André Puccinelli presta depoimento na PF
12 MAI 2017 • POR • 11h49
A Polícia Federal cumpriu ontem às 6h da manhã ordens judiciais de busca, apreensão e prisão em diversos endereços de Campo Grande. Um dos mandados ocorreu no apartamento do ex-governador André Puccinelli (PMDB), que foi levado para a sede da Polícia Federal em condução coercitiva em cumprimento a mandado expedido dentro da Operação Lama Asfáltica.
O ex-governador Puccinelli prestou depoimento na Policia Federal, para onde foi encaminhado junto com o filho André Puccinelli Junior, o dono da gráfica alvorada, Mirched Jafar Júnior e sua esposa Rosana e o ex-secretário adjunto de fazenda André Cance.
A quarta fase desencadeada ontem resume em 44 mandados entre prisão preventiva, condução coercitiva e busca e apreensão em quatro cidades de MS e outros dois estados. São investigados fraudes em licitações, superfaturamentos em obras públicas e pagamento de propinas e desvios no valor estimado em R$ 150 milhões.
André foi liberado após depoimento
Segundo o delegado Cleo Mazzotti a Polícia Federal chegou a pedir a prisão preventiva contra Pucinelli, mas como alternativa foram aplicadas medidas cautelares, como colocação de tornozeleira, proibição de deixar a cidade e fiança de R$ 1 milhão, que o ex-governador não tem como pagar por ter os bens bloqueados, segundo adiantou o advogado, Renê Siufi. Foi estipulado prazo de dois dias para recolher a quantia. Ficará a critério da Justiça definir o que será feito se não houver o pagamento. Uma das possibilidades, segundo Mazzotti, é conversão das cautelares em prisão
Foram presos André Cance, ex-secretário-adjunto da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), o dono da gráfica Alvorada, Micherd Jafar Junior; e o ex-coordenador de licitações da Semad (Secretaria Municipal de Administração), Mauro Cavalli que foi encontrado por policiais federais em uma fazenda no município de Bonito. Também foi detido o Proprietário da H2L Soluções, Rodolfo Holsback.
Justiça determinou bloqueio de R$ 4,4 bilhões de investigados
A Juíza federal Monique Marchioli Leite autorizou o bloqueio de bens em até R$ 100 milhões de cada um dos 44 alvos da Operação Máquinas de Lama, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de ontem. O objetivo é cobrir os prejuízos aos cofres públicos, que somados podem chegar a R$ 4,4 bilhões. Entre os nomes já revelados pelos investigados está o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o ex-secretário-adjunto de Fazenda, André Cance, e o empresário Mirched Jafar Junior. Também estão as empresas Gráfica Alvorada, JBS Eldorado, H2L Soluções e Digix, que antigamente tinha o nome DigithoBrasil e prestava serviços para o governo do Estado.
As informações do delegado da Polícia Federal, a nova fase da Operação Lama Asfáltica identificou desvios de R$ 80 milhões em contratos com o Poder Público e R$ 22 milhões usados no pagamento de propinas para empresários, servidores públicos e políticos. Somando com as fraudes de R$ 11 milhões e R$ 43 milhões identificadas nas outras fases da investigação, os desvios já somam mais de R$ 150 milhões. Os participantes do esquema realizavam superfaturamento de 20% sobre as obras e serviços, com a emissão de notas frias e aluguéis ‘fantasmas’ de máquinas. A Operação em Mato Grosso do Sul foi deflagrada além de Campo Grande, Nioaque, Porto Murtinho e Três Lagoas, além de São Paulo (SP), Curitiba(PR). A Operação contou com 270 agentes da Policia Federal, Controladoria Geral da União e Receita Federal. Operação Lama Asfáltica foi deflagrada no dia 9 de julho de 2015.
