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Licitações da Sefaz-MS são suspeitas de direcionamento

29 JUN 2017 • POR • 12h06

 

Servidores e empresários que prestam serviços de informática apontam indícios de direcionamento e superfaturamento em dois contratos milionários recentemente licitados pela Sefaz-MS (Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul) para atendimento às demandas de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) no Governo de MS.

Os valores passam de R$ 33 milhões e uma das vencedoras foi citada no relatório da Operação Lama Asfáltica.

Foram dois lotes licitados, e a Geoi2, empresa do grupo Imagetech, levou o primeiro deles por um custo mensal de R$ 1,2 milhão, enquanto a PSG Tecnologia Aplicada ficou com a maior fatia, R$ 18,1 milhões anuais, ou R$ 1,5 milhão por mês. Somente esta última já recebeu quase R$ 270 milhões do governo estadual desde 2012 até junho deste ano, e chegou a ser apontada pela Polícia Federal como empresa ligada ao empresário João Baird.

Para receber os R$ 15 milhões anuais, a Geoi2 apresentou a melhor proposta para desempenhar atividades de análise e desenvolvimento de sistemas de informação e prestar serviço de ‘Contact Center/Call Center’, o que envolve contratação de pessoal para atender, segundo a licitação, "até 1,2 milhão de pessoas". Todavia, o edital não especificou quantas pessoas serão contratadas, tampouco detalhou os custos da contratação milionária.

Já a PSG, abocanhou o novo contrato de R$ 18 milhões para fornecer desde serviços de microfilmagem até um "mainframe", computador de grande porte dedicado ao processamento de considerável volume de informações, mas que sequer é da empresa. O equipamento é, na verdade, alugado da fabricante, IBM.

Para "atravessar" a locação e lucrar, a empresa teria, segundo concorrentes, recebido favorecimento para ganhar a licitação com as especificações no edital sobre o mainframe. Coincidentemente, o grupo supostamente liderado pelo empresário João Baird, do qual a PSG é suspeita de fazer parte, já possui um equipamento exatamente do tipo especificado no certame, inclusive em atividade dentro do governo estadual.

Além disso, servidores da SGI (Superintendência de Gestão da Informação), que preferiram manter o anonimato, revelam que o mainframe, é uma tecnologia mais cara e complexa que outras existentes no mercado atualmente, que realizam as mesmas tarefas com equipamentos modernos com custo menor e mais agilidade.