Termina este mês vazio sanitário da soja em 10 estados brasileiros
18 SET 2014 • POR • 09h02Com o fim do vazio sanitário da soja neste mês nos Estados do Mato Grosso, do Paraná, do Mato Grosso do Sul, de São Paulo, de Rondônia e de algumas regiões do Pará o produtor pode planejar a semeadura da soja da safra de verão. O vazio sanitário é período de ausência de plantas vivas de soja no campo. Essa estratégia foi adotada para reduzir a quantidade de esporos do fungo causador da ferrugem-asiática da soja durante a entressafra e, dessa forma, reduzir a possibilidade de incidência precoce da doença.
A ferrugem da soja, introduzida no Brasil na safra 2001, tem gerado um custo anual para seu controle de aproximadamente U$ 2 bilhões, conforme levantamento do Consórcio Antiferrugem. O cálculo leva em conta que cada pulverização de fungicida custa para o produtor, em média, U$ 35 por hectare e que, na última safra, foram realizadas aproximadamente 3 aplicações de fungicidas em cada lavoura.
A pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, explica que um padrão recorrente da ferrugem da soja nas últimas safras é o início das primeiras ocorrências da doença, a partir de dezembro e aumento significativo a partir de janeiro. “A evolução rápida da doença em janeiro está associada ao aumento da multiplicação do fungo nas primeiras semeaduras e também às chuvas mais regulares a partir de dezembro, o que favorece a incidência do fungo”.
Cláudia aponta como um problema para o controle da ferrugem a menor eficiência dos fungicidas, o que está associado à resistência ou menor sensibilidade de fungos a fungicidas. “Populações de fungos menos sensíveis a fungicidas já estão presentes no conjunto de populações existentes na natureza, mesmo sem nunca terem sido expostas ao mesmo”, explica. “Esta é uma resposta evolutiva natural dos fungos a uma ameaça externa para sua sobrevivência, nesse caso o fungicida” explica.
Por isso, o produtor deve estar atento para a eficiência dos fungicidas em função da mudança de sensibilidade do fungo, buscando resultados de pesquisa atualizados. Nas semeaduras tardias deve utilizar produtos com maior eficiência e sempre que possível rotacionar aplicações de misturas comerciais com ativos de diferentes grupos. “A rotação de produtos é uma forma de atrasar a seleção de populações do fungo menos sensíveis/ resistentes”, diz.
A pesquisadora aponta ainda como estratégias de manejo recomendadas para o manejo da ferrugem a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada para evitar a pressão do fungo no ambiente. Também é recomendado o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura, assim como a utilização de cultivares com genes de resistência.
