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Sobre Lula, Procurador disse "não temos prova, temos convicção"

16 SET 2016 • POR • 12h40

 

Reproduzida por diversos sites e alvo de memes, a frase "não temos prova, mas temos convicção", atribuída aos procuradores da Operação Lava Jato ao apresentarem a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira (14), não foi dita, ao menos durante a apresentação e a entrevista coletiva na sequência. A suposta frase junta falas de dois procuradores, ditas em momentos distintos da apresentação.

Em dois desses trechos, o procurador Deltan Dallagnol justifica a convicção do Ministério Público Federal (MPF) de que Lula é o comandante do esquema criminoso alvo da operação; em um terceiro, o procurador Henrique Pozzobon fala sobre o fato de não existir "prova cabal" de que Lula é "proprietário no papel" do apartamento no Guarujá usado, segundo os investigadores, para ocultar o pagamento de propina.

Num primeiro momento, durante a apresentação da denúncia, Dallagnol fala, ao explicar as conclusões do MPF: "Provas são pedaços da realidade, que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese. Todas essas informações e todas essas provas analisadas como num quebra-cabeça permitem formar seguramente, formar seguramente a figura de Lula no comando do esquema criminoso identificado na Lava Jato."

Pozzobon fala em &39;provas cabais&39;. Mais à frente, ainda durante a apresentação, Pozzobon diz: "Precisamos dizer desde já que, em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade", afirma o procurador.

Dallagnol volta a usar o termo &39;convicção&39;. Mais tarde, durante a entrevista coletiva, Dallagnol volta a usar o termo "convicção" para se referir a Lula ao responder à pergunta de um jornalista sobre se o ex-presidente continuou a liderar o suposto esquema após deixar o cargo.