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Mulher torturada pelo marido abre o coração e revela que sustentava a casa

10 AGO 2017 • POR César Rodrigues • 13h07

Codinome “mais uma”, sem rosto ou identidade, mas com o coração amargurado e ainda marcado pelas surras quando não tinha dinheiro para o “companheiro” tomar cachaça. 

Agressões físicas, psicológicas e sexuais já faziam parte da vida desta mulher sentiu-se à vontade para abrir o coração após as manifestações sobre o massacre de outras e das ações relacionadas ao “Agosto Lilás” na mídia. Foram dois relacionamentos e ambos marcados por sessões de espancamentos, mesmo com o bebê no colo. Às vezes é difícil acreditar que pessoas sofram tanto, mas basta acompanhar a ação diária do plantão policial para que tenhamos a certeza que a realidade é bem pior que imaginamos  

LIXO HUMANO – Maria do Carmo (nome fictício) ainda se revolta ao lembrar de sua história, o drama pessoa de tortura e flagelação ao qual foi submetida por dois companheiros. Isso nem pode ser chamado de homem, não passa de um lixo humano, um sujeito sem escrúpulos que não respeita sua própria mulher. É um miserável e deve ser ela quem sustenta ele, como já aconteceu comigo. 

DAVA DINHEIRO PARA NÃO APANHAR - Tinha que trabalhar para pagar as despesas da casa e ainda dar dinheiro para o canalha tomar cachaça, senão apanhava muito. Esse tipo de lixo tem que ser punido. Mais punido de verdade, para que isso não venha se repetir e até mesmo compensar o fato dela ter clamado por ajuda e ninguém aparecer. Odeio só em lembrar dessa situação 

ESTUPROS E SURRAS - Foram dois relacionamentos sofrendo. O primeiro com agressão física, psicológica e sexual pois ele passava a noite inteira nas festa e quando chegava em casa me obrigava a manter relação com ele. O tempo todo falava que eu era feia. Comprava uma roupa vestia para ele ver e ele dizia - se fosse pelo menos uma mulher bonita -. Eram muitas as humilhações que eu já me sentia realmente muito feia. Ao sair vestia meu guarda roupa inteiro e mesmo assim sentia-me horrorosa.

SOCOS COM O BEBÊ NO COLO - Apanhava mesmo estando de dieta, com o bebê recém -nascido no colo, ele não respeitava. Aguentei isso por oito anos.   Já no segundo relacionamento a mesma coisa porque tinha que sustentar a casa sozinha e ainda dar dinheiro para o companheiro beber. Mesmo grávida tinha que sair de casa correndo à noite para não apanhar. Para dar basta em ambos sai de casa praticamente fugida. Ele ainda entrou na justiça dizendo que eu tinha abandonado o lar e perdi o direito no imóvel. No primeiro não tinha a coragem de denunciar, mas no segundo foram vários boletins de ocorrências e um Medida Protetiva ainda guardada. 

NARRATIVA da Maria do Carmo foi condicionada á omissão da identidade, mas   revela as humilhações pelas quais muitas mulheres passam.