Relator da CCJ acusa Temer de distribuir verba para obter votos contra parecer
14 JUL 2017 • POR R7 • 13h58
Em fala agressiva durante defesa de seu parecer na relatoria da CCJ (Comissão de Constituição de Justiça), Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) acusou Michel Temer de compra de votos para obter na comissão decisão contrária à abertura da investigação contra o presidente.
— O senhor Michel temer, contra quem pesam seríssimos indícios, acha que pode, usando bilhões de reais de dinheiro público, submeter a Câmara dos Deputados a seu bel sabor para proibir a sociedade de saber o que realmente aconteceu.
Advogado, Zveiter argumentou que os “bilhões de reais” repassados a parlamentares configurariam outro crime, do qual o presidente não é acusado:
— Distribuir bilhões em dinheiro público é obstrução de justiça. Para que os deputados venham aqui nesta comissão atrás de liberação de verba, emendas parlamentares e cargos, e votarem contra este parecer.
Ele ainda reforçou que uma eventual derrota do parecer na CCJ “representa não uma derrota do relatório, mas do povo brasileiro”.
Defesa em plenário
Sergio Zveiter afirmou que o PMDB, partido seu e do presidente Michel Temer, o ameaça de expulsão devido seu posicionamento na CCJ. “Se eu soubesse que o PMDB quer que eu aprove a entrega de emendas parlamentares e cargos para obter apoio, jamais entraria no PMDB”, afirmou o relator.
O peemedebista garantiu que irá defender seu parecer a favor da investigação do presidente Michel Temer no plenário da Câmara, no caso de uma eventual derrota do relatório na comissão.
— Vou defender meu voto até o final julgamento na casa, porque o PMDB nem nenhum deputado pode me tirar esse direito. Não estamos aqui para condenar ou absolver Michel Temer, mas para aprovar que sejam feitos os devidos esclarecimentos. O Presidente da república quer tirar o direito da população de ver esclarecidos os fatos. Subtrair do povo brasileiro o direito de ter certeza absoluta sobre o que aconteceu em todo esse episódio é um equívoco ao qual eu absolutamente não posso concordar.
Aprovado ou não, a denúncia da PGR contra Michel Temer e o parecer do relator serão votados na Câmara dos Deputados, e, caso seja aprovado por 2/3 da Casa, segue para o STF (Supremo Tribunal Federal) que decide se afasta ou não o presidente por 180 dias para encaminhar a investigação.
Publicidade Fechar anúncioPara o deputado, a narrativa do procurador-geral da República, Eduardo Janot, “é fortíssima”.
— O presidente recebeu fora de horário, no palácio do Jaburu, residência presidencial, um empresário que respondia a inúmeros processos, e indicou, sim, o senhor Rocha Loures, que posteriormente recebeu 500.000 de propina.
Zveiter criticou os deputados que foram trocados, segundo ele, de forma artificial, para conseguir o apoio ao presidente. “Aqueles que foram retirados a força daqui não poderão se esconder no plenário, com voto aberto. Esse resultado artificial pode parecer uma derrota ao relatório, mas é só o começo da discussão da matéria”, afirmou o deputado, afirmando que a sujeição a manobras leva à rejeição dos políticos pela população.
A CCJ deve votar hoje, por volta das 16h, a aprovação da denúncia do promotor-geral da República, Eduardo Janot,
