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Infâncias interrompidas: o retrato invisível das meninas que crescem antes da hora no Brasil

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10 de novembro de 2025

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Glenda Melo / Diário do Estado

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Os números mais recentes sobre a realidade das crianças brasileiras revelam um cenário preocupante: milhares de meninas vivem em uniões conjugais ainda na infância. O dado, que chama atenção pelo impacto social e humano, expõe uma ferida antiga do país a desigualdade que transforma meninas em mulheres antes do tempo.

Embora a legislação brasileira proíba o casamento de menores de 16 anos, o cotidiano em várias regiões ainda mostra o contrário. Em comunidades marcadas pela pobreza, pela ausência de políticas públicas e pela violência doméstica, a infância cede lugar às responsabilidades adultas.

“Quando a sobrevivência é prioridade, o brincar vira luxo”, resume a psicóloga e pesquisadora Rafaela Schiavo, especialista em desenvolvimento infantil. Segundo ela, o fenômeno reflete não apenas carência material, mas também a falta de amparo emocional e estrutural das famílias.

Em muitos lares, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, meninas de 10 a 14 anos assumem papéis de cuidadoras e donas de casa. Cuidam de irmãos, preparam refeições e ajudam a sustentar o lar responsabilidades que deveriam caber a adultos.

“Essas crianças não escolhem amadurecer cedo. Elas apenas reagem ao ambiente em que vivem”, explica Rafaela. “A infância delas é interrompida não por decisão, mas por necessidade.”

A psicóloga destaca que a desigualdade social cria infâncias completamente diferentes dentro do mesmo país. Enquanto algumas crianças têm acesso à escola, lazer e proteção, outras convivem com a falta de oportunidades e a ausência de uma rede de apoio.

As uniões infantis, segundo especialistas, são um sintoma extremo da vulnerabilidade social. Elas surgem, muitas vezes, como tentativa de escapar de uma realidade marcada por negligência, abuso ou pobreza.

“Quando o lar é um espaço de violência, a ideia de uma união pode parecer uma saída”, comenta Rafaela. “Mas o que deveria ser proteção acaba se transformando em outra forma de sofrimento.”

A falta de maturidade emocional e cognitiva faz com que essas meninas entrem em relações desiguais, nas quais não têm voz nem autonomia. O resultado costuma ser abandono escolar, gravidez precoce e dependência financeira  um ciclo que perpetua a exclusão social.

Romper esse ciclo, apontam os especialistas, exige mais do que leis: é preciso educação e acompanhamento familiar. Programas que orientem pais e cuidadores sobre desenvolvimento infantil, convivência e limites são fundamentais para garantir que a infância seja vivida como deve ser.

“Não adianta atuar apenas quando a criança já está em situação de risco. É necessário um trabalho preventivo e contínuo com as famílias”, defende Rafaela. “Cuidar da infância é, antes de tudo, cuidar dos adultos que educam essas crianças.”

A especialista acredita que investir em parentalidade  o aprendizado de como cuidar, educar e proteger é uma das formas mais eficazes de transformar o futuro.

A realidade das uniões precoces revela muito mais do que estatísticas: ela fala de infâncias roubadas, sonhos interrompidos e futuro comprometido.

Enquanto parte do país avança em direitos e oportunidades, outra parte segue invisível, sobrevivendo entre o abandono e a desigualdade.

Garantir que todas as crianças possam brincar, estudar e crescer sem pressa é mais do que um ideal é um dever coletivo.

“Cuidar da infância é investir no futuro de um país inteiro. E o Brasil ainda precisa aprender essa lição”, conclui Rafaela Schiavo.

 

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Mais de 27 mil pessoas deixaram programa Mais Social por melhorar condição de vida

Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...

Mais de 27 mil pessoas deixaram programa Mais Social por melhorar condição de vida

3 de junho de 2026

Mais de 27 mil pessoas deixaram programa Mais Social por melhorar condição de vida

 

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Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.

O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.

Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.

Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.

Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.

“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.

O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.

O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.

Qualidade de vida

Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.

Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.

Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.

Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.

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Menino de 3 anos é internado em estado grave após se afogar em piscina em

Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...

Menino de 3 anos é internado em estado grave após se afogar em piscina em

3 de junho de 2026

Menino de 3 anos é internado em estado grave após se afogar em piscina em

 

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Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2). 

Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha. 

Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.

A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande. 

De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação. 

A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família. 

O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico. 

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.

G1 MS