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Brasil
Banco Central relatou irregularidades graves no Banco Master antes da liquidação, envolvendo créditos inexistentes, operações sem lastro e indícios de reciclagem de recursos
9 de janeiro de 2026
Osvaldo Sato
O Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União as graves irregularidades identificadas no Banco Master, hoje em liquidação extrajudicial, incluindo créditos inexistentes, operações sem lastro e indícios de reciclagem de recursos por meio de estruturas financeiras complexas. As conclusões constam de nota técnica enviada à Corte, que também foi compartilhada com o Ministério Público Federal.
Segundo o BC, foram feitas três comunicações formais ao MPF com indícios de crimes praticados pela instituição controlada por Daniel Vorcaro. As apurações ocorreram antes e após a decretação da liquidação.
O primeiro caso envolve a cessão de créditos inexistentes ao BRB (Banco de Brasília), identificada no primeiro semestre de 2025. Para o Banco Central, a operação configura crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Investigações apontaram a existência de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro, além do uso de documentos falsos apresentados ao regulador. O então presidente do BRB afirmou que cerca de R$ 2 bilhões ainda não haviam sido recuperados.
O segundo comunicado trata de R$ 11,5 bilhões em operações realizadas entre 2023 e 2024, sem garantias adequadas. Pessoas a par das investigações informaram que parte dessas operações envolve fundos sob apuração, alguns deles citados em investigações que analisam possíveis esquemas de lavagem de dinheiro por meio do sistema financeiro.
A gestora Reag Capital, mencionada em apurações conduzidas pela Polícia Federal, nega qualquer vínculo com organizações criminosas e afirma que não há documentos oficiais que comprovem associação ilícita. O Banco Central não detalhou, na nota enviada ao TCU, os nomes dos fundos envolvidos.
Entretanto, segundo reportagem do O Tempo, o BC identificou seis fundos mapeados, que também aparecem nas investigações que miram a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal, de acordo com cruzamento de dados feito pela reportagem.
Da lista dos nomes dos fundos, à qual a reportagem teve acesso, constam: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. Juntos, eles têm um patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões, de acordo com os dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Na resposta ao TCU, o Banco Central afirmou que a liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada após o esgotamento de alternativas, como monitoramento reforçado, exigências para recomposição de liquidez e tentativas de apoio via Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O documento, assinado por diretores das áreas de Fiscalização e de Resolução do BC, sustenta que a decisão foi unânime e necessária para preservar a estabilidade do sistema financeiro e proteger a poupança dos depositantes.
Polícia
A apuração segue com pendências do Instituto Nacional de Criminalística; Polícia Federal já determinou inquérito.
26 de julho de 2026
A Receita Federal informou que ainda aguarda um segundo parecer do Instituto Nacional de Criminalística (INC) para decidir sobre a liberação de toras de madeira apreendidas em Corumbá, em junho, no âmbito da Operação Timber Shield. Segundo o órgão, a investigação não foi concluída e a carga permanece retida, com veículos já liberados e sem prisões.
De acordo com a Receita Federal em Mato Grosso do Sul, permanecem pendentes laudos periciais do INC. A Polícia Federal também determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal (MPF) e à Receita.
O órgão afirmou que a retenção tem natureza cautelar e que a carga permanecerá sob guarda até a conclusão dos trabalhos. A Receita disse ainda que caminhões foram liberados e que não houve prisões.
A apreensão ocorreu em 21 de junho, em Corumbá, durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e forças de segurança bolivianas e dos Estados Unidos. Foram registradas oito carretas, quatro em Corumbá e outras quatro em Cáceres, totalizando 260 toneladas de madeira.
Na divulgação feita à época, a Receita Federal estimou a possível existência de entre 20 toneladas e 50 toneladas de cocaína líquida impregnada na madeira.
A Polícia Federal concluiu, na semana passada, a análise de fragmentos coletados em Corumbá e informou que não foi encontrada nenhuma substância relacionada a entorpecentes nas quatro carretas retidas. O laudo teria sido produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul e finalizado em 17 de julho.
A Receita Federal declarou que a liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e de procedimentos que ainda estão pendentes, além da verificação de que não há outras irregularidades que impeçam o prosseguimento da operação aduaneira.
O órgão informou que Receita Federal, Polícia Federal e MPF realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição.
Representadas pelo advogado Leandro Lobo, as defesas de transportadoras e importadoras apontam o custo da armazenagem como responsabilidade das empresas. A Receita Federal afirmou que eventual pedido de ressarcimento poderia ser apresentado pelos meios administrativos próprios, sujeito à análise do caso concreto e à comprovação de valores e prejuízos, sem reconhecimento automático.
Segundo o advogado Leandro Lobo, que representa duas transportadoras e quatro importadoras de Mato Grosso do Sul, a intenção é que a carga seja liberada o mais rápido possível para ser entregue ao comprador.
Polícia
Segundo a polícia, helicóptero foi visto em baixa altitude, sem plano de voo e com transponder desligado.
26 de julho de 2026
Dois homens, de 36 e 63 anos, foram presos neste sábado (25) após uma perseguição aérea na zona rural de Anhanduí, distrito de Campo Grande. Com eles, foram apreendidos 345,8 quilos de cocaína que, segundo os suspeitos, seriam levados para São Paulo.
A ação foi realizada por policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), com apoio da Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo (CGPA).
Conforme o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), a operação começou durante um patrulhamento na zona rural de Maracaju. Os policiais avistaram um helicóptero voando em baixa altitude, vindo da região de fronteira.
A aeronave Harpia, do DOF, foi acionada e localizou o helicóptero. Durante a perseguição, os policiais usaram uma câmera de alta resolução para identificar o prefixo da aeronave.
Em consulta aos órgãos de controle da aviação, os agentes constataram que o helicóptero estava com o transponder desligado e não tinha plano de voo registrado.
Ao perceber a aproximação da equipe policial, os ocupantes fizeram manobras para tentar escapar. No entanto, pousaram em uma fazenda em Anhanduí e foram presos.
Prefixo da aeronave estava adulterado
Durante a abordagem, os policiais descobriram que o prefixo do helicóptero havia sido adulterado com um adesivo para esconder a identificação verdadeira.
Na aeronave, foram apreendidos:
- 191,6 quilos de cloridrato de cocaína;
- 154,2 quilos de pasta-base de cocaína;
- sete celulares;
- um tablet;
- uma antena de internet via satélite Starlink;
- dinheiro em espécie.
De acordo com o DOF, a quantidade total de droga apreendida foi de 345,8 quilos.
Droga seria levada para São Paulo
Aos policiais, os dois pilotos disseram que foram contratados para transportar a carga de Bela Vista até o interior de São Paulo.
Segundo os pilotos, a aeronave foi carregada por homens armados em uma propriedade próxima à fronteira com o Paraguai.
Os suspeitos, o helicóptero e o material apreendido foram levados para a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), em Dourados.
g1 MS