseja construir: um país sustentado pelo esgotamento permanente de sua força de trabalho ou uma sociedade que compreenda que desenvolvimento econômico e dignidade humana não são ideias incompatíveis.