segunda, 27 de julho, 2026
(67) 99983-4015
Com apreensão recorde na quarta-feira (21), em apenas 21 dias de janeiro deste ano, o número de “mulas” do tráfico presas em Mato Grosso do Sul já representa 42% de todos os 58 casos registrados ao longo de 2024.
Ao todo, 23 cidadãos bolivianos foram flagrados transportando cocaína ou derivados no estômago ou em mochilas, usando o transporte rodoviário como rota até São Paulo. A chamada “rota dos engolidores” sai da Bolívia, atravessa MS e segue para SP, explorando o corpo de quem tem muito pouco a perder.
Delegada da Receita Federal em Corumbá, Tatiane Suhogusoff afirma que a ação realizada ontem na fronteira, com a prisão de 18 pessoas, representa um recorde histórico em todo o país, e não apenas na Alfândega de Corumbá. “Para dimensionar a evolução desse fenômeno criminoso: em todo o ano de 2024, foram registrados 58 casos de ‘engolidores’ na região; apenas em 2025, já foram contabilizados 23 casos até o momento”, disse.
Apesar dos números expressivos, a delegada pondera que ainda não é possível falar em explosão de casos. “O que posso afirmar é que houve um aprimoramento significativo nas técnicas de fiscalização e na integração entre os órgãos de segurança”, afirma, citando investimentos em cães farejadores e a intensificação do monitoramento de ônibus irregulares.
Para ela, é provável que dois fatores estejam atuando simultaneamente: “um aumento real na utilização desse método criminoso e, ao mesmo tempo, uma maior capacidade de detecção por parte das autoridades”. A ação de quarta-feira envolveu, além da Receita Federal, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Marinha do Brasil, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Polícia Rodoviária Estadual e Polícia Militar.
Perfil – Bolivianos pobres, em situação de vulnerabilidade e que vivem em condições precárias são o principal alvo dos aliciadores. Segundo a delegada, “esse tipo de esquema costuma explorar pessoas em situação de fragilidade, oferecendo quantias que podem parecer significativas para quem está em extrema necessidade, mas que representam uma fração ínfima do valor final da droga”.
Sobre a ausência de brasileiros utilizados como engolidores, Suhogusoff avalia que moradores de Corumbá tendem a ser empregados em outras funções dentro da cadeia do tráfico e elenca três fatores para a priorização de cidadãos bolivianos: maior vulnerabilidade econômica, logística já estabelecida do lado boliviano e menor consciência sobre a severidade das leis brasileiras e as consequências penais.
Por fim, ela destaca a importância da cooperação internacional nessas ações, com “tratativas sobre investigações criminosas, identificação e responsabilização de agenciadores e desarticulação de redes”, realizadas em conjunto com a Polícia Federal.
Na operação de quarta-feira, dos 18 presos, 17 haviam engolido cápsulas de droga. Cada um ingeriu aproximadamente 100 cápsulas, totalizando cerca de 1,1 quilo por pessoa. Os 17 bolivianos, 14 homens e três mulheres, permanecerão sob custódia da Receita Federal no Pronto-Socorro Municipal por um período de um a três dias, até a completa eliminação das cápsulas. Após o procedimento, todos serão encaminhados à Polícia Federal para as providências legais.
Paralelamente às apreensões de entorpecentes, o Ministério da Agricultura reteve cerca de duas toneladas de produtos de origem animal e vegetal transportados sem a documentação sanitária obrigatória, configurando mais uma frente de combate ao contrabando e às irregularidades no transporte interestadual.
CGNEWS
Polícia
A apuração segue com pendências do Instituto Nacional de Criminalística; Polícia Federal já determinou inquérito.
26 de julho de 2026
A Receita Federal informou que ainda aguarda um segundo parecer do Instituto Nacional de Criminalística (INC) para decidir sobre a liberação de toras de madeira apreendidas em Corumbá, em junho, no âmbito da Operação Timber Shield. Segundo o órgão, a investigação não foi concluída e a carga permanece retida, com veículos já liberados e sem prisões.
De acordo com a Receita Federal em Mato Grosso do Sul, permanecem pendentes laudos periciais do INC. A Polícia Federal também determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal (MPF) e à Receita.
O órgão afirmou que a retenção tem natureza cautelar e que a carga permanecerá sob guarda até a conclusão dos trabalhos. A Receita disse ainda que caminhões foram liberados e que não houve prisões.
A apreensão ocorreu em 21 de junho, em Corumbá, durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e forças de segurança bolivianas e dos Estados Unidos. Foram registradas oito carretas, quatro em Corumbá e outras quatro em Cáceres, totalizando 260 toneladas de madeira.
Na divulgação feita à época, a Receita Federal estimou a possível existência de entre 20 toneladas e 50 toneladas de cocaína líquida impregnada na madeira.
A Polícia Federal concluiu, na semana passada, a análise de fragmentos coletados em Corumbá e informou que não foi encontrada nenhuma substância relacionada a entorpecentes nas quatro carretas retidas. O laudo teria sido produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul e finalizado em 17 de julho.
A Receita Federal declarou que a liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e de procedimentos que ainda estão pendentes, além da verificação de que não há outras irregularidades que impeçam o prosseguimento da operação aduaneira.
O órgão informou que Receita Federal, Polícia Federal e MPF realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição.
Representadas pelo advogado Leandro Lobo, as defesas de transportadoras e importadoras apontam o custo da armazenagem como responsabilidade das empresas. A Receita Federal afirmou que eventual pedido de ressarcimento poderia ser apresentado pelos meios administrativos próprios, sujeito à análise do caso concreto e à comprovação de valores e prejuízos, sem reconhecimento automático.
Segundo o advogado Leandro Lobo, que representa duas transportadoras e quatro importadoras de Mato Grosso do Sul, a intenção é que a carga seja liberada o mais rápido possível para ser entregue ao comprador.
Polícia
Segundo a polícia, helicóptero foi visto em baixa altitude, sem plano de voo e com transponder desligado.
26 de julho de 2026
Dois homens, de 36 e 63 anos, foram presos neste sábado (25) após uma perseguição aérea na zona rural de Anhanduí, distrito de Campo Grande. Com eles, foram apreendidos 345,8 quilos de cocaína que, segundo os suspeitos, seriam levados para São Paulo.
A ação foi realizada por policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), com apoio da Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo (CGPA).
Conforme o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), a operação começou durante um patrulhamento na zona rural de Maracaju. Os policiais avistaram um helicóptero voando em baixa altitude, vindo da região de fronteira.
A aeronave Harpia, do DOF, foi acionada e localizou o helicóptero. Durante a perseguição, os policiais usaram uma câmera de alta resolução para identificar o prefixo da aeronave.
Em consulta aos órgãos de controle da aviação, os agentes constataram que o helicóptero estava com o transponder desligado e não tinha plano de voo registrado.
Ao perceber a aproximação da equipe policial, os ocupantes fizeram manobras para tentar escapar. No entanto, pousaram em uma fazenda em Anhanduí e foram presos.
Prefixo da aeronave estava adulterado
Durante a abordagem, os policiais descobriram que o prefixo do helicóptero havia sido adulterado com um adesivo para esconder a identificação verdadeira.
Na aeronave, foram apreendidos:
- 191,6 quilos de cloridrato de cocaína;
- 154,2 quilos de pasta-base de cocaína;
- sete celulares;
- um tablet;
- uma antena de internet via satélite Starlink;
- dinheiro em espécie.
De acordo com o DOF, a quantidade total de droga apreendida foi de 345,8 quilos.
Droga seria levada para São Paulo
Aos policiais, os dois pilotos disseram que foram contratados para transportar a carga de Bela Vista até o interior de São Paulo.
Segundo os pilotos, a aeronave foi carregada por homens armados em uma propriedade próxima à fronteira com o Paraguai.
Os suspeitos, o helicóptero e o material apreendido foram levados para a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), em Dourados.
g1 MS