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O agronegócio e a política na visão de Valdir Dalpasquale

6 SET 2017 • POR João Carlos Silva / Diário do Estado • 09h45

1. O senhor foi um dos principais desbravadores da região norte levando energia para a extensão da cidade de São Gabriel onde estabeleceu sua agricultura e pecuária.  O que mudou de lá para cá?

VD: Mudou tudo. Os conceitos são outros.  Os valores mais ainda. Éramos um grupo de malucos que resolvemos desbravar o norte precisamente São Gabriel D&39;oeste.  Não tinha nada! Fui o responsável pela primeira etapa da energização que a cidade recebeu principalmente a rural. Reunimos os sulistas e fomos para a luta. Não tinha sol nem chuva muito menos dia e noite. Eu, Teldo Kasper, Waldemar Grimm, Balduino Maffisoni entre outros desbravamos tudo aquilo ali. Instalamos lá nossa cultura na agricultura e outros vieram nos acompanhar. Hoje tudo é luxo e tecnologia . Muitos nem lembram disso.

2. O agronegócio é um bom negócio no estado?

VD: Muito.  Poderia ser mais excepcional se o governo cuidasse de nós produtores com carinho. Isso é difícil. Nos tempos atrás eu trazia grandes executivos de bancos internacionais para conhecerem a capacidade de produção do estado e a força do homem do campo. Banco do Brasil não tinha o segmento de apoio rural. Hoje é o banco do campo. Os encargos do governo são pesados e o preço do  combustível e do frete em estradas esburacadas são um horror. Se o governo abraça o agronegócio nós seríamos o maior espetáculo da terra. 

3. Essas questões políticas que vive o Brasil é esperança para uma faxina geral?

VD: Tomara. Chegamos no fundo do poço.  A roubalheira é descomunal. Enquanto eu embarco um caminhão de gado para abate no frigorífico e recebo o dinheiro contado pelo trabalho apurado no campo, malas e malas e mais malas de dinheiro de corrupção vão surgindo.  Isso desanima sabia? Não dá para assistir televisão nem ler jornais impressos ou pela internet. Só passa notícia ruim.

4. O senhor foi convidado recentemente num grande evento do agronegócio para emprestar seu nome para compor uma chapa de suplente de senador. Essa idéia prospera e te seduz?

VD: Olha, eu me surpreendi. Gosto de política e sempre estive envolvido ajudando meus amigos. Tenho muitos funcionários que trabalham em minhas propriedades, gosto de fazer reuniões para que meus amigos candidatos possam levar suas propostas e não me colocava como candidato.  Não tinha tempo e isso é para profissional. Eu sou do campo.  Respiro agricultura e pecuária 24 horas. Quando vieram com esse convite de participar como suplente ao senado em uma chapa interessante e de boas propostas para a população e desenvolvimentista, me interessei . Foi num almoço em minha casa com amigos empreendedores e do setor rural que resolvi entrar na parada. Quero prestar mais um serviço ao estado que me acolheu e aqui construí uma sólida base familiar.  Meu amigo pessoal Dr. André Puccinelli foi o primeiro que me ligou para incentivar entrar nas eleições do ano que vem. Desde então não parei mais de receber amigos e políticos para discutirmos o Estado. Já tenho visitas em cidades do interior que querem que eu palestre sobre o agronegócio e suas perspectivas.  Talvez seja por eu ser nome conhecido e sem rasuras na biografia que querem que eu me candidate.  Sendo assim e com o Brasil sendo passado em folha a limpo eu estou na disputa. Acho que correspondo nas expectativas pois conheço cada palmo de chão desse estado. Quem construiu sabe preservar sem nunca destruir.