Delações preocupam governo interino de Michel Temer
12 AGO 2016 • POR • 14h07Ainda comemorando o resultado folgado no processo do impeachment no Senado, os aliados do presidente interino, Michel Temer, já miram com preocupação outra frente jurídica que abreviar o governo: as ações que pedem a cassação da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Planalto, o temor é que as novas delações na Lava-Jato sejam anexadas ao processo e tragam mais dificuldades para Temer. Além disso, o governo já sabe que um desmembramento das ações, para julgar apenas a petista, é improvável.
Segundo aliados do peemedebista, o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, que teve conversas recentes com Temer, afirmou que o processo tem complicações devido à situação do PT, pois haveria muitas provas consistentes contra o partido. A interlocutores, Gilmar também manifestou achar pouco provável que haja um desmembramento do processo, já que o Ministério Público Eleitoral recomendou que as condutas de Temer e Dilma sejam julgadas conjuntamente. A própria relatora das ações no TSE, ministra Maria Thereza de Assis Moura, já negou pedido feito pelo PMDB para desmembrar os processos em abril.
Além disso, a ministra decidiu que novas provas podem ser anexadas às ações, e, portanto, novas delações que estão sendo negociadas no âmbito da Operação Lava-Jato podem ser incluídas. Desde que Temer assumiu a Presidência interinamente, foi citado em uma delação já homologada pelo Supremo Tribunal Federal, a do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Ele acusa o peemedebista de lhe pedir contribuição para uma campanha do PMDB em 2012 via caixa 2. Temer nega veementemente ter feito o pedido.
Nas negociações para uma delação premiada, executivos da Odebrecht também teriam se comprometido a provar um doação de R$ 10 milhões por caixa 2 para a campanha eleitoral de Temer em 2014, na disputa da reeleição. A informação foi publicada pela revista “Veja”.
Com cinco votos a mais de folga para que Dilma Rousseff seja definitivamente afastada do cargo, o Palácio do Planalto acredita que esse é o principal desafio para a legitimar o mandato de Temer na Presidência.
— Do ponto de vista político, para trazer tranquilidade institucional, este é o principal processo em curso no país. Nós entendemos que não se pode continuar produzindo provas, sob pena de esta ação não terminar nunca. Se for continuar assim, enquanto não terminar a Lava-Jato, não termina o processo — afirma um auxiliar de Temer. (O GLOBO)
