Em evento sobre Lava Jato, PF confirma novas etapas de operações em MS
24 OUT 2017 • POR • 08h20Delegado do Núcleo de Inteligência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Guilherme Guimarães Farias afirmou ontem (23) que novas fases da Operação Lama Asfáltica podem ser aguardadas no Estado, durante conversa com acadêmicos de Direito da Uniderp na Semana Jurídica.
“A Lama Asfáltica tem todo um caminho ainda a ser percorrido, sim, assim como a Lava Jato. É sempre uma investigação que secia sem muitas intenções, mas com a análise de documentos acabamos chegando a mais provas. A divisão em fases facilita o trabalho. Estamos fazendo [na Lama Asfáltica] nesse sentido. Facilita a analisar o volume muito grande de documentos”.
Fruto de trabalho conjunto com a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União (stério da Transparência), a Operação é realizada na Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal. “Nós [Núcleo de Inteligência] dependemos de laudos periciais, mas temos boa estrutura de peritos. Tanto que a Superintendência do Estado é uma das mais eficientes do Brasil, em termos de produtividade”.
Evitando dar detalhes sobre o conteúdo sigiloso das operações, o delegado abordou temas como corrupção e as outras faces do trabalho da Polícia Federal no Estado. Para Guilherme, o caminho da corrupção é sempre o mesmo.
“Segue sempre os mesmos padrões. Começa de pequenos atos. O problema é que a corrupção está entranhada e temos que extirpar este câncer, que não está só na classe política. Existem atos de corrupção que ainda não são tão percebidos, como a venda do voto, que pode chegar a causar um dano em toda a engrenagem, como têm causado na política. É por aí que temos que perceber e combater a corrupção”.
Além de apoiar o trabalho da Lama Asfáltica com filtragem de informações, para que os documentos úteis sejam usados nas investigações, o Núcleo de Inteligência também auxilia na troca de informações, como pesquisa do caminho do dinheiro desviado.
“A lavagem de dinheiro é um crime transacional. Não tem como falar em lavagem sem falar de paraísos fiscais, que antes eram só o Uruguai e Panamá e hoje têm essa teia no mundo todo. Claro que a legislação também evoluiu e temos o stério da Justiça que trabalha em conjunto auxiliando nessa troca de informações com outros países. É uma demanda muito forte da Lava Jato, usada também na Lama Asfáltica”.
