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E-mails apontam suposta fraude na construção da Arena Corinthians

20 OUT 2016 • POR Uol • 13h09

Em setembro de 2015, o arquiteto responsável pelo projeto da Arena Corinthians, Anibal Coutinho, alertou o clube para a existência de um suposto processo fraudulento relacionado ao estádio.

Num e-mail enviado por ele em 10 de setembro de 2015 ao presidente alvinegro, Roberto de Andrade, o arquiteto afirma que o fundo que administra o estádio aceitou relatórios da Odebrecht que atestavam a conclusão da obra em setembro de 2014, um ano antes de ela ser considerada concluída pela própria construtora. 

Na mesma correspondência, ele aponta que todas as notas fiscais relacionadas ao trabalho da Odebrecht até 2015 foram emitidas ainda em 2014. Ou seja, antes de parte do serviço ser executada, o que é irregular. Anibal ainda declarou que em setembro de 2015 a Odebrecht considerava a obra praticamente pronta, mas que faltavam ser executadas partes do projeto arquitetônico avaliadas em mais de R$ 85 milhões.

A Odebrecht é a principal controladora do fundo, mas o clube também participa dele.

Por meio da assessoria de imprensa do Corinthians, Andrade respondeu que a direção corintiana “está tomando providências junto aos responsáveis pela gestão da arena” sobre a informação passada há mais de um ano pelo arquiteto de que foram aceitos os boletins que atestavam o fim da obra antes de ele de fato acontecer e de que notas fiscais também foram emitidas antes da conclusão dos serviços.

A respeito da informação de que deixaram de ser executados trechos do projeto arquitetônico avaliados em R$ 85 milhões a resposta foi de que o clube “contratou uma auditoria para analisar o projeto e verificar o que foi executado e o que deixou de ser executado, bem como o valor do que não foi executado”.

Já a assessoria de imprensa da Odebrecht afirmou que a empresa não se manifestaria sobre os e-mails. Coutinho disse que não poderia comentar o conteúdo de mensagens confidenciais. Mário Gobbi, presidente do Corinthians na ocasião em que as notas fiscais e os boletins de avanço teriam sido emitidos, não foi localizado pelo blog. Rodrigo Cavalcante, diretor da BRL Trust, empresa que cuida do fundo responsável pela arena, não atendeu ao blog.