Pantanal pode ser drasticamente afetado por mudanças climáticas
2 DEZ 2016 • POR Carlos Pires • 12h13
As ações para fomentar o desenvolvimento sustentável em Mato Grosso do Sul, através da disseminação de boas práticas ambientais e o investimento em pesquisa e tecnologia no campo e na cidade, são algumas das contribuições do governo do Estado para que cenários extremos relacionados às mudanças climáticas não se tornem realidade nas próximas décadas.
Essa foi a análise do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, após o seminário “Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, realizado na quarta-feira (30) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Durante o evento foi apresentado o resultado da pesquisa “Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, que foi uma iniciativa da Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. De acordo com a pesquisa, em alguns municípios do estado, a temperatura poderá aumentar até 5,8°C no período de 2041 a 2070 e o Pantanal pode ser o bioma mais afetado por esta mudança.
Segundo a pesquisa, toda a Região Norte poderá apresentar aumento de até 5,8°C graus na temperatura e redução de até 19% no volume de chuvas nos próximos 25 anos. Em relação à temperatura máxima, o Alto Taquari deverá ser uma das regiões mais impactadas pela redução do volume de chuvas. Em Coxim e Rio Verde do Mato Grosso, por exemplo, a precipitação poderá diminuir 19,3%.
Defensor ferrenho, o coordenador do programa Cerrado-Pantanal da organização não-governamental WWF Brasil, Júlio César Sampaio pede a adoção imediata de ações para amenizar os efeitos das mudanças climáticas no Pantanal.
Sampaio explicou que o Pantanal como um bioma úmido depende fundamentalmente do ciclo hidrológico de cheia e seca para sua manutenção e que uma das principais ocorrências do processo de mudanças climáticas, o de períodos de estiagem mais longos e extremos, já é sentido em algumas regiões pantaneiras. “Em alguns municípios do Pantanal, a população já está percebendo que a seca está ficando mais longa e mais severa”, comentou.
Sampaio disse ainda, que esse processo que já está em curso e pode ser acelerado em razão da instalação de pequenas centrais hidrelétricas, as chamadas PCHs, ao longo da bacia pantaneira. “Se o quadro permanecer como está, se não forem adotadas políticas públicas para assegurar a preservação e recuperar a bacia, em 20 ou 30 anos o Pantanal poderá estar estrangulado”, concluiu.
