Os pára-quedistas estão à solta
5 SET 2014 • POR • 13h00Enquanto os partidos políticos e seus respectivos candidatos estão na corrida dos votos para as próximas eleições, os concorrentes de outras regiões – os denominados de pára-quedistas – já estão em plena ação, buscando ocupar o maior espaço possível junto ao eleitorado. E se os candidatos da terra ainda dormem em berço esplêndido, os de fora chegam dispostos a inflacionar a campanha, oferecendo ‘ajuda financeira’ a quem estiver disposto a ajudá-los na busca dos votos. O esquema, viciado por natureza, se repete a cada eleição. O pára-quedista sonda o terreno por meio de um amigo que conheça bem a cidade e parte em busca de cabos eleitorais profissionais que irão ajudá-los a conquistar e marcar terreno junto aos eleitores. Com as burras cheias de dinheiro, os políticos ou assessores diretos contratam aqueles que irão cuidar do “convencimento” do eleitorado, dividindo com eles parte do que recebem. O expediente, condenável sob todos os aspectos, ainda serve para dar “emprego” a muita gente em vésperas de eleição. Não se pode, entretanto, generalizar e estender a mancha dos compradores de votos para todos os pára-quedistas que vêm à cidade em épocas eleitorais. Há políticos que, mesmo sendo de outras localidades, procuram manter vínculos com o município e possuem bons projetos; já outros se valem da ideologia como cartão de visitas para suas alianças locais. O certo é que, de maneira ortodoxa ou não, os pára-quedistas – que são sempre oportunistas – já se espalharam em nosso meio ocupando espaços que deveriam ser dos candidatos bem intencionados. Tomara que o povo não acorde para a campanha somente depois das eleições. Aí poderá ser tarde demais.
Os pára-quedistas voltam a cada quatro anos e começaram a chegar. A maioria já aterrizou em Coxim. E são candidatos que estão disputando o voto da população. Na maioria das vezes gastam quantias expressivas na contratação de coordenadores de campanhas locais e cabos eleitorais. Também fazem dobradinhas com candidatos nativos. Bons candidatos existem, mas são ‘engolidos’ pelo poder econômico dos pára-quedistas, cuja base eleitoral são cidades que distam centenas de quilômetros de Coxim.
O conceito de democracia é relativo desde que foi teorizado na Grécia Antiga. Seus filósofos, como Aristóteles, Platão e Sócrates defendiam um governo “do povo, para o povo e pelo povo”, mas não incluíam nesse povo os escravos, que segundo eles não tinham condições intelectuais. No Brasil, muitos votam em troca de pequenos ou grandes favores, e por empregos prometidos. Que muitas vezes é apenas uma ilusão para enganar o eleitorado. Não deveria ser assim, mas é a realidade.
Conheço casos de pára-quedistas que visitam a cidade a cada quatro anos e, depois de eleitos ou reeleitos, são incapazes de produzir um único projeto que beneficie a região. Os eleitores lúcidos possuem a obrigação de ajudar a evitar que os pára-quedistas continuem pousando em Coxim. Basta que a população avalie minuciosamente as propostas apresentadas por cada candidato e saiba discernir promessas fantasiosas das que realmente contribuirão para o benefício da coletividade. Assim combateremos os pára-quedistas e elegeremos pessoas compromissadas verdadeiramente com os anseios da cidade que carece de bons projetos para o tão sonhado desenvolvimento.
