sábado, 25 de julho, 2026
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Em uma esquina simples de Coxim, logo abaixo da Praça Sílvio Ferreira, existe um lugar onde o tempo não passa da mesma forma. Existem lugares que nascem para funcionar apenas como endereço comercial. Lugares onde as pessoas entram, consomem, vão embora e deixam para trás apenas o movimento comum da cidade. Mas existem lugares raros, quase sagrados que ultrapassam paredes, placas e fachadas. Lugares que se transformam em memória coletiva. Em símbolo. Em identidade cultural.
Em Coxim, esse lugar tem nome, história e sentimento, se chama “Confraria do Piau”
Conhecida por gerações inteiras como Bar do Zé Guedes, a velha esquina localizada entre as ruas Filinto Müller e João Pessoa, logo abaixo da Praça Sílvio Ferreira, nunca foi apenas um bar. Ela se tornou, ao longo de quase três décadas, um dos maiores patrimônios afetivos, culturais e históricos da região norte de Mato Grosso do Sul.
Quem passa em frente talvez veja somente mesas espalhadas, sons de violão, amigos conversando e luzes simples iluminando a noite coxinense. Mas quem realmente conhece a Confraria do Piau sabe que ali existe algo muito maior do que um ponto comercial.

Ali mora uma parte viva da história de Coxim
A confraria não foi construída apenas com cimento, madeira e tijolos. Ela foi construída com encontros. Com saudades. Com música. Com risadas atravessando madrugadas. Com pescadores chegando depois de dias no rio. Com artistas encontrando espaço para cantar quando quase não existiam palcos culturais na cidade. Com escritores dividindo poemas em mesas simples. Com famílias inteiras transformando o local em extensão da própria casa.
A Confraria do Piau nasceu oficialmente em 1º de janeiro de 1997, pelas mãos de José Guedes de Melo o eterno Zé Guedes.
Mas, na verdade, sua história começou muito antes disso.
Começou dentro da alma de um homem apaixonado por gente, por cultura, por conversa boa e pela essência pantaneira.
Zé Guedes carregava o espírito típico do homem do interior: acolhedor, observador, simples e profundamente humano. Sem discursos grandiosos ou pretensões sofisticadas, ele criou um espaço onde todos tinham lugar. Não importava condição financeira, profissão ou origem. Naquela esquina cultural, todos se tornavam iguais diante da música, da amizade e da convivência.
Talvez esse tenha sido o maior segredo da Confraria do Piau: ela nunca selecionou pessoas. Ela acolheu histórias.
Com o passar dos anos, o local deixou de ser apenas frequentado. Passou a ser vivido.
Cada noite criava uma nova lembrança.
Cada roda de conversa virava parte invisível da memória da cidade.
Cada canção tocada ecoava como resistência cultural em meio ao avanço do tempo.
Enquanto o mundo acelerava, Coxim encontrava na confraria um lugar onde ainda era possível sentar sem pressa, ouvir histórias antigas, cantar músicas regionais e lembrar das raízes pantaneiras que moldaram a identidade do povo local.

E foi justamente dessa convivência espontânea que nasceu um dos movimentos culturais mais simbólicos da cidade: as famosas Quartaneiras.
As quartas-feiras pantaneiras transformaram a confraria em templo popular da cultura regional.
Ali, músicos locais dividiam espaço com artistas renomados. O violão passava de mão em mão. As vozes se misturavam. O sertanejo raiz encontrava a MPB. O chamamé conversava com o pagode. O rock aparecia sem preconceito. A cultura regional abraçava o contemporâneo sem perder sua essência.
Não existia palco luxuoso.
Não existia formalidade.
O palco era o próprio encontro humano.
As Quartaneiras se tornaram muito mais do que eventos semanais. Viraram tradição afetiva da cidade. Uma espécie de ritual cultural onde Coxim reafirmava sua identidade através da música, da arte e da convivência.
E enquanto muitos espaços culturais pelo Brasil desapareceram diante das dificuldades econômicas, da falta de incentivo ou das mudanças sociais, a Confraria do Piau resistiu.
Resistiu porque nunca dependeu apenas de dinheiro.
Ela dependia de pertencimento.
O local virou ponto obrigatório para artistas, escritores, jornalistas, pescadores, turistas, produtores culturais, professores, famílias e jovens que buscavam conhecer um pouco mais sobre a verdadeira essência coxinense.
Quem chegava à cidade e queria entender Coxim acabava inevitavelmente parando na Confraria do Piau.
Porque ali não se encontrava apenas música.
Encontrava-se identidade regional.
As paredes do local se transformaram em arquivo emocional da cidade. Fotografias antigas, instrumentos musicais, quadros, objetos culturais e lembranças acumuladas ao longo das décadas criaram uma espécie de museu popular espontâneo — um museu sem silêncio, sem vitrines fechadas e sem distância entre as pessoas e a história.
Cada imagem pendurada carrega uma narrativa.
Cada canto guarda uma memória.
Ali, o passado nunca foi esquecido.
Ele continua sentado à mesa.
A importância cultural da confraria ultrapassou o entretenimento há muitos anos. O espaço ajudou a preservar tradições pantaneiras num período em que grande parte da cultura regional começou a enfrentar risco de apagamento diante das transformações urbanas e digitais.
Enquanto muitos jovens cresciam distantes das próprias raízes, a Confraria do Piau permanecia como ponte entre gerações.
Os mais velhos contavam histórias.
Os músicos ensinavam canções antigas.
Os artistas mantinham viva a linguagem cultural do Pantanal.
A confraria virou resistência cultural silenciosa.
Uma resistência feita de música, conversa e memória.
Em 2021, porém, a cidade viveu um dos momentos mais dolorosos de sua história cultural. Aos 85 anos, José Guedes de Melo faleceu.
E Coxim silenciou junto.
A notícia da morte de Zé Guedes ultrapassou a tristeza comum causada pela perda de um comerciante conhecido. A cidade sentiu como se estivesse perdendo um guardião de memórias.

Porque era exatamente isso que ele havia se tornado.
Zé Guedes não administrava apenas um bar.
Ele protegia um espaço onde a cultura coxinense conseguia respirar livremente.
Sua ausência deixou um vazio profundo entre amigos, músicos, frequentadores antigos e toda uma geração que cresceu emocionalmente dentro daquela esquina cultural.
Mas algumas pessoas jamais partem completamente.
Elas permanecem através daquilo que construíram.
E a família Melo compreendeu isso.
Após a morte do fundador, a responsabilidade de manter viva a Confraria do Piau passou para sua esposa, filhos e familiares. Mais do que assumir um negócio, eles assumiram um compromisso histórico com a cidade.
Continuar abrindo aquelas portas significa manter viva a memória de Zé Guedes.
Significa proteger uma herança cultural que pertence a Coxim.
Significa impedir que décadas de histórias desapareçam.
O trabalho da família se tornou um ato de resistência afetiva.
Em tempos em que tantos espaços tradicionais fecham as portas para dar lugar à frieza da modernidade, a Confraria do Piau permanece firme, carregando sua simplicidade como maior riqueza.
Hoje, o local continua sendo palco de encontros, apresentações culturais, rodas de música e celebrações populares. A programação artística movimenta a cidade, fortalece músicos locais e transforma a região central em ponto permanente de convivência cultural.
As noites continuam cheias.
Os artistas continuam chegando.
Os violões continuam ecoando.
As amizades continuam nascendo.
E talvez esse seja o maior triunfo da Confraria do Piau: ela conseguiu sobreviver sem perder sua essência.
Poucos lugares conseguem isso.
Porque a maioria dos espaços muda com o tempo.
A confraria amadureceu sem abandonar sua alma.
Ela continua sendo o abrigo do pescador, do poeta, do músico, do trabalhador simples, do turista curioso e do velho amigo que retorna apenas para reviver lembranças.
Hoje, falar da Confraria do Piau é falar da própria história cultural de Coxim.
É impossível compreender a identidade artística da cidade sem mencionar aquela esquina.
É impossível contar a trajetória cultural coxinense sem citar as Quartaneiras, os encontros musicais, os saraus improvisados e as noites intermináveis embaladas pela cultura pantaneira.
A confraria virou patrimônio emocional coletivo.
Um lugar onde as pessoas não vão apenas para consumir.
Vão para pertencer.
E talvez seja exatamente isso que faz daquele espaço algo tão raro nos dias atuais.
A Confraria do Piau ensina que cultura não vive apenas em grandes teatros, museus sofisticados ou centros culturais modernos.
Às vezes, ela vive em uma esquina simples.
Em uma mesa de madeira.
Em um violão antigo.
Em um prato dividido entre amigos.
Em uma conversa atravessando a madrugada.
Em um homem chamado Zé Guedes que acreditou que reunir pessoas também era uma forma de eternidade.
Hoje, a Confraria do Piau não é somente um dos principais pontos turísticos de Coxim.
Ela é um monumento afetivo da cidade.
É um pedaço da memória pantaneira que continua respirando.
É o lugar onde Coxim encontra o próprio passado, celebra o presente e protege sua identidade para o futuro.
E enquanto houver música ecoando pelas noites da cidade, enquanto houver artistas encontrando abrigo naquela esquina e enquanto a família Melo continuar mantendo viva a chama deixada por Zé Guedes, a Confraria do Piau continuará existindo da forma mais bonita possível:
Como história viva.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Tempo em Coxim
Depois de dias marcados pelo tempo seco e temperaturas elevadas, os moradores de Coxim devem ficar atentos às mudanças no clima neste sábado (25). A chegada de uma frente fria...
25 de julho de 2026
Depois de dias marcados pelo tempo seco e temperaturas elevadas, os moradores de Coxim devem ficar atentos às mudanças no clima neste sábado (25). A chegada de uma frente fria ao Mato Grosso do Sul altera as condições do tempo em diversas regiões do Estado, trazendo possibilidade de chuva, aumento da nebulosidade e temperaturas mais amenas.
Enquanto parte do Brasil enfrenta os impactos de um ciclone extratropical, que provoca ventos fortes e instabilidade principalmente nas regiões Sul e Sudeste, os reflexos desse sistema também alcançam Mato Grosso do Sul. A mudança marca um contraste típico do inverno, com a substituição do calor intenso por um ambiente mais úmido e fresco.
Em Coxim, a previsão indica aumento de nuvens ao longo do dia, com possibilidade de pancadas isoladas de chuva. Apesar de o município não estar entre as áreas com maior risco de temporais, a passagem da frente fria pode amenizar o calor e elevar a umidade relativa do ar, trazendo um alívio após dias de clima seco.
Motoristas que trafegam pela BR-163 e demais rodovias da região devem redobrar a atenção caso ocorram chuvas, já que a pista molhada reduz a visibilidade e aumenta o risco de acidentes.
O avanço da frente fria, aliado à formação de um ciclone extratropical sobre o oceano, provoca mudanças significativas em pelo menos oito estados brasileiros. Enquanto o Sul e parte do Sudeste enfrentam queda nas temperaturas, ventos e chuva, grande parte do Centro-Oeste e do interior do país ainda registra calor e baixa umidade.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário é de transição. Regiões mais ao sul e a faixa central do Estado podem receber volumes mais expressivos de chuva, enquanto o norte, onde está localizada Coxim, tende a sentir os efeitos de forma mais moderada.
Meteorologistas alertam que o fim de julho deve continuar marcado por oscilações no tempo. A tendência é de alternância entre períodos de calor acima da média e a chegada de novas massas de ar frio, provocando mudanças rápidas de temperatura.
Para a população de Coxim, a orientação é acompanhar as atualizações da previsão do tempo, especialmente quem pretende viajar, realizar atividades ao ar livre ou trabalha no campo, já que as condições climáticas podem mudar ao longo do dia.