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Avião com cocaína teria decolado de fazenda de ministro da agricultura

26 JUN 2017 • POR Veja • 19h49

 

O avião bimotor apreendido ontem no interior de Goiás com 653,1 quilos de cocaína teria decolado de uma fazenda que pertence à empresa Amaggi, do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. A informação do local de decolagem foi fornecida pelo piloto da aeronave à Força Aérea Brasileira (FAB) durante a abordagem e, de acordo com a FAB, “a confirmação do local exato fará parte da investigação conduzida pela autoridade policial”. A Amaggi diz não ter ligação com o bimotor e que aguarda o resultado das investigações sobre a propriedade da aeronave e as circunstâncias do voo.

Inscrita no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) sob a matrícula PT-IIJ, a aeronave modelo Piper Aircraft 23 teria partido da Fazenda Itamarati do Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT), com destino a Santo Antônio do Leverger (MT) e foi interceptada por um caça A-29 Super Tucano da FAB na região de Aragarças (GO).

Inicialmente, conforme a FAB, o piloto do bimotor seguiu as orientações para pousar no aeródromo de Aragarças, feitas via rádio pelo caça, mas acabou não cumprindo a ordem e ainda ignorou outra recomendação de pouso. O avião só aterrissou na zona rural do município de Jussara (GO) depois de a aeronave da Força Aérea realizar um tiro de aviso. O disparo, que não atinge o avião suspeito, é o último recurso empregado quando as ordens da defesa aérea não são atendidas.

O piloto do bimotor fugiu depois do pouso e não foi localizado nem mesmo pelas buscas do helicóptero da PM na região. Registrado em nome de Jeison Moreira Souza, o avião está em situação regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e foi removido ao quartel da PM em Jussara. A droga apreendida será encaminhada à Polícia Federal em Goiânia.

A droga foi apreendida na Operação Ostium, deflagrada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), da Força Aérea, com apoio da Polícia Federal e da Polícia Militar de Goiás. O objetivo da ação foi interceptar voos que pudessem estar ligados ao tráfico de drogas na fronteira seca do Brasil.

Inicialmente, a FAB informou que haviam sido apreendidos 500 quilos de cocaína, número atualizado pela PM goiana para 653,1 quilos, carga avaliada em cerca de 13 milhões de reais.

Por meio de nota, a Amaggi diz ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa e “se coloca à disposição das autoridades para prestar todo apoio possível às investigações do caso”. A empresa afirma que arrenda parte da Fazenda Itamarati, propriedade de 54.300 hectares com 11 pistas autorizadas para pouso.