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Começa a todo vapor o feirão da política

24 SET 2014 • POR • 08h55

No Brasil, sobram partidos e a grande maioria dos 32 existentes não tem nenhum compromisso com um conjunto de idéias ou diretrizes. Na verdade eles só têm donos e só existem de fato nos cartórios eleitorais. Desta forma, quase todos nanicos alugam tempo de TV e faturam algum dinheiro com o Fundo Partidário. A pequena feira começa quando os grandes partidos alugando os pequenos. Para completar a lógica, os maiores é que pagam todas as despesas de campanha dos pequenos.
Porém, essa feira é invisível aos olhos dos eleitores e dos agentes de fiscalização eleitoral. A população não vê a presença desses “feirantes” e enxerga apenas as pequenas celebridades que aparecem na TV e nelas, se espelham. Esta é a pequena feira, pois seus “produtos” já foram negociados e estão à “venda”.
Começa assim o grande “feirão”. Ou seja, a contratação de cabos eleitorais que decide os rumos das campanhas proporcionais tanto de deputados federais como estaduais e raras vezes dos majoritários, como senadores, governadores e presidente. É uma feira de alta complexidade e organização. Nela apenas uma mercadoria tem preço: o voto.
O início do grande “feirão” começa mesmo nos bancos. A difícil tarefa de ludibriar o saque de altas quantias conta com o apoio de gerentes ou uma rede de assessores de campanha, onde cada um fica encarregado de sacar menos de R$ 5 mil. De posse de grandes caixas - contendo notas de R$ 50 ou R$ 100, para facilitar o trabalho dos contratadores - os responsáveis por cada região, cidades ou bairros são reunidos. A distribuição do dinheiro tem caráter meramente científico e é feita a partir dos dados populacionais do IBGE, do TRE e das pesquisas eleitorais. Assim, a dispersão dos recursos pulverizados é menos vulnerável à fiscalização e pode resultar em maior produtividade para os grandes partidos.
Durante o período eleitoral, os contratadores organizam uma vasta rede de líderes de bairros, sindicais e associativos. Neste grande “feirão”, já estão montadas todas as “barracas”, que são os locais onde são contratados os cabos eleitorais. Os organizadores das “barracas” recebem de acordo com dois quesitos: confiabilidade e quantidade. 
Definitivamente não existem documentos nem qualquer tipo de papel, apenas confiança. São pessoas experientes e conhecidas por todos os políticos, e em seus locais de atuação. O segredo da transação é compartilhado por verdadeiras multidões que se dirigem às “barracas” empunhando seus títulos eleitorais, e são cadastrados para uma conferência a ser feita com os dados divulgados pelos TRE’s visando aferir a produtividade de cada “barraca”. Esta, por sua vez, ganhará ainda mais credibilidade se obtiver pelo menos 50% de resultados sob pena de ter sua imagem deteriorada para a próxima eleição caso o resultado seja inferior a 30%.
A contratação geralmente é feita usando o critério do pagamento de 50% do que for negociado na reunião que ocorre nas “barracas” e a outra metade após o resultado final da eleição. O valor médio da contratação é orçado em R$ 100, dada as dificuldades financeiras encontradas em todos os comitês eleitorais no atual cenário político. 
Cumpre-nos ressaltar que as campanhas eleitorais no Mato Grosso do Sul estão mais legalistas do que nunca, devido à ação dos juízes eleitorais, que cassaram uma grande quantidade de prefeitos eleitos no pleito passado. Devido a este fator, estabeleceu-se um clima de respeito quase perfeito às regras contábeis dos partidos. Resumindo, as finanças estão sendo contabilizadas no Estado com elevado percentual e os famosos “caixas dois” já estão enfraquecidos.
A idéia que temos é que o eleitor pegue o dinheiro que lhe é oferecido e vote contra ao candidato. Desta maneira estaremos contribuindo no combate à corrupção eleitoral.