Sérgio Cabral é preso em nova fase da Lava Jato
18 NOV 2016 • POR • 12h34
A Polícia Federa (PF), em ação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal do Brasil (RFB), deflagraram ontem pela manhã (17) a Operação Calicute com o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos federais em obras realizadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro. O prejuízo estimado é superior a R$ 220 milhões.
Ele já foi um dos mais influentes personagens da história política do Rio de Janeiro. Os eleitores fluminenses lhe deram seis vitórias nas urnas - três para deputado estadual, uma para senador e duas para governador. No auge da carreira, abraçou-se a Luiz Inácio Lula da Silva, Pelé e Eduardo Paes para comemorar a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Porém, a queda de um helicóptero e a divulgação de um conjunto de fotos iniciaram uma escalada de revelações que o obrigou a se retirar da cena pública.
Agora, dois anos e sete meses depois de deixar o cargo de governador, Cabral, aos 53 anos, foi preso pela Lava-Jato, em seu apartamento no Leblon, volta à cena como alvo principal da operação denominada "Calicute". A expedição de Pedro Álvares Cabral às Índias marcou a ascensão e queda do navegador no início do século XVI.
Cabral, o ex-governador, é acusado pela Lava-Jato de liderar um grupo acusado pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações apuraram um desvio de cerca de R$ 224 milhões com diversas empreiteiras, dos quais R$ 30 milhões somente com a Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia em obras como reforma do Maracanã e o Arco Metropolitano em troca de aditivos em contratos públicos e incentivos fiscais, que estão na base da atual insolvência financeira do Estado.
Com a prisão de Cabral, a PF revela a proximidade da relação do peemedebista com empreiteiros que mantinham contratos bilionários com o governo do Estado e como isso se reverteu em bens para o ex-governador, agentes públicos e empresários.
