Mais exigente, população de Coxim quer trabalho e não promessas
16 SET 2016 • POR • 13h07Não tem ninguém que não faça pouco caso ou torça o nariz nas ruas em Coxim quando o tema abordado é política. Nunca os candidatos foram tão hostilizados como nessa eleição. Alguns candidatos confirmam esta tese, mesmo que só nos bastidores.
Até mesmo porque ninguém em campanha pode assumir publicamente tamanha falta de credibilidade na atual conjuntura.
Diante dos sucessivos escândalos que já explodiram e outros que ainda podem vir à tona no país, os eleitores acabam colocando para fora toda a sua revolta e indignação com a política. Muitos, inclusive, fecham as portas de suas casas para as reuniões que, em outras épocas, lotavam de vizinhos nos bairros. A justificativa é uma só: a corrupção.
A indignação fica bem mais evidente nos bairros mais carentes e mais afastados do centro da cidade. Aos ouvidos de quem ouve a mesma ‘ladainha’ em tempos de eleição, a falta de estrutura nos serviços básicos aliada à corrupção, deixaram os eleitores mais exigentes e bem menos tolerantes.
Neste ano, boa parte do eleitorado coxinense não está levando nada em consideração; nem antecedentes e muito menos promessas. Cansados de mesmice, grande parte da população aposta em mudança e renovação.
A falta de propostas concretas foi o ponto mais enfatizado por adultos e jovens ouvidos pelo Diário do Estado. Também se explica. Grande parte dos candidatos não é conhecida pelo público em geral e teve que se apresentar ao eleitor.
Um grupo considerável de concorrentes é formado por pessoas que estiveram, nos últimos anos, fora da linha de frente na discussão de problemas da cidade com a população e governos Estadual e Federal. Preferiram concentrar esforços nos interesses de grupos mais restritos de moradores, que, naturalmente, formam o seu respectivo eleitorado.
Considerada polo regional do Estado, e com um potencial turístico muito grande e pouco explorado, o histórico de um candidato de uma cidade como Coxim que tem pouco mais de 33 mil habitantes, precisa ser marcado por envolvimento direto nos principais desafios que a cidade enfrenta e ainda não conseguiu solucionar.
Numa cidade polo, por exemplo, a saúde deveria funcionar bem. Mas não é o que acontece destaca boa parte dos moradores. Na avaliação dessas pessoas, sem equipamentos para o bom funcionamento do Hospital Regional e sem UTI, pacientes são ‘exportados’ para a capital para enfrentar mais uma angústia, onde os hospitais estão ‘abarrotados’ de gente como se estivessem num grande corredor da morte. Desta forma, segundo a opinião pública, prolongam não só o sofrimento dos pacientes, como também das famílias.
Um determinado cidadão exemplificou com propriedade, “os problemas da cidade a gente já sabe quais são. Queremos solução”.
A menos de 17 dias da eleição, fica difícil o morador de Coxim não dissociar a figura de alguns candidatos atuais com a daqueles políticos que só aparecem de quatro em quatro anos para pedir voto. Sobretudo aqueles que usam de ataques contra seus adversário para poder ganhar o voto, na base do grito. O eleitor já conhece esse tipo de candidato de outros ‘carnavais’, e não os tolera.
Se os candidatos apostavam na propaganda eleitoral para se tornar cada vez mais populares, os programas estão mostrando que eles terão que ‘ralar’ bem mais para conquistar o voto dos cidadãos. Os marqueteiros, contratados muitas vezes a peso de ouro, terão que mudar também a maneira com que tradicionalmente encaravam o eleitor.
Mais exigente, a população tem mostrado que não vai ‘engolir’ qualquer coisa, até porque, de promessas, já devem estar de ‘saco’ cheio – literalmente falando.
