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Mercado mais firme exige planejamento para fase de alta do ciclo pecuário

Transição deve reduzir oferta de animais e sustentar valorização da arroba nos próximos anos.

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25 de fevereiro de 2026

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do Idest, com informações da Famasul

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Com a transição do ciclo pecuário saindo da fase de baixa e avançando para a fase de alta, produtores rurais precisam se preparar para a redução gradual da oferta de animais e para a valorização da arroba. Planejamento produtivo, decisões estratégicas e investimentos em eficiência são apontados como medidas essenciais para aproveitar oportunidades e reduzir riscos.

A mudança ocorre de forma gradual e está condicionada ao chamado “tempo biológico” da atividade, que impõe defasagens entre as decisões tomadas no presente e seus efeitos sobre a oferta futura de animais.

Segundo o consultor em pecuária do Departamento Técnico da Famasul, Diego Guidolin, 2026 deve ser interpretado como um ano de consolidação desse novo momento. “A expectativa é de um mercado mais firme, com preços sustentados e viés de alta, mas ainda sem movimentos abruptos. Trata-se de um ano de transição avançada, em que os preços já refletem expectativas futuras, embora o pico do ciclo ainda não tenha sido plenamente atingido”, explica.

Oferta mais restrita e valorização da arroba

Do ponto de vista da oferta, o reflexo do abate intensivo de fêmeas começa a se tornar mais evidente, sobretudo na segunda metade do ano. Mesmo com o avanço da retenção de matrizes, o impacto sobre a disponibilidade de animais ainda será limitado em 2026, resultando em menor oferta para reposição e início de redução mais perceptível no volume de bovinos para abate.

Com a perspectiva de restrição, o mercado aponta para maior sustentação e valorização da arroba do boi. Ao mesmo tempo, a escassez relativa de bezerros tende a manter os preços dos animais de reposição em patamares elevados, pressionando as margens de recriadores e terminadores no curto prazo.

“O custo de entrada sobe antes da plena valorização do boi gordo. Por isso, a leitura correta do mercado e o planejamento das operações de compra e venda tornam-se ainda mais estratégicos nesse momento”, destaca Guidolin.

Nesse cenário, 2026 funciona como período de preparação para um possível pico do ciclo nos anos seguintes, especialmente em 2027, quando a restrição de oferta tende a se intensificar de forma mais clara.

Decisões dentro da porteira

A nova fase do ciclo influencia diretamente as decisões dentro da propriedade. A tendência é de maior retenção de fêmeas, recomposição gradual do rebanho e estímulo à intensificação dos sistemas produtivos, especialmente em propriedades que buscam ampliar eficiência e produtividade.

No campo da genética, o investimento não responde de forma homogênea ao ciclo. Em sistemas com programas formais de seleção, o melhoramento segue lógica de longo prazo. “Interromper ou intensificar decisões genéticas em função do mercado compromete a consistência do programa. Nesses casos, o investimento tende a ser constante, independentemente da fase do ciclo”, ressalta o consultor.

Já em propriedades de cria que utilizam genética melhoradora, mas não realizam seleção própria, o momento favorável costuma estimular a ampliação da base de matrizes, aumentando o volume total investido.

Tecnologia, manejo e gestão de risco

Os investimentos mais sensíveis na fase de alta estão ligados à estrutura produtiva e ao manejo. Com maior previsibilidade de receita, produtores tendem a direcionar recursos para reforma e intensificação de pastagens, melhoria das instalações, aquisição de máquinas e fortalecimento do controle zootécnico.

No entanto, do ponto de vista estratégico, o ideal é que esses investimentos sejam realizados ainda na fase de baixa, quando os custos relativos são menores e há maior margem para ajustes estruturais. Quem não se preparou antecipadamente pode enfrentar limitações produtivas justamente no momento de maior oportunidade de margem.

Nos sistemas de recria e engorda, a adoção de tecnologia ocorre como estratégia de eficiência. “A valorização dos animais de reposição pressiona as margens e estimula investimentos voltados à redução da idade ao abate, ao uso mais preciso da suplementação e à melhoria da gestão econômica, não como expansão, mas como mitigação de risco”, afirma Guidolin.

Em determinadas realidades produtivas, especialmente na recria, outra alternativa é a ampliação gradual do estoque de animais. A aquisição escalonada de diferentes idades pode equilibrar fluxo de caixa e exposição ao ciclo, combinando lotes de giro rápido com categorias mais jovens voltadas à valorização futura.

Essa decisão, contudo, exige capital de giro adequado, planejamento forrageiro compatível e gestão criteriosa de risco. A ampliação de estoque sem base estrutural sólida pode aumentar a vulnerabilidade produtiva e financeira.

Mais do que responder a preços favoráveis, a fase de alta do ciclo pecuário exige decisões estruturantes. O planejamento realizado em 2026 terá impacto direto sobre a capacidade do produtor de capturar ganhos nos próximos anos e de atravessar, com menor vulnerabilidade, a futura fase de baixa.

Em um mercado mais firme, mas ainda em consolidação, a combinação entre leitura de mercado, gestão eficiente e decisões técnicas fundamentadas será determinante para a sustentabilidade da atividade no médio e longo prazo.

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Detran-MS prorroga vencimento de licenciamento até 29 de julho após ataque hacker

O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) confirmou, na tarde desta sexta-feira (17), a prorrogação do prazo para o licenciamento anual de...

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20 de julho de 2026

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O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) confirmou, na tarde desta sexta-feira (17), a prorrogação do prazo para o licenciamento anual de veículos com placas de finais 1, 2 e 3 até 29 de julho e anunciou um pacote de medidas emergenciais para reduzir os impactos da indisponibilidade na integração de dados com a Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), provocada por tentativas de ataques cibernéticos.

Além da ampliação do prazo para o licenciamento, o órgão informou que uma portaria prevista para ser publicada na próxima terça-feira (21) estabelecerá regras temporárias para vistorias, registro de veículos, cobrança de diárias em pátios e regularização do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). As medidas serão formalizadas por meio da Portaria "N" nº 212/2026 e terão validade entre os dias 8 e 29 de julho.

Conforme noticiado mais cedo, o Detran de Mato Grosso do Sul sofreu, pelo menos, duas tentativas de invasão hacker entre o fim de junho e o início deste mês. O ataque comprometeu a comunicação entre os sistemas do órgão e da Sefaz após o acionamento de mecanismos de segurança, o que impediu a consulta detalhada aos débitos de IPVA dos veículos registrados no Estado.

Sem acesso a essas informações, diversos serviços passaram a ficar impedidos de ser concluídos, já que a legislação exige a verificação da regularidade tributária antes da emissão de documentos e da finalização de procedimentos administrativos.

O prazo para o licenciamento dos veículos com placas terminadas em 1, 2 e 3 venceria originalmente em 30 de junho. Após a primeira tentativa de invasão, ele foi prorrogado para 17 de julho. Agora, com a manutenção da instabilidade, os proprietários terão até 29 de julho para regularizar a situação.

Segundo o Detran, a escolha da data buscou evitar coincidência com o vencimento do licenciamento dos veículos de placas finais 4, 5 e 6 previsto para 31 de julho, reduzindo o risco de sobrecarga nos sistemas.

O órgão apontou que a nova portaria também disciplinará situações que passaram a gerar dúvidas desde o início da instabilidade. O texto trará regras específicas sobre a validade dos laudos de vistoria, os prazos para registro de veículos, a cobrança de diárias de veículos recolhidos em pátios e os procedimentos para proprietários com débitos de IPVA.

No caso do IPVA, o Detran orienta que a regularização seja feita diretamente junto à Sefaz enquanto persistirem as dificuldades de integração entre os sistemas. Mesmo assim, a conclusão de qualquer serviço pelo departamento continuará condicionada à confirmação de que não existem pendências tributárias após o processamento das informações pelos sistemas oficiais.

O órgão ressalta que as medidas têm caráter excepcional e temporário e não alteram as exigências previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Segundo o Detran, o objetivo é garantir a continuidade dos serviços públicos e evitar prejuízos aos usuários enquanto perdurar a instabilidade provocada pelos mecanismos de proteção contra ataques cibernéticos.

Apesar de antecipar os temas que serão regulamentados, o departamento ainda não detalhou quais serão as novas regras para laudos de vistoria, registros de veículos e diárias de pátio. Essas informações deverão constar na íntegra da Portaria "N" nº 212/2026, que será publicada no Diário Oficial do Estado na próxima terça-feira.

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Pecuária de MS mantém força em 2026 com mais de 2 milhões de bovinos abatidos no semestre

Boletim da Famasul aponta estabilidade nos abates, exportações em alta e valorização dos animais de reposição, apesar do recuo da arroba em junho.

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A pecuária de Mato Grosso do Sul manteve um ritmo forte de produção no primeiro semestre de 2026. De acordo com a edição de julho do Boletim SIGABOV, elaborado pelo Departamento Técnico (DETEC) do Sistema Famasul, o Estado registrou o abate de 2,08 milhões de bovinos nos seis primeiros meses do ano. O volume ficou apenas 1% abaixo do recorde registrado no mesmo período de 2025 e 10% acima da média dos últimos cinco anos, reforçando o bom desempenho da cadeia produtiva.

Exportações sustentam o mercado

Segundo o consultor técnico em pecuária do Senar/MS, Diego Guidolin, apesar de o volume de abates permanecer próximo ao recorde de 2025, a composição dos animais abatidos começou a apresentar mudanças. Em junho, houve maior participação de machos, principalmente entre 13 e 24 meses, enquanto a participação de fêmeas diminuiu em relação ao acumulado do ano.

Para o técnico, esse comportamento reflete uma oferta consistente de animais terminados em um cenário de demanda firme por carne bovina.

"Esse comportamento indica uma oferta consistente de animais terminados, em um cenário de demanda firme por carne bovina. As exportações continuam em ritmo elevado, com junho registrando o maior volume embarcado do ano para Mato Grosso do Sul, o que contribui para manter o bom desempenho da cadeia pecuária no Estado", analisa Guidolin.

Reposição segue valorizada

O boletim também mostra que o mercado de reposição continua aquecido. Mesmo com acomodação nos preços em relação ao mês anterior, os animais permanecem mais valorizados na comparação com junho de 2025.

O preço do quilo do bezerro acumula alta de 16% em um ano, enquanto o da bezerra avançou 19%. Garrote, boi magro, novilha e vaca magra também registraram valorização no período.

Segundo a análise técnica, a melhora da relação de troca entre boi gordo e bezerro favoreceu a reposição dos rebanhos, sustentando a demanda pelos animais. Ao mesmo tempo, a menor oferta de bezerros no Estado mantém os preços em patamares historicamente elevados, com valorização superior à inflação nos últimos 12 meses.

Arroba recua, mas permanece acima de 2025

A arroba do boi gordo registrou queda de 2% em junho na comparação com maio. Apesar disso, o preço médio permaneceu 10% superior ao registrado em junho do ano passado e segue entre os maiores valores nominais da série histórica de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o boletim, fatores ligados ao mercado internacional, como a proximidade do preenchimento da cota tarifária chinesa, contribuíram para pressionar as cotações ao longo do mês.

Outro indicador acompanhado pelo SIGABOV é a escala de abate, que permaneceu relativamente curta durante junho, fator que influencia diretamente a formação dos preços pagos ao produtor.