quarta, 10 de junho, 2026
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Em uma esquina simples de Coxim, logo abaixo da Praça Sílvio Ferreira, existe um lugar onde o tempo não passa da mesma forma. Existem lugares que nascem para funcionar apenas como endereço comercial. Lugares onde as pessoas entram, consomem, vão embora e deixam para trás apenas o movimento comum da cidade. Mas existem lugares raros, quase sagrados que ultrapassam paredes, placas e fachadas. Lugares que se transformam em memória coletiva. Em símbolo. Em identidade cultural.
Em Coxim, esse lugar tem nome, história e sentimento, se chama “Confraria do Piau”
Conhecida por gerações inteiras como Bar do Zé Guedes, a velha esquina localizada entre as ruas Filinto Müller e João Pessoa, logo abaixo da Praça Sílvio Ferreira, nunca foi apenas um bar. Ela se tornou, ao longo de quase três décadas, um dos maiores patrimônios afetivos, culturais e históricos da região norte de Mato Grosso do Sul.
Quem passa em frente talvez veja somente mesas espalhadas, sons de violão, amigos conversando e luzes simples iluminando a noite coxinense. Mas quem realmente conhece a Confraria do Piau sabe que ali existe algo muito maior do que um ponto comercial.

Ali mora uma parte viva da história de Coxim
A confraria não foi construída apenas com cimento, madeira e tijolos. Ela foi construída com encontros. Com saudades. Com música. Com risadas atravessando madrugadas. Com pescadores chegando depois de dias no rio. Com artistas encontrando espaço para cantar quando quase não existiam palcos culturais na cidade. Com escritores dividindo poemas em mesas simples. Com famílias inteiras transformando o local em extensão da própria casa.
A Confraria do Piau nasceu oficialmente em 1º de janeiro de 1997, pelas mãos de José Guedes de Melo o eterno Zé Guedes.
Mas, na verdade, sua história começou muito antes disso.
Começou dentro da alma de um homem apaixonado por gente, por cultura, por conversa boa e pela essência pantaneira.
Zé Guedes carregava o espírito típico do homem do interior: acolhedor, observador, simples e profundamente humano. Sem discursos grandiosos ou pretensões sofisticadas, ele criou um espaço onde todos tinham lugar. Não importava condição financeira, profissão ou origem. Naquela esquina cultural, todos se tornavam iguais diante da música, da amizade e da convivência.
Talvez esse tenha sido o maior segredo da Confraria do Piau: ela nunca selecionou pessoas. Ela acolheu histórias.
Com o passar dos anos, o local deixou de ser apenas frequentado. Passou a ser vivido.
Cada noite criava uma nova lembrança.
Cada roda de conversa virava parte invisível da memória da cidade.
Cada canção tocada ecoava como resistência cultural em meio ao avanço do tempo.
Enquanto o mundo acelerava, Coxim encontrava na confraria um lugar onde ainda era possível sentar sem pressa, ouvir histórias antigas, cantar músicas regionais e lembrar das raízes pantaneiras que moldaram a identidade do povo local.

E foi justamente dessa convivência espontânea que nasceu um dos movimentos culturais mais simbólicos da cidade: as famosas Quartaneiras.
As quartas-feiras pantaneiras transformaram a confraria em templo popular da cultura regional.
Ali, músicos locais dividiam espaço com artistas renomados. O violão passava de mão em mão. As vozes se misturavam. O sertanejo raiz encontrava a MPB. O chamamé conversava com o pagode. O rock aparecia sem preconceito. A cultura regional abraçava o contemporâneo sem perder sua essência.
Não existia palco luxuoso.
Não existia formalidade.
O palco era o próprio encontro humano.
As Quartaneiras se tornaram muito mais do que eventos semanais. Viraram tradição afetiva da cidade. Uma espécie de ritual cultural onde Coxim reafirmava sua identidade através da música, da arte e da convivência.
E enquanto muitos espaços culturais pelo Brasil desapareceram diante das dificuldades econômicas, da falta de incentivo ou das mudanças sociais, a Confraria do Piau resistiu.
Resistiu porque nunca dependeu apenas de dinheiro.
Ela dependia de pertencimento.
O local virou ponto obrigatório para artistas, escritores, jornalistas, pescadores, turistas, produtores culturais, professores, famílias e jovens que buscavam conhecer um pouco mais sobre a verdadeira essência coxinense.
Quem chegava à cidade e queria entender Coxim acabava inevitavelmente parando na Confraria do Piau.
Porque ali não se encontrava apenas música.
Encontrava-se identidade regional.
As paredes do local se transformaram em arquivo emocional da cidade. Fotografias antigas, instrumentos musicais, quadros, objetos culturais e lembranças acumuladas ao longo das décadas criaram uma espécie de museu popular espontâneo — um museu sem silêncio, sem vitrines fechadas e sem distância entre as pessoas e a história.
Cada imagem pendurada carrega uma narrativa.
Cada canto guarda uma memória.
Ali, o passado nunca foi esquecido.
Ele continua sentado à mesa.
A importância cultural da confraria ultrapassou o entretenimento há muitos anos. O espaço ajudou a preservar tradições pantaneiras num período em que grande parte da cultura regional começou a enfrentar risco de apagamento diante das transformações urbanas e digitais.
Enquanto muitos jovens cresciam distantes das próprias raízes, a Confraria do Piau permanecia como ponte entre gerações.
Os mais velhos contavam histórias.
Os músicos ensinavam canções antigas.
Os artistas mantinham viva a linguagem cultural do Pantanal.
A confraria virou resistência cultural silenciosa.
Uma resistência feita de música, conversa e memória.
Em 2021, porém, a cidade viveu um dos momentos mais dolorosos de sua história cultural. Aos 85 anos, José Guedes de Melo faleceu.
E Coxim silenciou junto.
A notícia da morte de Zé Guedes ultrapassou a tristeza comum causada pela perda de um comerciante conhecido. A cidade sentiu como se estivesse perdendo um guardião de memórias.

Porque era exatamente isso que ele havia se tornado.
Zé Guedes não administrava apenas um bar.
Ele protegia um espaço onde a cultura coxinense conseguia respirar livremente.
Sua ausência deixou um vazio profundo entre amigos, músicos, frequentadores antigos e toda uma geração que cresceu emocionalmente dentro daquela esquina cultural.
Mas algumas pessoas jamais partem completamente.
Elas permanecem através daquilo que construíram.
E a família Melo compreendeu isso.
Após a morte do fundador, a responsabilidade de manter viva a Confraria do Piau passou para sua esposa, filhos e familiares. Mais do que assumir um negócio, eles assumiram um compromisso histórico com a cidade.
Continuar abrindo aquelas portas significa manter viva a memória de Zé Guedes.
Significa proteger uma herança cultural que pertence a Coxim.
Significa impedir que décadas de histórias desapareçam.
O trabalho da família se tornou um ato de resistência afetiva.
Em tempos em que tantos espaços tradicionais fecham as portas para dar lugar à frieza da modernidade, a Confraria do Piau permanece firme, carregando sua simplicidade como maior riqueza.
Hoje, o local continua sendo palco de encontros, apresentações culturais, rodas de música e celebrações populares. A programação artística movimenta a cidade, fortalece músicos locais e transforma a região central em ponto permanente de convivência cultural.
As noites continuam cheias.
Os artistas continuam chegando.
Os violões continuam ecoando.
As amizades continuam nascendo.
E talvez esse seja o maior triunfo da Confraria do Piau: ela conseguiu sobreviver sem perder sua essência.
Poucos lugares conseguem isso.
Porque a maioria dos espaços muda com o tempo.
A confraria amadureceu sem abandonar sua alma.
Ela continua sendo o abrigo do pescador, do poeta, do músico, do trabalhador simples, do turista curioso e do velho amigo que retorna apenas para reviver lembranças.
Hoje, falar da Confraria do Piau é falar da própria história cultural de Coxim.
É impossível compreender a identidade artística da cidade sem mencionar aquela esquina.
É impossível contar a trajetória cultural coxinense sem citar as Quartaneiras, os encontros musicais, os saraus improvisados e as noites intermináveis embaladas pela cultura pantaneira.
A confraria virou patrimônio emocional coletivo.
Um lugar onde as pessoas não vão apenas para consumir.
Vão para pertencer.
E talvez seja exatamente isso que faz daquele espaço algo tão raro nos dias atuais.
A Confraria do Piau ensina que cultura não vive apenas em grandes teatros, museus sofisticados ou centros culturais modernos.
Às vezes, ela vive em uma esquina simples.
Em uma mesa de madeira.
Em um violão antigo.
Em um prato dividido entre amigos.
Em uma conversa atravessando a madrugada.
Em um homem chamado Zé Guedes que acreditou que reunir pessoas também era uma forma de eternidade.
Hoje, a Confraria do Piau não é somente um dos principais pontos turísticos de Coxim.
Ela é um monumento afetivo da cidade.
É um pedaço da memória pantaneira que continua respirando.
É o lugar onde Coxim encontra o próprio passado, celebra o presente e protege sua identidade para o futuro.
E enquanto houver música ecoando pelas noites da cidade, enquanto houver artistas encontrando abrigo naquela esquina e enquanto a família Melo continuar mantendo viva a chama deixada por Zé Guedes, a Confraria do Piau continuará existindo da forma mais bonita possível:
Como história viva.
Política Coxim
A busca por melhores condições de trafegabilidade nas estradas rurais de Coxim segue avançando, e a vereadora Lucia da AAVC tem acompanhado de perto as ações...
9 de junho de 2026
A busca por melhores condições de trafegabilidade nas estradas rurais de Coxim segue avançando, e a vereadora Lucia da AAVC tem acompanhado de perto as ações realizadas em comunidades do interior do município. Nesta semana, a parlamentar esteve na região do Jauru para verificar o andamento dos serviços de recuperação das vias rurais e reforçar a necessidade de investimentos em uma ponte que atualmente preocupa moradores e produtores da localidade.
Durante a visita, Lucia destacou a importância das obras para garantir mais segurança e melhores condições de deslocamento para as famílias que vivem na zona rural. As melhorias beneficiam diretamente o transporte escolar, o acesso aos serviços essenciais e o escoamento da produção agropecuária, uma das principais atividades econômicas da região.
Segundo a vereadora, os trabalhos já apresentam resultados positivos e representam uma resposta a reivindicações antigas feitas pelos moradores. A recuperação das estradas é considerada fundamental para reduzir dificuldades enfrentadas por produtores e trabalhadores rurais, especialmente durante períodos de chuva, quando muitos trechos se tornam de difícil acesso.
Além das estradas, a parlamentar voltou a chamar atenção para a situação da ponte existente no trajeto, que apresenta problemas estruturais e tem gerado preocupação entre os usuários da via. Atualmente, um desvio provisório foi implantado para garantir a passagem de veículos e evitar transtornos à população.
Lucia afirmou que continuará buscando apoio junto aos órgãos responsáveis para que a reforma da estrutura seja executada o mais rápido possível. Para ela, a obra é essencial para assegurar a mobilidade da comunidade rural e evitar prejuízos econômicos aos produtores da região.
A vereadora também reconheceu o apoio do Governo do Estado, da AGESUL, do deputado estadual Junior Mochi e do engenheiro Caio Monteiro Veloso, que têm acompanhado as demandas apresentadas para o Jauru e demais comunidades rurais de Coxim.
Outro ponto destacado pela parlamentar foi a expectativa em torno de novos avanços relacionados à MS-142, considerada estratégica para a integração da região com outras importantes rodovias estaduais. A melhoria da infraestrutura viária, segundo ela, representa mais desenvolvimento, fortalecimento da economia local e melhores condições para quem vive e produz no campo.
Mantendo uma atuação constante tanto na área urbana quanto na zona rural, Lucia da AAVC reafirmou seu compromisso de continuar ouvindo a população, fiscalizando serviços e buscando investimentos que contribuam para o crescimento de Coxim e para a qualidade de vida dos moradores.
Agenda em Coxim
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul realizou, em Coxim, uma agenda institucional estratégica voltada ao aprimoramento dos serviços prestados à...
9 de junho de 2026
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul realizou, em Coxim, uma agenda institucional estratégica voltada ao aprimoramento dos serviços prestados à população nas áreas de Direito de Família e Sucessões. A iniciativa teve como objetivo fortalecer o atendimento aos cidadãos que buscam assistência jurídica em questões relacionadas a pensão alimentícia, guarda de filhos, reconhecimento de paternidade, divórcios, inventários e partilhas.
A programação contou com a participação do coordenador do Núcleo de Família e Sucessões (Nufam), defensor público Marcelo Marinho da Silva, que esteve no município para acompanhar de perto as demandas locais, promover o alinhamento de procedimentos e contribuir para o aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas pela instituição.
Durante a visita, foram discutidas estratégias para ampliar a eficiência dos atendimentos e garantir maior celeridade na resolução dos processos que envolvem relações familiares e sucessórias. O encontro também serviu para fortalecer a integração entre os membros da Defensoria Pública e as equipes que atuam diretamente no atendimento à população da região.
A presença da coordenação estadual em Coxim reforça o compromisso da Defensoria Pública com a promoção do acesso à Justiça, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. A instituição tem buscado constantemente aprimorar seus serviços, assegurando orientação jurídica qualificada e defesa dos direitos dos cidadãos em todo o Estado.
Com iniciativas como essa, a Defensoria Pública reafirma seu papel fundamental na garantia de direitos e na construção de soluções que contribuam para a pacificação dos conflitos familiares e a proteção dos interesses das famílias sul-mato-grossenses.