quinta, 04 de junho, 2026
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Nosso entrevistado da semana é o Coxinense: Darinei da Silva Nery, Diretor Presidente da FUNRONDON de Coxim, filho de pescador, 40 anos, casado, pai de 3 filhos, formado em Educação Física pela UNIC de Rondonópolis, Desde que assumiu a presidência da (Funrondon) em Coxim, Darinei Nery tem se destacado por iniciativas que fortalecem a cultura local. Em dezembro de 2024, liderou a reinauguração da Casa do Artesão, criando um espaço para artesãos exibirem e comercializarem suas obras. Durante o evento, Nery enfatizou o compromisso com a preservação das tradições e a capacitação dos artesãos, visando seu destaque em níveis estadual e nacional.
Essas ações refletem o empenho de Darinei Nery e da Funrondon em promover e valorizar a cultura de Coxim, fortalecendo a identidade local e incentivando a economia criativa do município. E com a proximidade do carnaval em Coxim convidamos Darinei para nos contar da organização para os 3 dias de folia que começam hoje, sexta-feira (28)
Desde já o jornal Diário do Estado agradece por nos receber para nos conceder essa entrevista.
Diário do Estado: Darinei, primeiro gostaria de agradecer por você nos receber imagino que você esteja na correria com os preparativos para o carnaval
Darinei Nery: Glenda, eu que agradeço a oportunidade, estamos bastante corrido, resolvendo sobre estrutura para os shows, desfiles de blocos, desfile de rainha e rei momo, estrutura para as vendas de bebidas e alimentação,mas estamos bastante satisfeitos pois o carnaval de Coxim se transformou no maior carnaval da região norte.
Diário do Estado: você pode nos dar uma estimativa de público esperado para este ano de 2025?
Darinei Nery: Em 2024 o carnaval de Coxim na praça Zacarias Mourão recebeu 5.000 pessoas por noite, agora em 2025 com a divulgação pesada que fizemos aqui e nas cidades próximas esperamos 10.000 pessoas.
Diário do Estado: Como está sendo feita a logística para receber turistas que chegarão nos próximos dias em Coxim?
Darinei Nery: Todos os ranchos que ficam dentro da cidade estão alugados, não existe mais vaga, os hotéis também pelo levantamento que fizemos estão com lotação fechada, isso se deve também ao período de pesca que começa no próximo sábado, portanto com a pesca liberada e carnaval a cidade vai estar bem cheia.
Diário do Estado: Sabemos que eventos como carnaval movimentam a economia local e geram empregos temporários, qual a expectativa da prefeitura de Coxim de arrecadação com o carnaval?
Darinei Nery: A expectativa é que com hotel, ranchos, alimentação, e gastos nos dias de folia o comercio de Coxim arrecade cerca de 1 milhão de reais nos 3 dias de folia, só para você ter uma ideia Glenda, não existem mais caiaques disponíveis para passeios de contemplação da natureza, todos estão alugados e pacotes fechados.
Diário do Estado: O carnaval de Coxim entrou para o calendário estadual de eventos?
Darinei Nery: Sem dúvida nenhuma que sim, para se ter uma ideia este ano Coxim irá receber 2 representantes da Fundação de Cultura do estado de Mato Grosso do Sul, eles estarão na cidade para conhecer nosso carnaval e ver em loco os investimentos que o governo do estado junto com o governo federal e parceria com a prefeitura de Coxim para a carnaval de Coxim deste ano, isso para nós é muito importante, pois é uma credibilidade que temos juntos aos fiscais da cultura.
Diário do Estado: A cultura nos últimos anos em Coxim tem recebido investimentos tanto por parte do Governo do Estado, como de projetos como a lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc, para você houve uma valorização da cultura no Brasil como um todo?
Darinei Nery: Sem dúvida nenhuma, a cultura no Brasil sofreu no ano de 2021 com o governo do ex-presidente Bolsonaro um golpe duríssimo, assim também como a educação, projetos e investimentos para cultura foram cortados, com isso a população perdeu um direito básico de ter acesso a cultura, hoje a cultura no Brasil está se estruturando após o período triste que ela viveu, esperamos não voltar para esse tempo que muitos produtores de cultura, artesãos, artistas, voltem a ser tratados com tanto descaso.
Diário do Estado: A população de Coxim sempre reclama da falta de opção em Coxim para os finais de semana e também de eventos, qual a dificuldade em mudar essa realidade Darinei?
Darinei Nery: Glenda, em uma conversa recente com secretário da fundação de cultura do estado Marcelo Miranda eu fiz essa abordagem, coloquei que algumas cidades recebem mais investimentos que outros e acontece que a região norte do estado fica descoberta e sem acesso à cultura e atividades culturais, ele recebeu com carinho meu pedido para que cidades do norte do estado recebam mais investimentos e sejam colocadas também no mapa cultural do estado, nosso governo do estado e governo federal em uma forca tarefa tem nos ajudado muito nos últimos anos, mas contamos e precisamos de mais e temos trabalhado para que mais investimentos cheguem aqui para Coxim
Diário do Estado: Para você, qual a importância do apoio a cultura?
Darinei Nery: Essencial, vou dar um exemplo do filme Brasileiro que concorre ao oscar no próximo domingo, “AINDA ESTOU AQUI “ é um produto nosso, brasileiro, um audiovisual de qualidade, usando recursos nossos, rodado no Brasil, com uma história da nossa história que foi a ditadura militar, a história do Brasil chegou ao mundo todo através de projetos e investimentos culturais, não se pode negar a importância da cultura para nosso desenvolvimento intelectual, cultura é tão essencial como saúde e educação, precisamos fomentar e valorizar a cultura nacional e a nossa cultura local.
Diário do Estado: Sobre o museu de Coxim Dariney, existe uma previsão para uma reforma no prédio?
Darinei Nery: Sim, até o aniversário de Coxim em abril entregaremos a reforma do museu, com móveis novos e novos equipamentos para atender melhor os visitantes que chegam de todas as partes para conhecer a história de Coxim o local cresceu bastante nos últimos 2 anos em números de visitação e a intensão é que cresça ainda mais.
Diário do Estado: Em 2024 quanto as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo enviaram em projetos para Coxim?
Darinei Nery: Foram 559.000 mil reais em projetos, que foram usados em projetos de audiovisual, artesanato, entre outros, em 2021/2021 esse número foi de 4.000 mil reais, diante disso vemos a diferença e como o apoio para cultura aumentou.
Diário do Estado: Estão vindo mais incentivos para cultura em Coxim em 2025?
Darinei Nery: Sim, inclusive projetos que levarão para as novas gerações a nossa história, particularidades de Coxim, de pessoas que fizeram história em Coxim e deram suas contribuições para que Coxim fosse reconhecida nacionalmente.
Diário do Estado: É difícil fazer cultura Dariney?
Darinei Nery: Muito, quando recebi o convite do Dr Edilson Magro, prefeito de Coxim para assumir a FUNRONDON imaginei que seria mais fácil, mas não é, a cultura ainda infelizmente é vista como uma coisa sem utilidade, sem importância por muita gente, imagine que ainda existam pessoas na nossa cidade que nunca foram ao cinema, nunca pisaram em um teatro, isso é inadmissível partindo do princípio que este direito de acesso está resguardado para todo cidadão brasileiro pela nossa constituição, claro que existem os que nos apoiam, nos ajudam nessa caminhada, mas também existem aqueles que além de ajudar ainda criticam, mas estamos cada dia aprendendo, correndo atrás e não desistiremos da cultura em Coxim.
Diário do Estado: Os artesãos de Coxim cresceram muito nos últimos anos, se capacitaram, criaram suas técnicas próprias de trabalho, como é participar desse processo?
Darinei Nery: É uma satisfação muito grande ver o quanto ensinar a pescar faz o ser humano crescer, nós não damos o peixe, ensinamos a pescar e quando eles e elas estão prontos soltamos suas mãos , temos oferecido cursos de capacitação desde de 2021, de lá para cá houve uma qualidade técnica desses artesãos gritante, cresceram , melhoram muito, e a administração atual é fã e apoiadora da economia criativa, por isso oferecemos as ferramentas para que todos os artesãos de Coxim se sintam cuidados e apoiados por nós.
Diário do Estado: Olhando para trás, quando você tem certeza dos acertos da sua gestão?
Darinei Nery: Quando vemos nossos artesãos coxinenses seja de qual segmento for, deixar Coxim e ir expor seus trabalhos fora de Coxim, em eventos estaduais e nacionais, quando vejo nossos artesãos vendendo suas pecas fora do Brasil, nada paga isso, é a certeza que estamos no caminho certo, ver essa evolução dos nossos artesãos é o mais gratificante de todo esse processo.
Diário do Estado: O que você espera para a cultura em Coxim?
Darinei Nery: Sempre a valorização, que os anos terríveis que a cultura passou não voltem, que cada vez mais as pessoas possam ter acesso a cultura, seja ela que segmento for, que possamos trazer cada vez mais investimentos para Coxim, que possamos gerar emprego e renda, e fazer a economia de Coxim crescer pelas mãos dos nossos artesãos , que nossos artesãos possam ter mais oportunidades de levar seus produtos para todos os cantos desse Brasil, que as pessoas entendam que cultura é um processo de progresso e de história, da nossa história.
Diário do Estado: Gostaria que você terminasse convidando a população de Coxim e de toda região para o carnaval de Coxim
Darinei Nery: Preparamos com muito carinho essa programação para toda população coxinense e visitantes, teremos matinê para as crianças, segurança todos os dias de festa para que todos possam curtir o carnaval em segurança, shows que prometem fazer história em Coxim, convido todos para o melhor carnaval da região norte do estado, vem para Coxim!
Diário do Estado: Agora gostaria que você fizesse suas considerações finais por favor Darinei
Darinei Nery: Gostaria de agradecer pelo convite Glenda, poder falar sobre os preparativos para o carnaval 2025 e sobre nosso trabalho na FUNRONDON, dizer para população de Coxim que sabemos que não poderemos fazer tudo, mas que já houve uma melhora bastante significativa em como a cultura era em Coxim e como é hoje, agradecer também a confiança do prefeito Edilson Magro e toda a equipe da FUNRONDON pela parceria de sempre, estaremos sempre a disposição da população coxinense e dos nossos artistas, artesãos e produtores culturais, 2025 trará muita coisa boa para cultura de Coxim, obrigado e bom carnaval para todos !
Confira a entrevista na versão impressa:
Entrevista
Confeiteiro fala em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Estado sobre sua trajetória, a quebra de paradigmas de gênero e o sucesso em Coxim.
10 de outubro de 2025
Com apenas 25 anos, Victor Manuel Gomes Ferreira já soma mais de cinco anos de experiência, estudo e dedicação à confeitaria. Natural de Coxim (MS), ele transformou uma paixão cultivada desde a infância em um negócio que está se firmando na cidade.
Em um mercado onde, historicamente, a confeitaria foi associada ao universo feminino, Victor se destacou justamente por quebrar paradigmas e mostrar que talento, sensibilidade e técnica não têm gênero. Enfrentou preconceitos, julgamentos e dúvidas, mas escolheu trilhar seu caminho com coragem, propósito e muito amor pelo que faz.
Mais do que um confeiteiro, Victor é um artista que transforma ingredientes em sentimentos. Seus bolos e doces carregam histórias, memórias e uma dedicação que está conquistando o paladar e o coração dos coxinenses.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e sonhos para o futuro numa conversa doce, inspiradora e cheia de inspiração
Diário do Estado: Como e quando surgiu seu interesse pela confeitaria?
Victor Manuel: Desde muito novo, eu sempre fui encantado pelo mundo da culinária. Era o tipo de criança que, ao invés de correr ou brincar, preferia ficar na cozinha observando os adultos prepararem os pratos. Com o tempo, esse interesse se voltou especialmente para os doces. Nas festas de família, eu me voluntariava para preparar os bolos e sobremesas dos aniversariantes e isso se tornou uma tradição. Ver a felicidade das pessoas ao provarem algo que eu fiz com minhas próprias mãos sempre me motivou. A confeitaria, pra mim, sempre foi mais que uma profissão; é uma forma de demonstrar carinho.
Diário do Estado: Qual foi o seu primeiro contato com a confeitaria profissionalmente?
Victor Manuel: Meu primeiro contato profissional aconteceu quando tive a oportunidade de trabalhar em uma confeitaria. Antes disso, eu já fazia doces por conta própria, mas foi ali que conheci o ritmo intenso do dia a dia, os processos técnicos, a importância da organização e da padronização. E foi ali também que eu percebi que queria mais do que apenas cozinhar por prazer eu queria me especializar, viver disso, transformar essa paixão em um negócio sério e bem estruturado.
Diário do Estado: Você teve algum mentor ou inspiração no início da sua carreira?
Victor Manuel: Minha maior inspiração sempre foi meu propósito de vida: o desejo de vencer, de construir algo meu, de não depender dos outros. Não tive um mentor direto, alguém que me pegasse pela mão e me ensinasse tudo. Pelo contrário, muitas vezes enfrentei falta de apoio, dúvidas das pessoas ao meu redor e até preconceitos. Mas, por outro lado, isso me fortaleceu. Sempre tive muito medo de ficar desempregado, de não ter um caminho. Então decidi criar meu próprio caminho, e ele começou na cozinha.
Diário do Estado: Como é ser confeiteiro em uma cidade como Coxim?
Victor Manuel: Ser confeiteiro em Coxim é uma experiência única. Aqui, as relações são mais próximas, os clientes viram amigos, e o reconhecimento do nosso trabalho vem de forma muito sincera. No início foi desafiador conquistar espaço, mas com o tempo fui me firmando. Hoje, posso dizer com orgulho que tenho clientes fiéis, pessoas que confiam no meu trabalho, me acompanham há anos e indicam meus doces com muito carinho. É uma sensação maravilhosa ver o meu trabalho fazendo parte da história das famílias da minha cidade.
Diário do Estado: Quais são as principais demandas do público local em relação à confeitaria?
Victor Manuel: O público de Coxim é bastante receptivo e valorizador da confeitaria artesanal. Bolos personalizados, doces finos para festas e sobremesas tradicionais são os mais procurados. As pessoas valorizam muito o sabor caseiro, a apresentação caprichada e o atendimento humanizado. Sempre busco trazer novidades e adaptar as tendências ao gosto local, o que me ajuda a manter a clientela satisfeita e surpreendida.
Diário do Estado: Acredita que há espaço para inovações ou tendências da confeitaria moderna em Coxim?
Victor Manuel: Acredito sim, e cada vez mais. Embora Coxim seja uma cidade do interior, o acesso à informação está muito mais fácil hoje em dia. As pessoas estão atentas ao que está em alta e querem experimentar coisas novas. Temos um público exigente e, ao mesmo tempo, aberto a inovações. Por isso, busco sempre me atualizar, fazer cursos, testar novas técnicas e trazer o melhor para os meus clientes. A confeitaria moderna tem muito a oferecer e aqui em Coxim, tem espaço para isso.
Diário do Estado: Já pensou em levar seu trabalho para outras cidades ou estados, ou Coxim sempre foi o seu foco?
Victor Manuel: Sim, já pensei bastante nisso. Embora eu ame Coxim e tenha um carinho imenso pela cidade, tenho sonhos de expandir. Quero muito levar meu trabalho para outras cidades e até mesmo para outros estados. Sei que é um passo grande, mas acredito que com planejamento e dedicação é possível. Não quero limitar meus sonhos. Quero alcançar novos públicos, viver novas experiências e fazer a confeitaria crescer ainda mais.
Diário do Estado: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no começo da sua jornada como confeiteiro?
Victor Manuel: O maior desafio foi, sem dúvida, acreditar em mim mesmo. Eu era muito inseguro, tinha medo de dar errado, de ser julgado, de não conseguir viver disso. Além disso, controlar a ansiedade, a autocrítica e o perfeccionismo foi um processo. No começo, eu queria que tudo fosse perfeito e me cobrava demais. Também tive dificuldades financeiras, falta de estrutura e até de reconhecimento. Mas a cada dificuldade superada, eu me sentia mais forte e mais preparado para seguir em frente.
Diário do Estado: Em sua opinião, qual é a parte mais difícil de manter um negócio de confeitaria em uma cidade do interior?
Victor Manuel: Manter a qualidade dos produtos com preços acessíveis é um grande desafio. O custo dos ingredientes está cada vez mais alto, e nem sempre conseguimos repassar isso para o cliente. Além disso, temos menos acesso a insumos específicos ou equipamentos modernos, o que exige ainda mais criatividade para manter o padrão. Também há menos oportunidades de eventos grandes ou datas com alta demanda, então é preciso trabalhar com equilíbrio entre tradição e inovação para se manter ativo o ano todo.
Diário do Estado: Como você lida com sazonalidades e datas comemorativas, que costumam ser movimentadas no setor?
Victor Manuel: Eu procuro sempre me antecipar. Faço planejamentos com antecedência, crio cardápios temáticos e me organizo para atender o maior número de pedidos possível sem perder a qualidade. Nessas datas, o volume de trabalho aumenta muito, então é essencial ter organização, preparo psicológico e, se possível, apoio de uma equipe. Também uso essas datas como uma forma de criar conexão com os clientes, trazendo novidades e reforçando a identidade da minha marca.
Diário do Estado: Você já enfrentou preconceito por ser homem trabalhando com confeitaria?
Victor Manuel: Sim, já enfrentei. Ainda existe uma visão equivocada de que confeitaria é uma área "feminina", e isso acaba gerando olhares tortos ou comentários desnecessários. Mas, com o tempo e com o reconhecimento do meu trabalho, fui conquistando meu espaço e provando que talento e dedicação não têm gênero.
Diário do Estado: Como o público reage ao descobrir que o responsável pelos doces é um homem?
Victor Manuel: No começo, muitos se surpreendem. Mas depois que provam os produtos e percebem o cuidado, o sabor e o carinho que coloco em cada detalhe, essa surpresa vira admiração. A qualidade sempre fala mais alto, e isso tem me ajudado a quebrar barreiras e estereótipos.
Acredita que ainda existe uma visão de que confeitaria é um “trabalho feminino”?
Victor Manuel: Infelizmente, ainda existe em alguns contextos, mas vejo que essa mentalidade vem mudando com o tempo. A confeitaria é arte, é técnica, é amor e isso não tem gênero. Hoje temos muitos homens na área fazendo trabalhos incríveis, e isso ajuda a desconstruir esse pensamento ultrapassado.
Diário do Estado: Já sentiu que precisou “provar mais” por ser homem na área?
Victor Manuel: Sim, em muitos momentos. Sentia que precisava me destacar mais, mostrar mais competência, mais dedicação, só para ser levado a sério. Mas acredito que todo desafio também é uma oportunidade. Isso me motivou a buscar excelência em tudo que faço.
Diário do Estado: O que te inspira no dia a dia para criar novas receitas?
Victor Manuel: Minha maior inspiração é minha família. Eles sempre acreditaram em mim, mesmo quando tudo parecia difícil. São meu ponto de apoio, minha base. Cada receita nova que crio tem um pouco deles seja uma lembrança de infância, um elogio que me emocionou ou até um momento em que precisei me superar.
Diário do Estado: Tem alguma receita ou doce que tenha um valor sentimental ou história especial para você?
Victor Manuel: Sim, tem uma receita especial que sempre preparo com um carinho redobrado. Ela me lembra da minha infância e de momentos marcantes com pessoas que já se foram. Fazer esse doce me conecta com essas memórias, é como reviver aquelas emoções. E acredito que esse sentimento se transmite no sabor. Mas, no fundo, todas as receitas têm um pouco de mim e carregam muito amor.
Diário do Estado: Como você equilibra a vida pessoal com a rotina puxada da confeitaria?
Victor Manuel: Não é fácil, mas organização é essencial. Tenho horários definidos, me planejo com antecedência e também aprendi a respeitar meus limites. Hoje entendo que cuidar de mim também é parte do sucesso do meu trabalho. Quando estou bem, consigo entregar o melhor aos meus clientes e estar presente para minha família.
Diário do Estado: Como você enxerga o mercado da confeitaria nos próximos anos, especialmente em cidades pequenas como Coxim?
Victor Manuel: Acredito que o mercado tem tudo para crescer, mesmo em cidades pequenas. As pessoas estão mais exigentes, querem qualidade, e valorizam o trabalho artesanal. Vejo um futuro muito promissor, com espaço para profissionais criativos, dedicados e que estejam sempre em evolução. Aqui em Coxim, quero continuar sendo parte desse crescimento, inovando sem perder minhas raízes.
Diário do Estado: Já pensou em dar cursos ou ensinar outras pessoas, principalmente jovens ou homens interessados na área?
Victor Manuel: Sim, esse é um grande sonho meu. Quero muito compartilhar tudo o que aprendi com outras pessoas. A confeitaria transformou minha vida e pode transformar a de muitos jovens também. Ensinar seria uma forma de retribuir tudo o que conquistei e mostrar que, com amor e esforço, qualquer um pode vencer nessa área.
Diário do Estado: Que conselho você daria para um homem que quer começar na confeitaria, mas tem medo do julgamento?
Victor Manuel: Meu conselho é simples: não tenha medo. O julgamento sempre vai existir, em qualquer área. Mas o que realmente importa é o que você sente. Se você ama a confeitaria, siga em frente. O mundo precisa de mais pessoas fazendo o que amam. E, com o tempo, você vai perceber que a paixão e a dedicação falam mais alto que qualquer preconceito.
Diário do Estado: Se pudesse escolher apenas um doce para representar Coxim, qual seria? E por quê?
Victor Manuel: O bolo de chocolate, sem dúvidas! Ele é simples, gostoso, acolhedor e tem tudo a ver com o jeito do coxinense: gente que gosta de aproveitar a vida, se reunir com a família e celebrar as pequenas coisas. É aquele tipo de doce que todo mundo ama e que traz alegria com uma mordida só.
Diário do Estado: Quais seus planos para o futuro na confeitaria?
Victor Manuel: Quero continuar me aprofundando, estudando, aperfeiçoando minhas técnicas. Também quero expandir meu negócio, talvez abrir uma loja maior ou até uma filial em outra cidade. E, claro, seguir adoçando a vida dos meus clientes com muito amor, que é o ingrediente principal do meu trabalho.
Diário do Estado: Suas considerações finais:
Victor Manuel: Sou extremamente grato ao jornal Diário do Estado pela oportunidade e poder contar um pouco da minha caminhada até aqui, sou grato por tudo que conquistei. Amo o que faço e coloco meu coração em cada doce que produzo. Minha missão é levar felicidade às pessoas por meio da confeitaria, e quero continuar crescendo, aprendendo e fazendo a diferença na vida de quem prova meus produtos, meus trabalhos estão disponíveis pelas redes sociais @Vicktor_emanuell



Entrevista
Secretária de Educação de Coxim fala em entrevista exclusiva ao Diário do Estado sobre os desafios da gestão, os avanços na rede municipal e as metas para fortalecer a qualidade do ensino.
5 de setembro de 2025
À frente da Secretaria Municipal de Educação de Coxim, Marly Nogueira tem conduzido uma gestão marcada por desafios, conquistas e planos ousados para o futuro. Em entrevista exclusiva, a secretária destaca o compromisso com a qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação, os avanços na infraestrutura escolar e as ações para reduzir desigualdades entre a zona urbana e rural. Com transparência e determinação, ela fala sobre o que já foi realizado, as dificuldades enfrentadas e as metas que projeta para transformar a educação no município.
Diário do Estado: Secretária, quais têm sido os principais desafios na gestão da educação municipal em Coxim e como a senhora tem buscado superá-los?
Marly: Os principais desafios incluem garantir a qualidade do ensino, ampliar o acesso às vagas, manter a infraestrutura escolar e reduzir desigualdades entre zonas urbana e rural.
Para superá-los, temos adotado ações estratégicas, como:
• Investimentos em tecnologia e material didático próprio, especialmente para a base infantil;
• Ampliação e manutenção das escolas e da frota escolar;
• Apoio contínuo a professores e profissionais da educação, com capacitação e valorização;
• Diálogo constante com diretores, professores, pais e comunidade.
Nosso compromisso é enfrentar cada desafio com planejamento, responsabilidade e foco no bem-estar e na aprendizagem dos alunos.
Diário do Estado: Desde que assumiu a Secretaria de Educação, quais foram os maiores desafios e conquistas alcançados pela senhora e sua equipe?
Marly: Enfrentamos desafios como manter todas as escolas em funcionamento pleno, equilibrar recursos limitados e iniciar projetos estruturantes.
Entre as conquistas, destaco:
• Criação da sala de recurso no bairro Piracema, ampliando a inclusão e o atendimento especializado;
• Manutenção das escolas com recursos próprios, garantindo ambientes adequados e seguros;
• Ampliação de salas de tecnologia, melhoria da frota escolar e adoção de material didático próprio para a base infantil.
Diário do Estado: A senhora acredita que a pandemia ainda deixa reflexos no aprendizado dos alunos? O que a Secretaria tem feito para recuperar possíveis defasagens?
Marly: Sim. A pandemia deixou reflexos significativos, como defasagens no aprendizado. Para enfrentá-los, implantamos reforço pedagógico, acompanhamento individualizado e projetos voltados à inclusão de conteúdos essenciais, assegurando que todos os alunos retomem o ritmo escolar com segurança e consistência.
Diário do Estado: Como está sendo trabalhado o planejamento estratégico da educação em Coxim para os próximos anos?
Marly: Nosso planejamento busca ampliar o acesso e melhorar a qualidade do ensino. Entre as ações previstas, estão:
• Abertura de novas salas para atender à crescente demanda;
• Adoção de material didático próprio (apostilado) para a base infantil;
• Melhoria da frota escolar, oferecendo transporte mais seguro;
• Construção de um novo Centro de Educação Infantil na Vila Bela, em parceria com o Governo Federal.
Diário do Estado: De que forma a Secretaria tem dialogado com diretores, professores e pais para alinhar as demandas e melhorar a qualidade da educação?
Marly: Mantemos um diálogo democrático e próximo. Recebemos demandas presencialmente, por telefone ou em visitas às escolas. Esse contato direto permite identificar necessidades e alinhar ações de forma colaborativa, garantindo a melhoria contínua da rede.

Diário do Estado: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas da zona rural e quais ações têm sido adotadas?
Marly: O maior desafio está nas estradas, especialmente no período de chuvas. Para superar, atuamos em parceria com a Secretaria de Obras, realizando manutenção preventiva e garantindo acesso seguro para alunos e profissionais.
Diário do Estado: Existe algum projeto específico voltado ao transporte escolar rural?
Marly: Não há um programa exclusivo, mas o transporte escolar atende tanto a zona rural quanto a urbana com a mesma estrutura, garantindo segurança e pontualidade.
Diário do Estado: Como a senhora avalia a diferença de acesso e oportunidades entre alunos da zona rural e urbana?
Marly: As diferenças são pequenas. A principal defasagem está no acesso à tecnologia. Para reduzir, planejamos implantar salas de tecnologia também nas escolas rurais. Além disso, todo material didático é entregue em versão física, assegurando igualdade no aprendizado.
Diário do Estado: Há iniciativas para valorizar a cultura local e o modo de vida da zona rural no currículo escolar?
Marly: Ainda não temos iniciativas formais, mas reconhecemos sua importância. Estamos avaliando projetos para inserir a cultura regional e o modo de vida do campo nas práticas pedagógicas.
Diário do Estado: O que a gestão tem feito pela valorização dos professores e funcionários da educação?
Marly: Destaco a redução da carga horária das ASHAs e merendeiras, proporcionando melhor qualidade de vida, e a valorização salarial, reconhecendo o esforço e dedicação de todos.
Diário do Estado: Existe um plano de capacitação continuada para professores e servidores?
Marly: Sim. Mantemos formações contínuas para atualização pedagógica e aprimoramento profissional, garantindo ensino mais eficiente e inovador.
Diário do Estado: Como a senhora enxerga a importância da saúde mental dos profissionais da educação?
Marly: É prioridade. Estamos estruturando projetos para promoção da saúde mental nas escolas, oferecendo suporte e ações preventivas que fortaleçam a motivação e o equilíbrio emocional.
Diário do Estado: Há políticas para reduzir a rotatividade de profissionais na rede municipal?
Marly: Atualmente, utilizamos processos seletivos para suprir demandas. Aguardamos o concurso municipal, que trará mais estabilidade, valorização e continuidade ao trabalho.
Diário do Estado: Quais são os projetos mais importantes em andamento?
Marly: Um deles é a criação de material didático próprio para a educação infantil, garantindo conteúdos adaptados ao desenvolvimento das crianças.

Diário do Estado: Existe algum programa para incentivo à leitura e à escrita?
Marly: Sim. Cada escola desenvolve metodologias próprias de incentivo, promovendo aprendizagem personalizada e significativa.
Diário do Estado: Como Coxim tem avançado no uso de tecnologia na educação?
Marly: Investimos na aquisição de equipamentos e buscamos emendas para ampliar salas de tecnologia, garantindo inclusão digital e preparando alunos para os desafios do século XXI.
Diário do Estado: Há iniciativas voltadas à inclusão de alunos com necessidades especiais?
Marly: Sim. Contamos com equipe multidisciplinar que oferece suporte pedagógico, psicológico e acompanhamento especializado em toda a rede.
Diário do Estado: Quais foram as maiores conquistas até agora?
Marly: Destaco a sala de recurso no bairro Piracema, a manutenção das escolas com recursos próprios e a melhoria dos ambientes escolares, assegurando qualidade e inclusão.
Diário do Estado: Houve avanços nos indicadores como o IDEB?
Marly: Ainda não registramos avanços, pois a gestão está em fase inicial. No entanto, já estamos implantando ações estratégicas que refletirão positivamente nos próximos resultados.
Diário do Estado: Como a senhora avalia os investimentos na estrutura física das escolas?
Marly: O impacto é extremamente positivo: ambientes mais adequados e seguros elevam a qualidade da aprendizagem e fortalecem o vínculo da comunidade com a escola.
Diário do Estado: Há escolas ou projetos que já se tornaram referência?
Marly: Ainda é cedo para apontar referências consolidadas, mas projetos em andamento têm potencial para se tornar exemplos de boas práticas no futuro.
Diário do Estado: Quais são as principais metas para o próximo ano letivo?
Marly: • Melhorar o IDEB com foco em estratégias pedagógicas;
• Ampliar a rede com novas salas e vagas;
• Implantar salas de tecnologia nas escolas do campo;
• Garantir entrega de uniformes e materiais no início do ano letivo.
Diário do Estado: Se pudesse destacar uma prioridade absoluta hoje, qual seria?
Marly: A prioridade é elevar a qualidade do ensino e ampliar vagas, sobretudo na educação infantil.
Diário do Estado: Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para professores, alunos e famílias?
Marly: Deixo minha gratidão e carinho a todos. Seguimos juntos, com projetos para fortalecer a qualidade da educação, construindo um futuro cada vez mais promissor para nossa rede municipal.
Diário do Estado: Suas considerações finais por favor secretária
Marly: Glenda, gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade em poder falar sobre o nosso trabalho, agradeço ao Jornal Diário do Estado pelas portas sempre abertas, e para a população de Coxim estamos trabalhando em prol de uma sociedade mais justa para todos.