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Fantasma da delação passeia faceiro por Brasília

21 OUT 2016 • POR • 11h51

Sem sombra de dúvidas, a máxima de ‘quem não deve não teme’ não está valendo nada em Brasília após a prisão do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Indiscutivelmente a paz cessou nos corredores da Casa de Leis, e muito embora haja um pequeno burburinho nos quatro cantos da capital federal, uma coisa é certa: o fantasma da delação premiada está à solta. O silêncio e o temor imperam na Câmara

Nos bastidores, parlamentares apostam que uma eventual delação de Eduardo Cunha poderá prejudicar mais de uma centena de deputados que ele ajudou durante sua ascensão de líder do PMDB a presidente da Casa.

Embora Cunha tenha negado a delação por diversas vezes na imprensa, quem conhece de perto o ex-deputado, sabe muito bem que ele é um ‘arquivo vivo’ e que a delação é a única saída para ‘aliviar’ o peso da imensa ‘bola de ferro’ atada em seus pés.

Nos últimos cinco anos, o deputado cassado esteve em cargos de poder que lhe permitiram influenciar em escolhas de relatores de projetos e medidas provisórias estratégicas, além de CPIs. Segundo aliados e adversários, ele tem na memória informações sobre negociações feitas para a aprovação de propostas na Casa. Além disso, participou ativamente da articulação para a abertura do processo de impeachment.

Os peemedebistas costumam repetir que Cunha não é amigo de Temer, mas não negam que, nos últimos anos, ele frequentou rodas de conversa importantes dos caciques da legenda. Outro aspecto que causa temor é o fato de Cunha ter atuado ativamente na arrecadação de recursos para campanhas de vários aliados, não só do PMDB, mas de partidos como PSC e PP. Ele próprio já admitiu que ajudava nos contatos com empresas para conseguir doações oficiais para o PMDB. Tudo isso na época em que Temer presidia a legenda.

— Cunha é temido porque é muito inteligente e correto em cumprir a palavra empenhada. Os que não têm coragem de falar a verdade que esperem — afirmou o deputado Wellington Roberto (PR-PB), que votou contra a cassação de Cunha.

O fato é que, se Cunha abrir sua ‘metralhadora giratória’ irá provocar um tremendo terremoto em Brasília, digno de abalar ainda mais as estruturas políticas do país. Se a ‘caixa preta’ for realmente aberta, certamente a Polícia Federal terá muito mais trabalho daqui para frente.