domingo, 26 de julho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Cidades

A+ A-

Coxim vira cenário de cinema com gravações do curta "Carne Amarela" e protagonismo local

Icone Calendário

10 de dezembro de 2025

Icone Autor

Glenda Melo / Diário do Estado

Continue Lendo...

Coxim vai, mais uma vez, se transforma em palco de histórias que nascem da própria terra. Nas próximas semanas começam as filmagens do curta-metragem de ficção “Carne Amarela”, produção totalmente realizada no município, com elenco formado majoritariamente por moradores da cidade e uma equipe técnica composta, em sua maioria, por profissionais coxinenses.

O filme é dirigido e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, natural de Coxim, e produzido por Marcus Teles, também nascido no município. A obra parte de textos literários da própria diretora o poema Carne Amarela e o conto: É Tempo de Ouro no Cerrado para revisitar memórias da infância vivida entre o rio, a mata, os quintais e os frutos do Cerrado, especialmente o pequi, elemento simbólico da narrativa.

Segundo Gleycielli, o projeto é a realização de um sonho antigo. “Planejei muito trazer esse filme para Coxim. É emocionante gravar na cidade onde cresci, com pessoas da terra e artistas que fazem parte dessa história. Mais de 90% do elenco é daqui, além de grande parte da equipe. É um sentimento de pertencimento muito forte”, afirma.

“Carne Amarela” propõe um reencontro com uma cidade marcada pela convivência íntima entre o urbano e o rural, quando a paisagem era composta por quintais cheios de frutos, brincadeiras ao ar livre e caminhadas em busca de pequi, ingá, goiaba e caju.

“A Coxim da minha infância era meu ‘Sítio do Picapau Amarelo’. Muitos dos lugares onde eu brincava viraram bairros. O filme é um lembrete do que ainda existe e do que não pode desaparecer”, explica a diretora, ao destacar o caráter afetivo e também educativo da produção.

No centro da história está o pequi apresentado como símbolo de resistência, cultura e sustento. “O pequi já alimentou muitas famílias, trouxe renda e nutrição. Ele resiste ao fogo e ao tempo, mas não ao machado. O filme quer despertar esse sentimento de pertencimento e cuidado com aquilo que sustentou e ainda sustenta Coxim”, reforça Gleycielli.

A personagem principal, Zoraide, representa a força das mulheres da região. Inspirada em familiares da diretora como mãe, tias, avó e bisavó, a personagem será interpretada por Maria Agripina, mãe de Gleycielli e considerada uma das pioneiras do teatro coxinense.

“É muito emocionante ver minha mãe dando vida a essa personagem que carrega tantas histórias da nossa família e da cidade. Este filme é muito pioneiro dentro de mim”, conta a diretora.

Outro destaque está na equipe: todos os cargos de direção são ocupados por mulheres, fortalecendo a presença feminina no audiovisual sul-mato-grossense. O time técnico reúne nomes conhecidos da cidade, como Robertson Isan Vieira, artesão ceramista premiado, e José Carlos Soares, cabeleireiro e designer de imagem com ampla experiência.

Além disso, oito moradores de Coxim terão sua primeira vivência profissional no audiovisual. “Queremos abrir portas. Mostrar que o set de filmagem pode ser um caminho possível para jovens da cidade, uma nova profissão e um novo futuro”, afirma o produtor Marcus Teles.

Para Marcus, filmar em Coxim foi mais que uma decisão estética. “Os textos nasceram aqui. A paisagem, a luz, o modo de vida e a presença do pequi fazem parte da essência da história. Gravar no lugar de origem é garantir autenticidade ao filme.”

O mapeamento das locações também seguiu essa lógica do afeto. “Não procuramos cenários artificiais. Reconhecemos nos espaços da cidade aquilo que a história já trazia em essência: o encontro constante entre o urbano e o rural”, destaca.

O elenco contará ainda com a presença especial do ator Breno Moroni, conhecido nacionalmente pelo personagem Mascarado da novela A Viagem e por uma carreira que soma mais de 100 trabalhos no cinema e na televisão. Em “Carne Amarela”, ele participa de seu 101º projeto audiovisual.

“Trazer o Breno aproxima duas forças: a experiência de um ator consagrado com a simplicidade regional que é a alma do filme”, avalia Marcus. Gleycielli também elogia o artista. “Ele transita com facilidade do drama à leveza cômica. É exatamente o duo que a personagem dele exige.”

A produção aborda questões como queimadas, desmatamento e perda de territórios, mas com linguagem sensível voltada também ao público infantil. “As crianças vão compreender o sentimento de perder e o de pertencer. Quando algo pertence a você, nasce a vontade de cuidar”, explica a diretora.

A proposta é despertar reflexão sem perder a delicadeza, reforçando que a preservação do Cerrado começa pelo reconhecimento do valor cultural, afetivo e histórico da terra.

A expectativa é que “Carne Amarela” circule em festivais no Brasil e no exterior, levando o nome de Coxim para além das fronteiras do estado. Para a equipe, no entanto, o principal objetivo é fazer com que a própria cidade se reconheça no cinema.

“Queremos que Coxim se veja com carinho e perceba que suas histórias merecem estar na tela grande. Esse filme é uma celebração da cidade, de suas raízes e da força do Cerrado”, afirma Marcus.

Gleycielli resume o sentimento de retorno: “Sou uma Guató de Coxim. Este filme fala sobre de onde vim e sobre quem sou.”

As gravações começam nos próximos dias. Como uma semente resistente que rompe a casca, “Carne Amarela” nasce para devolver à cidade o brilho do seu fruto mais simbólico aquele que atravessa gerações, alimenta famílias, resiste ao fogo e ensina a permanecer. E Coxim se prepara para ver sua história ganhar som, cor, movimento e tela.

O projeto conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, com execução do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, via Fundação de Cultura de MS.

Parte superior do formulário

 

Parte inferior do formulário

 

Saúde

Chikungunya já soma quase 10 mil casos em MS

  O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul mantém autoridades de saúde em estado de alerta. Dados atualizados da Secretaria de Estado de Saúde (SES)...

Chikungunya já soma quase 10 mil casos em MS

25 de julho de 2026

Chikungunya já soma quase 10 mil casos em MS

 

Continue Lendo...

 

O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul mantém autoridades de saúde em estado de alerta. Dados atualizados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que a doença já se aproxima da marca de 10 mil casos confirmados em 2026, além de dezenas de mortes registradas em diferentes municípios. Embora Coxim não esteja entre as cidades com maior número de ocorrências, o cenário reforça a necessidade de prevenção e atenção aos primeiros sintomas.

Além da chikungunya, a dengue continua circulando no Estado, com milhares de notificações registradas ao longo do ano. A combinação das duas arboviroses preocupa os serviços de saúde, já que ambas são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Conforme o boletim epidemiológico mais recente da SES, Mato Grosso do Sul contabiliza 12.803 casos prováveis de chikungunya em 2026. Desses, 9.686 já foram confirmados por exames laboratoriais ou critérios clínico-epidemiológicos.

A doença também já provocou 28 mortes no Estado, enquanto outro óbito ainda é investigado. As vítimas foram registradas em municípios como Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã e Nioaque.

Outro dado que chama a atenção é o registro de 114 gestantes diagnosticadas com chikungunya, grupo que exige acompanhamento médico devido aos riscos associados à infecção.

Embora apresente números inferiores aos da chikungunya, a dengue continua exigindo vigilância. O Estado já notificou 4.718 casos prováveis da doença, sendo 1.815 confirmações neste ano.

Nos últimos dias, diversos municípios apresentaram baixa incidência da doença, indicando um cenário de controle em parte do Estado, sem afastar o risco de novos focos.

Em Coxim, as equipes de saúde reforçam constantemente a importância da participação da população no combate ao mosquito transmissor. Mesmo quando o número de casos permanece controlado, o período de temperaturas elevadas alternado com chuvas favorece o surgimento de criadouros do Aedes aegypti.

A recomendação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, como pneus, garrafas, vasos de plantas, calhas e caixas d'água destampadas. A maior parte dos focos do mosquito continua sendo encontrada dentro dos quintais das residências.

Mato Grosso do Sul também mantém a campanha de vacinação contra a dengue para o público-alvo. O Estado já recebeu mais de 241 mil doses do imunizante e aplicou mais de 223 mil.

A vacina é destinada a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos e é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Especialistas destacam que a imunização reduz significativamente o risco de formas graves da doença, mas não substitui as medidas de prevenção contra o mosquito.

A orientação dos profissionais de saúde é que qualquer pessoa com febre, dores intensas nas articulações, dor no corpo, manchas avermelhadas na pele ou outros sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya procure imediatamente uma unidade de saúde.

O diagnóstico precoce permite o acompanhamento adequado e reduz o risco de complicações, principalmente em idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas. Enquanto isso, a prevenção continua sendo a principal arma para impedir o avanço das arboviroses em Coxim e em todo Mato Grosso do Sul.

Dados

Violência contra a mulher avança em Mato Grosso do Sul e lesões em ambiente doméstico crescem 20%

A violência contra a mulher continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública em Mato Grosso do Sul. Dados divulgados ontem, quinta-feira (23), pelo 20º...

Violência contra a mulher avança em Mato Grosso do Sul e lesões em ambiente doméstico crescem 20%

24 de julho de 2026

Violência contra a mulher avança em Mato Grosso do Sul e lesões em ambiente doméstico crescem 20%

 

Continue Lendo...

A violência contra a mulher continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública em Mato Grosso do Sul. Dados divulgados ontem, quinta-feira (23), pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Estado registrou aumento em importantes indicadores relacionados à violência de gênero, reforçando o alerta sobre a necessidade de ampliar as ações de prevenção, proteção e enfrentamento aos agressores. 

Entre os dados que mais preocupam está o crescimento de 19,4% nos casos de lesão corporal dolosa praticada no contexto de violência doméstica, indicando que um número maior de mulheres foi vítima de agressões dentro do ambiente familiar em comparação com o ano anterior. 

O levantamento também aponta que Mato Grosso do Sul apresentou alta de 4,9% na variação geral dos principais indicadores de violência contra a mulher, demonstrando que, apesar dos esforços das forças de segurança e da rede de proteção, os casos continuam exigindo atenção das autoridades. 

Outro dado que chama a atenção no anuário é o elevado número de ocorrências relacionadas ao descumprimento de medidas protetivas de urgência. Segundo o levantamento, foram registrados cerca de 96 mil casos, evidenciando que muitas mulheres continuam enfrentando riscos mesmo após recorrerem à Justiça em busca de proteção. 

As medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha têm como objetivo impedir a aproximação do agressor e garantir a segurança da vítima. No entanto, o elevado número de descumprimentos demonstra que, em muitos casos, os autores continuam desrespeitando as determinações judiciais. 

Embora os números revelem avanço em parte dos registros, o anuário também mostra que alguns crimes relacionados à violência contra a mulher apresentaram queda em relação ao levantamento anterior. O estudo, porém, destaca que o aumento das ocorrências de agressão física e da violência doméstica mantém o cenário em estado de alerta. 

Especialistas apontam que a ampliação dos registros também pode refletir uma maior procura das vítimas pelos canais oficiais de denúncia, resultado das campanhas de conscientização e do fortalecimento da rede de atendimento. Ainda assim, os índices reforçam que a violência de gênero permanece como um problema estrutural que exige atuação permanente do poder público e da sociedade. 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é considerado um dos principais levantamentos nacionais sobre criminalidade e reúne dados enviados pelos órgãos oficiais de segurança dos estados brasileiros. 

Os números divulgados reforçam a importância da denúncia como ferramenta para interromper o ciclo da violência. Além do trabalho das polícias e do Poder Judiciário, especialistas defendem o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao acolhimento das vítimas, à prevenção e à responsabilização dos agressores. 

Em Mato Grosso do Sul, o crescimento dos registros evidencia que a violência contra a mulher continua sendo uma realidade que exige vigilância constante, ações integradas e o compromisso de toda a sociedade na proteção das vítimas e na construção de um ambiente mais seguro para as mulheres.