Ex-executivos denunciam caixa 2 na reeleição de André Puccinelli
19 ABR 2017 • POR • 12h59
Em delação premiada, os ex-diretores da Odebrecht, Pedro Leão e Antônio Pacífico, fizeram denúncia de caixa 2 na campanha de reeleição do ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). Segundo os delatores, a empreiteira foi obrigada a pagar R$ 2,3 milhões para a campanha do ex-governador, como forma de receber uma dívida R$ 23 milhões.
Os ex-executivos revelaram que Puccinelli condicionou o pagamento de uma dívida antiga do estado, referente às obras em uma rodovia estadual, ao repasse de 10% para a campanha de reeleição, tudo em caixa 2. O apelido de André Puccinelli, nas planilhas do departamento de propinas da empreiteira, era “pizza”, segundo contou Pedro Leão. “A partir do momento em que nós fomos recebendo eu liberava o pagamento” disse Leão.
O delator contou que o governador pediu pessoalmente um desconto no valor total da dívida, que já chegava a R$ 79 milhões. Esse desconto serviria de justificativa para o estado pagar o débito mais rapidamente. Puccinelli teria, então, imposto uma condição. “E o então governador André Puccinelli me disse expressamente que estava buscando a sua reeleição e que e que precisava de apoio financeiro para sua campanha” contou o delator.
A empreiteira deu 70% de desconto, deixando de cobrar todos os juros pelo atraso. O valor foi fechado, mas para receber, a empreiteira tinha que repassar R$ 2,3 milhões para a campanha de reeleição do então governador.
