Comitê Olímpico cogita incluir e-sports como modalidade oficial
11 SET 2017 • POR • 13h36
As competições de games, mais conhecidas como e-sports ou jogos eletrônicos, poderão ser incluídas na programação olímpica da Paris 2024.
Tony Estanguet, presidente do comitê de candidaturas de Paris, se reunirá com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os principais representantes da indústria dos jogos eletrônicos para estudar a inclusão dessas competições nas olimpíadas a serem realizadas na França.
“Temos de avaliar a possibilidade porque não podemos dizer que não nos diz respeito ou que não tem nada a ver com as Olimpíadas”, disse Estanguet em entrevista à agência AP. “Os jovens se interessam pelos e-sports e coisas do gênero. Vamos ver. Vamos nos reunir com eles. Vamos ver se conseguimos estabelecer algumas pontes”.
Los Angeles, uma das cidades candidatas aos Jogos, fez um acordo com o COIpara realizar a edição de 2028, permitindo que Paris abrigue a de 2024. Esse acordo tripartite será ratificado na sessão do COI de 13 de setembro em Lima (Peru).
Em abril, o Conselho Olímpico da Ásia incluirá várias competições de games na programação oficial dos Jogos Asiáticos de 2022, que serão realizados em Hangzhou (China).
Os e-sports são um fenômeno de grande amplitude e muita aceitação entre os jovens. Sua popularidade eclodiu com o lançamento do popular game para PC League of Legends e o auge das plataformas de transmissão de jogos ao vivo como o Twitch, que foi comprado pela Amazon por 978 milhões de dólares. Neste mês de agosto, foi realizado o The International, o maior torneio de Dota 2do mundo, com premiações que somaram mais de 24 milhões de dólares.
A Newzoo, empresa de pesquisa e análise de audiência especializada em mercados digitais e games, estima que os esportes eletrônicos chegam a gerar receitas em torno de 700 milhões de dólares no mundo inteiro. Para 2020, estima-se que essa quantia chegue a 1,5 bilhão de dólares. É um mercado significativo, que não para de crescer.
“Ainda não está claro se os esports são realmente um esporte no que diz respeito à atividade física e quanto ao que é necessário para que sejam considerados como tal”, disse o presidente do COI, Thomas Bach, à publicação digital insidethegames depois de saber da inclusão da modalidade nos Jogos Asiáticos. “Não existe uma organização ou uma entidade que nos dê a certeza e a garantia de que essa modalidade respeita e cumpre as regras e valores olímpicos do esporte ou que essas regras possam ser implementadas e monitoradas com segurança”.
Bach se refere à inexistência de uma federação internacional com a autoridade necessária para que essas atividades estejam sempre submetidas aos valores das olimpíadas. Mas ele tem consciência, por outro lado, da presença ampla de que gozam os e-sports entre os mais jovens, o que se tornou uma das prioridades do COI na definição de suas últimas programações, com a inclusão de jogos urbanos em Tóquio 2020.
A audiência dos Jogos Olímpicos tem caído em mercados importantes, como o dos Estados Unidos, sobretudo entre o público mais jovem. Os ‘esports’ poderiam ser um bom meio para se conectar com os jovens desconectados da televisão tradicional.
