Coxim: Jogar lixo na rua significa um enorme desprezo com a cidade
19 SET 2014 • POR Carlos Pires • 09h42Pense bem no que significa o simples gesto de jogar lixo na rua ou em terrenos baldios de Coxim, quando este parte de alguém minimamente munido de informação e educação. Isto significa um imenso desprezo com o outro, ou seja, as pessoas que passam pelas ruas. Seja o outro a cidade em que se mora, ou o espaço público, ou até mesmo o meio ambiente que dá e mantém as condições de vida daquela criatura sujismunda e incauta.
Jogar lixo na rua é não estar nem aí com absolutamente ninguém e nem com si próprio. É não dar a mínima para o vizinho, para o coletivo e para as gerações que vierem depois. Parece exagero, mas até diria que é um dos símbolos mais banais do egoísmo humano, e um dos mais freqüentes, independente de classe social. Dizer que estava distraído só piora a situação. Atesta que a pessoa, em sua essência, age assim mesmo tanto em casa quanto nas ruas, a não ser que esteja vigilante ou sendo vigiada por alguém. O seu estado ‘natural’ é o de jogar o lixo na rua.
Em uma segunda análise, jogar lixo na rua significa um desprezo com o próprio material jogado fora. Jogado fora por quê? É algo que deve mesmo ser rejeitado, ou se trata de um material que poderia ser reutilizado, transformado em outra coisa ou valer dinheiro para quem o vende como material reciclável? Tratar como lixo um material que pode ser matéria-prima de outra coisa também é desprezar todo o recurso, esforço e energia que foram despendidos naquele objeto.
Multar o responsável pelo lixo jogado na rua seria um bom começo para cobrar de forma mais justa o preço da poluição. Ora, a poluição é algo que prejudica as pessoas e a vida ao entorno delas, e por isso não pode sair de graça. Cobrar uma tarifa bem ‘salgada’ funciona tanto como um inibidor para um comportamento prejudicial quanto para formar um fundo que ajude a remediar o problema. Além, é claro, de ser altamente educativo. Tem constrangimento maior do que ser autuado em flagrante e pagar uma polpuda multa?
Mas não basta apenas punir, é preciso premiar ou remunerar quem presta serviços sociais e ambientais. Além do ‘poluidor-pagador’, existe o princípio do ‘protetor-recebedor’ e uma política de pagamentos por serviços ambientais que pode ser colocada em prática, assim como incentivos tributários ecológicos.
Muitas cidades brasileiras já adotaram medidas semelhantes. A questão é saber usar as ferramentas econômicas a serviço da busca de um bem comum. Poder-se-ia levantar a hipótese de que uma fiscalização mais rigorosa seria no mínimo difícil e dispendiosa para os cofres públicos, mas não quando o fiscal passar a ser cada cidadão que resolva colaborar para um melhor visual da cidade fazendo apenas o trivial: denunciar às autoridades àqueles que insistem em manter hábitos nocivos à saúde humana.
Afinal de que vale a pena só cobrar do poder público ações efetivas de limpeza se não fazemos nós, a parte que nos cabe como vigilantes do meio ambiente? Para isso basta que cada cidadão de bem faça a sua parte denunciando os ‘porcalhões’ para depois sim, cobrar do poder público, o exemplo dado pela própria sociedade.
