terça, 23 de junho, 2026
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A violência contra a mulher continua fazendo vítimas em Mato Grosso do Sul e um dado chama a atenção pela gravidade: as mulheres jovens e em plena fase produtiva da vida são as que mais morrem em crimes de feminicídio no Estado. Levantamento baseado em registros oficiais mostra que a maioria das vítimas tinha entre 20 e 39 anos de idade, revelando um perfil que evidencia a dimensão da violência de gênero e seus impactos sobre famílias inteiras.
Nos últimos dez anos, centenas de mulheres tiveram suas vidas interrompidas em crimes motivados pelo fato de serem mulheres. A faixa etária predominante reúne mulheres que, em muitos casos, estão construindo carreira, formando família, criando filhos ou conquistando autonomia financeira. Em vez de representar proteção, o ambiente doméstico e os relacionamentos íntimos acabam se transformando no principal cenário da violência.
Outro aspecto preocupante é que a imensa maioria das vítimas nunca chegou a solicitar uma medida protetiva. O dado reforça um desafio enfrentado pelas políticas públicas de combate à violência: muitas mulheres permanecem expostas às agressões sem conseguir romper o ciclo de ameaças, controle psicológico e violência física que frequentemente antecede o feminicídio.
Embora o perfil das vítimas tenha apresentado pequenas mudanças nos últimos dois anos, com aumento proporcional dos casos envolvendo mulheres entre 40 e 49 anos, a violência continua atingindo diferentes gerações. Isso demonstra que o problema não está ligado apenas à idade, mas à permanência de uma cultura marcada pelo machismo, pelo controle sobre a vida feminina e pela intolerância diante da autonomia das mulheres.
Os registros também revelam outro retrato dramático. Em dezenas de ocorrências, o autor do crime tirou a própria vida logo após assassinar a companheira ou ex-companheira, encerrando episódios de extrema violência que deixam famílias destruídas e filhos órfãos.
Especialistas apontam que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de agressões, ameaças, perseguições e tentativas de controle. Em muitos casos, o agressor não aceita o fim do relacionamento ou reage de forma violenta à independência financeira, profissional ou emocional da vítima.
Até o momento, Mato Grosso do Sul já contabiliza 12 feminicídios neste ano, um número que mantém o alerta aceso para autoridades e instituições responsáveis pela proteção das mulheres. Cada caso reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, fortalecer a rede de atendimento e incentivar denúncias antes que a violência alcance seu estágio mais extremo.
Mais do que estatísticas, os números representam vidas interrompidas e histórias que poderiam ter tido outro desfecho. O enfrentamento ao feminicídio depende da atuação integrada entre poder público, sistema de Justiça, forças de segurança e sociedade, para que sinais de violência sejam identificados precocemente e mulheres encontrem apoio antes que seja tarde.
Responsabilidade e ética
Vivemos a era da velocidade. Nunca foi tão fácil produzir conteúdo, publicar opiniões e compartilhar informações para milhares ou até milhões...
23 de junho de 2026
Vivemos a era da velocidade. Nunca foi tão fácil produzir conteúdo, publicar opiniões e compartilhar informações para milhares ou até milhões de pessoas em questão de segundos. Ao mesmo tempo, nunca foi tão grande a responsabilidade de quem escolhe apertar o botão "publicar".
Em um cenário dominado por algoritmos, curtidas, compartilhamentos e métricas de audiência, surge uma pergunta que precisa ser feita todos os dias: até onde vale ir para conquistar visualizações?
A resposta deveria ser simples: não vale tudo.
Uma notícia mal apurada, uma fotografia retirada do contexto, um vídeo editado de forma tendenciosa ou uma acusação publicada sem comprovação podem destruir reputações construídas ao longo de décadas. Podem comprometer carreiras, romper famílias, gerar perseguições, alimentar discursos de ódio e causar danos emocionais que muitas vezes jamais serão reparados.
A internet não esquece. Enquanto uma mentira pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, a verdade costuma caminhar lentamente. Quando chega, muitas vezes encontra uma reputação já devastada.
É justamente nesse contexto que o papel da imprensa séria se torna ainda mais relevante.
Fazer jornalismo nunca foi apenas informar primeiro. Sempre foi, acima de tudo, informar corretamente. O compromisso da imprensa responsável não é com o sensacionalismo, nem com a corrida por cliques. É com a verdade, com a verificação dos fatos, com o contraditório, com o interesse público e, principalmente, com o respeito à dignidade humana.
Nem toda informação disponível merece ser publicada. Nem toda imagem precisa ser exibida. Nem toda tragédia deve ser transformada em espetáculo.
Existe uma diferença fundamental entre informar e explorar. Informar ajuda a sociedade a compreender os fatos. Explorar transforma a dor alheia em entretenimento.
A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia, mas ela caminha lado a lado com outro princípio igualmente indispensável: a responsabilidade. Liberdade não significa ausência de limites éticos. Pelo contrário. Quanto maior o alcance de um veículo de comunicação ou de um perfil nas redes sociais, maior deve ser seu compromisso com a verdade e com as consequências de cada publicação.
As redes sociais democratizaram a produção de conteúdo, mas também ampliaram a circulação de desinformação, julgamentos precipitados e condenações públicas sem direito de defesa. Em poucos minutos, uma pessoa pode ser rotulada, exposta e atacada por milhares de desconhecidos, antes mesmo que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
Por trás de um nome que aparece em uma manchete existe um ser humano. Existe uma família, filhos, pais, amigos e uma história que não pode ser resumida a um recorte de segundos ou a uma publicação feita para gerar engajamento.
Isso não significa esconder informações de interesse público ou deixar de fiscalizar autoridades, denunciar crimes ou revelar irregularidades. Pelo contrário. O jornalismo precisa continuar exercendo esse papel com firmeza. Mas há uma diferença entre investigar com responsabilidade e publicar por impulso. Entre informar e condenar. Entre buscar a verdade e alimentar uma narrativa apenas porque ela gera audiência.
A credibilidade de um veículo não se mede apenas pelo número de acessos. Ela é construída diariamente pela confiança que desperta em seus leitores. E confiança nasce da responsabilidade, da apuração cuidadosa, da transparência e da coragem de corrigir eventuais erros quando eles acontecem.
Em tempos em que qualquer pessoa pode produzir conteúdo, o maior diferencial do jornalismo continua sendo o mesmo de sempre: compromisso com os fatos.
No fim das contas, curtidas passam. Tendências mudam. Algoritmos se transformam, mas a credibilidade permanece.
TCE
A busca por uma gestão pública cada vez mais eficiente e transparente motivou uma ação conjunta entre o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e o...
22 de junho de 2026
A busca por uma gestão pública cada vez mais eficiente e transparente motivou uma ação conjunta entre o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Na última sexta-feira (19), servidores da Corte de Contas participaram de uma capacitação voltada ao aprimoramento das práticas de fiscalização das contratações públicas.
Promovido pela Escola Superior de Controle Externo (Escoex), em parceria com a Escola Superior do Ministério Público (ESMP-MS), o treinamento reuniu promotores de Justiça especializados na defesa do patrimônio público para apresentar experiências, métodos de investigação e estratégias utilizadas pelo MPMS na identificação de irregularidades em licitações e contratos administrativos.
Ao longo do encontro, foram debatidos os principais riscos encontrados em processos licitatórios, os critérios empregados na análise de documentos e as ferramentas disponíveis para prevenir danos aos cofres públicos. A programação também abordou mecanismos como Recomendações e Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), instrumentos utilizados para corrigir falhas e incentivar a regularização de procedimentos antes que irregularidades se consolidem.
A diretora de Controle Externo do TCE-MS, Valéria Saes Cominale, destacou que a aproximação entre os órgãos amplia a capacidade técnica das equipes e fortalece o controle exercido sobre a aplicação dos recursos públicos.
Segundo ela, o intercâmbio de conhecimentos entre as instituições permite aperfeiçoar métodos de fiscalização e contribui para uma atuação mais eficiente na prevenção de irregularidades e no acompanhamento da gestão pública.
Já o diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público, George Zarour Cezar, ressaltou que a iniciativa integra uma estratégia de cooperação institucional voltada ao compartilhamento de boas práticas. Conforme explicou, a proposta é unir o conhecimento técnico acumulado pelo Tribunal de Contas à experiência investigativa do Ministério Público, fortalecendo os mecanismos de controle e promovendo maior segurança jurídica nas contratações realizadas pelos órgãos públicos.
A capacitação foi conduzida pelos promotores de Justiça Luciano Bordigon Conte, Adriano Lobo Viana de Resende, Humberto Lapa Ferri e Bianka Machado Arruda Mendes, que compartilharam casos práticos, orientações técnicas e experiências relacionadas ao combate de irregularidades em contratos administrativos.