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Da infância à velhice: abandono e falta de cuidado são as maiores violências contra mulher

Relatório mostra que o tempo passa, as formas de violência mudam, mas a violação de direitos é contínua

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31 de maio de 2026

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Midiamax

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A violência contra a mulher ainda é um dos problemas sociais mais graves e persistentes do mundo. Presente entre diferentes idades, raças e classes sociais, ela é resultado de estruturas patriarcais que ainda sustentam relações de desigualdade e opressão. Essa violência assume diversas formas, do estupro à violência psicológica, da agressão física à negligência, e exige enfrentamento urgente.

Dados do Atlas da Violência 2026, publicado em 26 de maio pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostram que mulheres são vítimas de diferentes tipos de violência ao longo de toda a vida. Nem todos os casos terminam em feminicídio, mas deixam marcas emocionais profundas. É um ciclo contínuo, que se inicia ainda na infância e se prolonga até a velhice. O tempo passa, as formas de violência mudam, mas a violação de direitos — e liberdade — é contínua.

Para a elaboração do documento, foram analisados os dados de 2024 do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), principal instrumento da vigilância em saúde para o registro de violências atendidas nos serviços de saúde.

A análise por faixa etária revela características específicas da violência em cada etapa da vida. Entre meninas de 0 a 9 anos, o tipo mais comum é a negligência, que corresponde a 51,9% dos casos registrados no Brasil. Entre mulheres com mais de 70 anos, esse também é o tipo de violência predominante, evidenciando como o abandono e a omissão de cuidados atingem fases extremas da vida feminina.

Negligência

Segundo a psicóloga Emilia Luna, especialista em neurodivergência, comportamento infantil e atendimento de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, a negligência é toda forma de omissão capaz de gerar danos ao outro.

“Negligência é observar os acontecimentos e os prejuízos, sem fazer nada para impedir que continuem acontecendo. E, além dos prejuízos claros, a negligência causa prejuízo na autoimagem do indivíduo. A criança/adolescente passa a pensar que ela não tem importância nenhuma, já que ninguém a protege.”

A especialista destaca que esse tipo de violência pode ocorrer de diferentes maneiras, como deixar de denunciar situações de violência, não garantir tratamento médico adequado, negligenciar a administração de medicamentos ou ignorar o desenvolvimento escolar e emocional de crianças e adolescentes.

Sofrer esse tipo de violência em uma fase tão crucial para o desenvolvimento pode acarretar dificuldades de regulação emocional, baixa autoestima, relacionamentos instáveis e maior propensão à depressão e ansiedade na fase adulta.

“Crianças de 0 a 10 anos, são crianças que estão guardadas em suas famílias. Ou seja, a violência só sai desses lugares se alguém de fora perceber ou se dentro da família houver pequenas rupturas. Então as violências cometidas contra crianças de 0 a 10 anos são muito menos notificadas”, explica Estela Márcia Rondia Scandola, professora e pesquisadora em gênero e geração com ênfase em diversidades, democracia e participação nas políticas sociais; crianças e adolescentes e povos indígenas; e investigações quali-quantitativas em saúde.

“A interlocução dessas crianças com a sociedade ocorre a partir da família, do núcleo familiar. E aí, quando essa criança começa a ir para a escola, você terá outros interlocutores na detecção de violências e isso é muito importante”, acrescenta.

Entre pessoas idosas, a negligência também ocorre de forma alarmante. A violência inclui a recusa ou omissão de cuidados básicos por parte de familiares, responsáveis ou instituições. Falta de higiene, ausência de assistência médica, abandono emocional, moradia inadequada e isolamento social são algumas das formas mais recorrentes desse tipo de violência, que compromete diretamente a dignidade, a saúde e a qualidade de vida das vítimas.

Violência sexual

Se nos extremos da vida a mulher sofre com a negligência, na pré-adolescência, o crime contra sua dignidade é outro. Segundo o Atlas, 45,5% das violências reportadas por meninas de 10 a 14 anos são sexuais. O dado por si só é bastante preocupante, mas há, ainda, outra característica alarmante: um número significativo dos agressores são familiares das vítimas e cometem os crimes dentro das próprias residências.

Nesta fase da vida, a adolescente se encontra em um período de transformações físicas, emocionais e psicológicas. É quando começa a descobrir sua identidade, seus desejos e as mudanças do próprio corpo. Essa vulnerabilidade pode ser explorada por agressores, que se aproveitam da manipulação emocional, da confiança e da relação de poder para transformá-las em possíveis vítimas de abuso e violência. 

“Nessa idade, falamos da pré-adolescência e adolescência, momento em que a criança começa a vivenciar o mundo externo, mais distante da família, começa a procura por pertencimentos a grupos. Também é o momento em que a sexualidade começa a ficar mais em evidência. A independência já existe com mais visibilidade. Tudo isso torna esse adolescente mais vulnerável às vitimizações”, explica Emília.

Consequências da violência

Segundo Estela, as violações dos direitos sexuais de crianças e adolescentes podem assumir diversas formas. Elas incluem desde a não aceitação da diversidade sexual até a erotização precoce da infância e a comercialização de produtos que sexualizam essa população. Independentemente da forma que assumam, essas violências geram impactos profundos.

A especialista explica que uma das primeiras consequências dessas violações é a ruptura da confiança da criança ou do adolescente em relação aos adultos. Quando quem deveria proteger é responsável pela violência ou falha em protegê-los, instala-se uma ferida emocional que pode limitar a capacidade de confiar em outras pessoas ao longo da vida.

“Quando um adulto violenta uma criança em suas diferentes formas, a criança vai ter essa marca pra resolver durante toda a sua vida, mas com diferentes percepções. Porque senão, também, a gente vai achar que uma criança violentada nunca mais vai ser feliz, não é verdade. Por isso que a gente precisa de atenção psicossocial da mais alta qualidade.”

Estela destaca a necessidade de fortalecer os serviços de saúde mental voltados à infância e à adolescência, garantindo que crianças vítimas de violência recebam acompanhamento adequado, reconstruam suas relações e deem novos significados à experiência vivida.

“Ressignificar suas relações, não significa perdoar. Elas vão ressignificar quem é aquela pessoa adulta que a violentou. Então a gente precisa de atendimento integral, mas também que essas crianças encontrem outras e passem a desenvolver atividades que mostrem que elas podem ser felizes. A sexualidade precisa ser segura e cuidada.”

Atentos aos sinais

Por isso, é fundamental que a família e a sociedade estejam atentas a possíveis sinais de violência. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, silêncio excessivo, alteração de hábitos, queda no rendimento escolar e demonstrações de medo ou insegurança podem ser importantes sinais de alerta e indicam a necessidade de acolhimento, escuta e acompanhamento.

“É importante o acompanhamento da família e oferecimento de boas referências, para que esse adolescente não procure referências externas, correndo o risco de serem inadequadas. Também o acompanhamento familiar, conhecendo os grupos em que esse adolescente está inserido. A família precisa oferecer a independência, mas de forma monitorada. O adolescente nessa faixa etária ainda não é capaz de avaliar situações de risco e vulnerabilidade, e os pais precisam estar atentos a isso. A rotina corrida dos pais pode favorecer essa negligência. Cuida-se da criança e, quando cresce um pouco, já se acredita que pode soltar, mas não é bem assim. O adolescente também precisa ser olhado”, pontua Emília.

Por fim, a psicóloga ressalta que, para garantir uma vida feliz para as mulheres, a sociedade precisa olhar todas as fases da vida com o cuidado de que elas necessitam. “Tanto meninos quanto meninas precisam ser vistos, cuidados e orientados. Precisam se sentir amados e protegidos. Meninos bem cuidados e orientados tratam as meninas com o mesmo cuidado. Meninas bem cuidadas e orientadas, com bons exemplos, conseguem diferenciar melhor o que é saudável e o que não é.”

Violência física

Na juventude e na fase adulta, especialmente quando as mulheres iniciam seus relacionamentos amorosos, a violência física aparece como uma das formas mais recorrentes de agressão. Entre os 15 e 69 anos, também se observa uma elevada incidência de violência múltipla, o que indica que diferentes tipos de agressão costumam acontecer simultaneamente.

Os índices de violência física são ainda maiores entre mulheres de 20 a 34 anos, faixa etária em que os registros desse tipo de agressão permanecem iguais ou superiores a 50%.

Novamente, os dados do relatório apontam que a maioria dos crimes é cometida por companheiros ou pessoas próximas às vítimas, dentro das próprias residências, concentrando 79,9% das ocorrências. Entre os casos com situação conjugal identificada, mulheres solteiras representam 37,5% das vítimas, enquanto as casadas correspondem a 31,2%.

Esse cenário também está diretamente relacionado ao perfil etário das vítimas, já que mais de um terço dos registros (34,1%) envolve meninas e adolescentes de 0 a 19 anos, que frequentemente sofrem violência dentro de casa, praticada por pais, padrastos ou outros familiares.

Midiamax

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Detran-MS prorroga vencimento de licenciamento até 29 de julho após ataque hacker

O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) confirmou, na tarde desta sexta-feira (17), a prorrogação do prazo para o licenciamento anual de...

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20 de julho de 2026

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O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) confirmou, na tarde desta sexta-feira (17), a prorrogação do prazo para o licenciamento anual de veículos com placas de finais 1, 2 e 3 até 29 de julho e anunciou um pacote de medidas emergenciais para reduzir os impactos da indisponibilidade na integração de dados com a Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), provocada por tentativas de ataques cibernéticos.

Além da ampliação do prazo para o licenciamento, o órgão informou que uma portaria prevista para ser publicada na próxima terça-feira (21) estabelecerá regras temporárias para vistorias, registro de veículos, cobrança de diárias em pátios e regularização do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). As medidas serão formalizadas por meio da Portaria "N" nº 212/2026 e terão validade entre os dias 8 e 29 de julho.

Conforme noticiado mais cedo, o Detran de Mato Grosso do Sul sofreu, pelo menos, duas tentativas de invasão hacker entre o fim de junho e o início deste mês. O ataque comprometeu a comunicação entre os sistemas do órgão e da Sefaz após o acionamento de mecanismos de segurança, o que impediu a consulta detalhada aos débitos de IPVA dos veículos registrados no Estado.

Sem acesso a essas informações, diversos serviços passaram a ficar impedidos de ser concluídos, já que a legislação exige a verificação da regularidade tributária antes da emissão de documentos e da finalização de procedimentos administrativos.

O prazo para o licenciamento dos veículos com placas terminadas em 1, 2 e 3 venceria originalmente em 30 de junho. Após a primeira tentativa de invasão, ele foi prorrogado para 17 de julho. Agora, com a manutenção da instabilidade, os proprietários terão até 29 de julho para regularizar a situação.

Segundo o Detran, a escolha da data buscou evitar coincidência com o vencimento do licenciamento dos veículos de placas finais 4, 5 e 6 previsto para 31 de julho, reduzindo o risco de sobrecarga nos sistemas.

O órgão apontou que a nova portaria também disciplinará situações que passaram a gerar dúvidas desde o início da instabilidade. O texto trará regras específicas sobre a validade dos laudos de vistoria, os prazos para registro de veículos, a cobrança de diárias de veículos recolhidos em pátios e os procedimentos para proprietários com débitos de IPVA.

No caso do IPVA, o Detran orienta que a regularização seja feita diretamente junto à Sefaz enquanto persistirem as dificuldades de integração entre os sistemas. Mesmo assim, a conclusão de qualquer serviço pelo departamento continuará condicionada à confirmação de que não existem pendências tributárias após o processamento das informações pelos sistemas oficiais.

O órgão ressalta que as medidas têm caráter excepcional e temporário e não alteram as exigências previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Segundo o Detran, o objetivo é garantir a continuidade dos serviços públicos e evitar prejuízos aos usuários enquanto perdurar a instabilidade provocada pelos mecanismos de proteção contra ataques cibernéticos.

Apesar de antecipar os temas que serão regulamentados, o departamento ainda não detalhou quais serão as novas regras para laudos de vistoria, registros de veículos e diárias de pátio. Essas informações deverão constar na íntegra da Portaria "N" nº 212/2026, que será publicada no Diário Oficial do Estado na próxima terça-feira.

AGRO

Pecuária de MS mantém força em 2026 com mais de 2 milhões de bovinos abatidos no semestre

Boletim da Famasul aponta estabilidade nos abates, exportações em alta e valorização dos animais de reposição, apesar do recuo da arroba em junho.

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A pecuária de Mato Grosso do Sul manteve um ritmo forte de produção no primeiro semestre de 2026. De acordo com a edição de julho do Boletim SIGABOV, elaborado pelo Departamento Técnico (DETEC) do Sistema Famasul, o Estado registrou o abate de 2,08 milhões de bovinos nos seis primeiros meses do ano. O volume ficou apenas 1% abaixo do recorde registrado no mesmo período de 2025 e 10% acima da média dos últimos cinco anos, reforçando o bom desempenho da cadeia produtiva.

Exportações sustentam o mercado

Segundo o consultor técnico em pecuária do Senar/MS, Diego Guidolin, apesar de o volume de abates permanecer próximo ao recorde de 2025, a composição dos animais abatidos começou a apresentar mudanças. Em junho, houve maior participação de machos, principalmente entre 13 e 24 meses, enquanto a participação de fêmeas diminuiu em relação ao acumulado do ano.

Para o técnico, esse comportamento reflete uma oferta consistente de animais terminados em um cenário de demanda firme por carne bovina.

"Esse comportamento indica uma oferta consistente de animais terminados, em um cenário de demanda firme por carne bovina. As exportações continuam em ritmo elevado, com junho registrando o maior volume embarcado do ano para Mato Grosso do Sul, o que contribui para manter o bom desempenho da cadeia pecuária no Estado", analisa Guidolin.

Reposição segue valorizada

O boletim também mostra que o mercado de reposição continua aquecido. Mesmo com acomodação nos preços em relação ao mês anterior, os animais permanecem mais valorizados na comparação com junho de 2025.

O preço do quilo do bezerro acumula alta de 16% em um ano, enquanto o da bezerra avançou 19%. Garrote, boi magro, novilha e vaca magra também registraram valorização no período.

Segundo a análise técnica, a melhora da relação de troca entre boi gordo e bezerro favoreceu a reposição dos rebanhos, sustentando a demanda pelos animais. Ao mesmo tempo, a menor oferta de bezerros no Estado mantém os preços em patamares historicamente elevados, com valorização superior à inflação nos últimos 12 meses.

Arroba recua, mas permanece acima de 2025

A arroba do boi gordo registrou queda de 2% em junho na comparação com maio. Apesar disso, o preço médio permaneceu 10% superior ao registrado em junho do ano passado e segue entre os maiores valores nominais da série histórica de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o boletim, fatores ligados ao mercado internacional, como a proximidade do preenchimento da cota tarifária chinesa, contribuíram para pressionar as cotações ao longo do mês.

Outro indicador acompanhado pelo SIGABOV é a escala de abate, que permaneceu relativamente curta durante junho, fator que influencia diretamente a formação dos preços pagos ao produtor.