Temer gasta R$ 100 milhões com publicidade por reforma da Previdência
12 JUL 2017 • POR Redação • 13h00
Enfrentando baixa popularidade e vivendo o momento mais crítico de seu governo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer já gastou neste ano R$ 100 milhões em campanha publicitária para defender a reforma da Previdência, uma das principais bandeiras de seu governo.
A reforma, que ainda está no Congresso, é defendida como primordial para diminuir o rombo nas contas públicas. Segundo a equipe econômica do governo estimou, o déficit previdenciário é de R$ 149 bilhões.
O dinheiro usado entre janeiro e junho de 2017 com a publicidade sobre a reforma equivale a mais da metade (55%) de todo o orçamento para campanhas publicitárias do governo neste ano.
O gasto é também maior do que as despesas do governo com programas sociais como os que preveem a defesa dos direitos das mulheres.
Um dos eixos centrais da reforma é que o negociado prevalece sobre o legislado. Isso permitiria que acordos trabalhistas modifiquem pontos da lei, como a redução do intervalo do almoço para 30 minutos. Também poderão ser feitas negociações para determinar jornada de trabalho, registro de ponto, trocas de emendas de feriado, entre outros pontos polêmicos.
INCONSTITUCIONAL
Um grupo de 14 entidades assinou nota conjunta que aponta uma série de inconstitucionalidades na reforma trabalhista.
“O texto está contaminado por inúmeras, evidentes e irreparáveis inconstitucionalidades e retrocessos de toda espécie, formais e materiais”, diz documento assinado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados Brasil (OAB), entre outras entidades.
PESSIMISMO
O discurso público pregado pelo Palácio do Planalto e repetido pela base aliada é de que Michel Temer tem votos para se livrar da denúncia de Rodrigo Janot na Câmara. O prognóstico traduz apenas uma frágil esperança de quem o entoa.
No entanto, nos bastidores, os próprios líderes do governo admitem que só um milagre evitará que o governo Temer não vá para o buraco.
