quinta, 04 de junho, 2026
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A violência contra a mulher ainda é um dos problemas sociais mais graves e persistentes do mundo. Presente entre diferentes idades, raças e classes sociais, ela é resultado de estruturas patriarcais que ainda sustentam relações de desigualdade e opressão. Essa violência assume diversas formas, do estupro à violência psicológica, da agressão física à negligência, e exige enfrentamento urgente.
Dados do Atlas da Violência 2026, publicado em 26 de maio pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostram que mulheres são vítimas de diferentes tipos de violência ao longo de toda a vida. Nem todos os casos terminam em feminicídio, mas deixam marcas emocionais profundas. É um ciclo contínuo, que se inicia ainda na infância e se prolonga até a velhice. O tempo passa, as formas de violência mudam, mas a violação de direitos — e liberdade — é contínua.
Para a elaboração do documento, foram analisados os dados de 2024 do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), principal instrumento da vigilância em saúde para o registro de violências atendidas nos serviços de saúde.
A análise por faixa etária revela características específicas da violência em cada etapa da vida. Entre meninas de 0 a 9 anos, o tipo mais comum é a negligência, que corresponde a 51,9% dos casos registrados no Brasil. Entre mulheres com mais de 70 anos, esse também é o tipo de violência predominante, evidenciando como o abandono e a omissão de cuidados atingem fases extremas da vida feminina.
Negligência
Segundo a psicóloga Emilia Luna, especialista em neurodivergência, comportamento infantil e atendimento de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, a negligência é toda forma de omissão capaz de gerar danos ao outro.
“Negligência é observar os acontecimentos e os prejuízos, sem fazer nada para impedir que continuem acontecendo. E, além dos prejuízos claros, a negligência causa prejuízo na autoimagem do indivíduo. A criança/adolescente passa a pensar que ela não tem importância nenhuma, já que ninguém a protege.”
A especialista destaca que esse tipo de violência pode ocorrer de diferentes maneiras, como deixar de denunciar situações de violência, não garantir tratamento médico adequado, negligenciar a administração de medicamentos ou ignorar o desenvolvimento escolar e emocional de crianças e adolescentes.
Sofrer esse tipo de violência em uma fase tão crucial para o desenvolvimento pode acarretar dificuldades de regulação emocional, baixa autoestima, relacionamentos instáveis e maior propensão à depressão e ansiedade na fase adulta.
“Crianças de 0 a 10 anos, são crianças que estão guardadas em suas famílias. Ou seja, a violência só sai desses lugares se alguém de fora perceber ou se dentro da família houver pequenas rupturas. Então as violências cometidas contra crianças de 0 a 10 anos são muito menos notificadas”, explica Estela Márcia Rondia Scandola, professora e pesquisadora em gênero e geração com ênfase em diversidades, democracia e participação nas políticas sociais; crianças e adolescentes e povos indígenas; e investigações quali-quantitativas em saúde.
“A interlocução dessas crianças com a sociedade ocorre a partir da família, do núcleo familiar. E aí, quando essa criança começa a ir para a escola, você terá outros interlocutores na detecção de violências e isso é muito importante”, acrescenta.
Entre pessoas idosas, a negligência também ocorre de forma alarmante. A violência inclui a recusa ou omissão de cuidados básicos por parte de familiares, responsáveis ou instituições. Falta de higiene, ausência de assistência médica, abandono emocional, moradia inadequada e isolamento social são algumas das formas mais recorrentes desse tipo de violência, que compromete diretamente a dignidade, a saúde e a qualidade de vida das vítimas.
Violência sexual
Se nos extremos da vida a mulher sofre com a negligência, na pré-adolescência, o crime contra sua dignidade é outro. Segundo o Atlas, 45,5% das violências reportadas por meninas de 10 a 14 anos são sexuais. O dado por si só é bastante preocupante, mas há, ainda, outra característica alarmante: um número significativo dos agressores são familiares das vítimas e cometem os crimes dentro das próprias residências.
Nesta fase da vida, a adolescente se encontra em um período de transformações físicas, emocionais e psicológicas. É quando começa a descobrir sua identidade, seus desejos e as mudanças do próprio corpo. Essa vulnerabilidade pode ser explorada por agressores, que se aproveitam da manipulação emocional, da confiança e da relação de poder para transformá-las em possíveis vítimas de abuso e violência.
“Nessa idade, falamos da pré-adolescência e adolescência, momento em que a criança começa a vivenciar o mundo externo, mais distante da família, começa a procura por pertencimentos a grupos. Também é o momento em que a sexualidade começa a ficar mais em evidência. A independência já existe com mais visibilidade. Tudo isso torna esse adolescente mais vulnerável às vitimizações”, explica Emília.
Consequências da violência
Segundo Estela, as violações dos direitos sexuais de crianças e adolescentes podem assumir diversas formas. Elas incluem desde a não aceitação da diversidade sexual até a erotização precoce da infância e a comercialização de produtos que sexualizam essa população. Independentemente da forma que assumam, essas violências geram impactos profundos.
A especialista explica que uma das primeiras consequências dessas violações é a ruptura da confiança da criança ou do adolescente em relação aos adultos. Quando quem deveria proteger é responsável pela violência ou falha em protegê-los, instala-se uma ferida emocional que pode limitar a capacidade de confiar em outras pessoas ao longo da vida.
“Quando um adulto violenta uma criança em suas diferentes formas, a criança vai ter essa marca pra resolver durante toda a sua vida, mas com diferentes percepções. Porque senão, também, a gente vai achar que uma criança violentada nunca mais vai ser feliz, não é verdade. Por isso que a gente precisa de atenção psicossocial da mais alta qualidade.”
Estela destaca a necessidade de fortalecer os serviços de saúde mental voltados à infância e à adolescência, garantindo que crianças vítimas de violência recebam acompanhamento adequado, reconstruam suas relações e deem novos significados à experiência vivida.
“Ressignificar suas relações, não significa perdoar. Elas vão ressignificar quem é aquela pessoa adulta que a violentou. Então a gente precisa de atendimento integral, mas também que essas crianças encontrem outras e passem a desenvolver atividades que mostrem que elas podem ser felizes. A sexualidade precisa ser segura e cuidada.”
Atentos aos sinais
Por isso, é fundamental que a família e a sociedade estejam atentas a possíveis sinais de violência. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, silêncio excessivo, alteração de hábitos, queda no rendimento escolar e demonstrações de medo ou insegurança podem ser importantes sinais de alerta e indicam a necessidade de acolhimento, escuta e acompanhamento.
“É importante o acompanhamento da família e oferecimento de boas referências, para que esse adolescente não procure referências externas, correndo o risco de serem inadequadas. Também o acompanhamento familiar, conhecendo os grupos em que esse adolescente está inserido. A família precisa oferecer a independência, mas de forma monitorada. O adolescente nessa faixa etária ainda não é capaz de avaliar situações de risco e vulnerabilidade, e os pais precisam estar atentos a isso. A rotina corrida dos pais pode favorecer essa negligência. Cuida-se da criança e, quando cresce um pouco, já se acredita que pode soltar, mas não é bem assim. O adolescente também precisa ser olhado”, pontua Emília.
Por fim, a psicóloga ressalta que, para garantir uma vida feliz para as mulheres, a sociedade precisa olhar todas as fases da vida com o cuidado de que elas necessitam. “Tanto meninos quanto meninas precisam ser vistos, cuidados e orientados. Precisam se sentir amados e protegidos. Meninos bem cuidados e orientados tratam as meninas com o mesmo cuidado. Meninas bem cuidadas e orientadas, com bons exemplos, conseguem diferenciar melhor o que é saudável e o que não é.”
Violência física
Na juventude e na fase adulta, especialmente quando as mulheres iniciam seus relacionamentos amorosos, a violência física aparece como uma das formas mais recorrentes de agressão. Entre os 15 e 69 anos, também se observa uma elevada incidência de violência múltipla, o que indica que diferentes tipos de agressão costumam acontecer simultaneamente.
Os índices de violência física são ainda maiores entre mulheres de 20 a 34 anos, faixa etária em que os registros desse tipo de agressão permanecem iguais ou superiores a 50%.
Novamente, os dados do relatório apontam que a maioria dos crimes é cometida por companheiros ou pessoas próximas às vítimas, dentro das próprias residências, concentrando 79,9% das ocorrências. Entre os casos com situação conjugal identificada, mulheres solteiras representam 37,5% das vítimas, enquanto as casadas correspondem a 31,2%.
Esse cenário também está diretamente relacionado ao perfil etário das vítimas, já que mais de um terço dos registros (34,1%) envolve meninas e adolescentes de 0 a 19 anos, que frequentemente sofrem violência dentro de casa, praticada por pais, padrastos ou outros familiares.
Midiamax
Geral
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos...
3 de junho de 2026
Desde 2023, mais de 27 mil sul-mato-grossenses saíram do programa Mais Social após melhorarem de vida sem necessitar mais do benefício. O Estado é o 5º com menos dependentes de programas sociais e os índicesde extrema pobreza aparecem em queda.
O Mais Social é um programa social estruturante da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humano (Sead), que oferece segurança alimentar e nutricional e um dos responsáveis pela mudança de vida dos beneficários.
Entre as 27,6 mil pessoas que devolveram o cartão do mais social por não precisarem mais do auxílio está Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, que entrou no programa em 2018.
Depois de perder o emprego e passar a trabalhar em casa como barbeiro, a renda obtida por Marcos Gabriel não era suficiente para sustentar a família de sete pessoas, composta por sua esposa, os quatro filhos e a sogra.
Com o auxílio ele pôde manter até conseguir melhorar a condição da família. Atualmente ele é vigilante em uma entidade sindical rural e os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos ajudam em casa, de modo que a renda agora é suficiente para garantir dignidade à família, sem necessidade do programa.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”.
O programa ainda oferece para mães solos um outro auxílio do Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, com o adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias, para que essas mulheres possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado durante o horário de serviço delas.
O benefício extra é mediante a comprovação de vínculo empregatício das mães ou de recolhimento previdenciário. Além disso, as mulheres beneficiadas que decidem frequentar ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem outro adicional de R$ 300 por mês, como incentivo.
Qualidade de vida
Além do Mais Social, outros programas garantem oportunidades de mudança de vida por meio do estudo e trabalho, como o MS Supera, que oferece bolsa de um salário mínimo mensal a estudantes de baixa renda cursantes de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas e privadas.
Assim como o MS Supera e o Mais Social, o Cadastro Único também demonstra a redução vulnerabilidade no Estado. Os registros do CadÚnico dentro do período de março de 2024 a março deste ano, teve a retirada de 44.604 pessoas do banco de dados devido a mudaça de vida para melhor.
Conforme o IBGE, a proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,7% em Mato Grosso do Sul, no período de dois anos, passando de 2,75 para 1,6%, colocando o estado como 3º menor índice de extrema pobreza do país e com 34 mil famílias fora da condição de insegurança alimentar.
Os programas sociais são parte de parcerias entre as secretarias do Estado, que garantem que a função de incentivo à educação e qualificação profissional seja mantida, para que os beneficiários aproveitem as oportunidades para melhorarem de vida.
Geral
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite...
3 de junho de 2026
Uma criança de 3 anos foi internada em estado grave após se afogar na piscina de uma residência no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, na noite de terça-feira (2).
Segundo informações registradas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, os pais perceberam o desaparecimento da criança enquanto realizavam atividades dentro de casa. O pai havia saído do banho e estava na sala, enquanto a mãe terminava de preparar o jantar na cozinha.
Em determinado momento, a mãe perguntou ao pai se ele estava com o menino. Ao responder que não, os dois passaram a procurar a criança e a encontraram submersa na piscina, no quintal da residência.
A vítima foi socorrida imediatamente pelos próprios pais e levada ao Hospital Regional de Campo Grande.
De acordo com o médico que atendeu a ocorrência, a avaliação inicial indica que a criança pode ter permanecido submersa por cerca de 10 minutos. O menino foi colocado em coma induzido e segue internado sob observação.
A Polícia Militar foi acionada e esteve na residência, mas encontrou o imóvel fechado, já que os pais permaneciam no hospital acompanhando o filho. Uma vizinha, que acionou o socorro, confirmou aos policiais a versão apresentada pela família.
O médico informou ainda que não foram encontrados sinais de maus-tratos e que, até o momento, o caso é tratado como um acidente doméstico.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), que acompanhará o caso. Até o fechamento do boletim, não havia atualização sobre o estado de saúde da criança.
G1 MS