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Conheça a "tropa de choque" de Temer que tenta barrar a denúncia da PGR

2 AGO 2017 • POR G1 • 12h13

 

Diante de um cenário político adverso para o presidente Michel Temer, denunciado pela Procuradoria Geral da República e com a popularidade em 5%, três parlamentares têm chamado a atenção pela defesa política de Temer na Câmara: os deputados Carlos Marun (PMDB-MS), Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Beto Mansur (PRB-SP). A "tropa de choque".

Marun, Perondi e Beto Mansur têm se reunido diariamente com o presidente no Palácio do Planalto e no Palácio do Jaburu. Eles fazem discursos para defender Temer e concedem entrevistas – várias vezes ao dia. E são eles alguns dos responsáveis por procurar os deputados indecisos e convencê-los a votar contra a denúncia.

Temer foi denunciado pela PGR ao Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção passiva com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS. 

Mas o STF só poderá analisar a denúncia se a Câmara autorizar. A votação está marcada para hoje. 

No plenário, os deputados analisarão o parecer aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomenda a rejeição da denúncia.

Zagueiro
Marun gosta de se apresentar como um dos "zagueirões" de Temer. Em seu primeiro mandato de deputado, o peemedebista de 56 anos passou a ser conhecido nacionalmente em 2015, quando se tornou um dos principais defensores de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje deputado cassado e atualmente preso pela Polícia Federal.
Gaúcho, Marun construiu a carreira política no Mato Grosso do Sul, onde foi vereador, deputado estadual e secretário de Habitação.
Descendente de libaneses, assim como Temer, Marun se aproximou do presidente durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. De lá para cá, a relação entre eles se estreitou e os encontros ficaram mais frequentes. Marun ganhou, por exemplo, a presidência da comissão especial que analisou a reforma da Previdência Social, um dos principais projetos do governo Temer.

Porta-voz
Tido como o "porta-voz" de Temer na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS) está no sexto mandato e teve 109,8 mil votos nas últimas eleições, em 2014. Ele convive com o amigo "Michel" há mais de 20 anos.
A relação política entre os dois se estreitou em 1996. À época, Perondi pedia para acompanhar as reuniões de Temer sobre a reforma da Previdência proposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Desde o ano passado, quando o governo apresentou uma nova proposta de reforma, ele passou a ser um dos principais defensores.
Ainda em 2016, Darcísio Perondi foi escolhido relator de uma das principais propostas do governo para a área econômica, a PEC que estabeleceu o teto para o aumento dos gastos públicos, aprovada no fim do ano passado.
No recesso parlamentar de julho, o gaúcho permaneceu em Brasília praticamente todos os dias. Por fazer parte da “tropa de choque”, atuou nas últimas semanas para convencer deputados a votar contra a denúncia e frequentou diariamente o Salão Verde da Câmara dos Deputados, que, durante o recesso, costuma ser ocupado somente por jornalistas.
“Sem o Michel, o Brasil afunda. Sem o Michel, as reformas param. O Brasil não aguenta uma nova troca de presidente”, afirma o deputado, um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff.

Homem dos mapas
Desde que passou a integrar a "tropa de choque" de Temer, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) passou a ser o "homem dos mapas e gráficos".
É num pen-drive guardado na carteira que o deputado paulista guarda os dados que projeta sobre a votação da denúncia. O levantamento atualizado todos os dias e as informações são enviadas a Temer e aos ministros da coordenação política, como Eliseu Padilha (Casa Civil), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).
As projeções de Beto ganharam fama a partir do impeachment, quando ele também montou planilhas para mapear o placar da votação. Ele afirma que errou por um voto – foram 367 pelo prosseguimento do caso e o parlamentar havia previsto 368.
De lá para cá, as planilhas de Beto Mansur, hoje vice-líder do governo, passaram a ser consultadas em votações como a da PEC do Teto e a da reforma trabalhista.