PF ainda tem R$ 1,8 bi em contratos para investigar na Lama Asfáltica
11 MAI 2016 • POR G1 MS • 13h24A Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal ainda têm R$ 1,8 bilhão em contratos de obras públicas executadas em Mato Grosso do Sul para analisar na operação Lama Asfáltica, que apura o desvio de recursos públicos por meio de licitações dirigidas. A revelação foi feita na manhã desta quarta-feira (11), pelo superintendente da PF em Mato Grosso do Sul, Ricardo Cubas César, em entrevista do Bom Dia MS, da TV Morena.
Segundo Cubas César, dos R$ 195 milhões já fiscalizados até o momento foram detectados na análise documental o desvio de R$ 44 milhões. Ele explicou que os crimes de corrupção, que envolvem o desvio de recursos públicos, demandam uma investigação complexa, com uma análise muito criteriosa de toda a documentação apreendida, e que por isso ocorreu um longo intervalo de tempo, entre a primeira e a segunda etapa da operação.
“É feito um trabalho em conjunto com a CGU, que faz a análise dos contratos, e a Receita Federal, que apura a evolução patrimonial dos envolvidos”, detalhou, comentando ainda que após essa análise, a PF ainda precisa do parecer do Ministério Público Federal (MPF) e de autorização da Justiça para promover novas etapas da investigação, com a busca e apreensão de documentos e prisões de suspeitos.
O superintendente da PF diz que as ações agora vão se concentrar na análise de todos os documentos apreendidos e na tomada dos depoimentos dos suspeitos. “Vamos verificar se existem outros elementos que fortalecem as provas já produzidas no inquérito e identificar outros bens que possam ter sido adquiridos com produto do crime”.
Cubas César comentou ainda que esta nova etapa da operação foi chamada de “Fazendas de Lama” porque os suspeitos de envolvimento teriam lavado grande parte dos recursos desviados por meio da compra de propriedades rurais que estariam em nome de terceiros, chamados de laranjas, entre os quais estariam familiares e pessoas de confiança dos envolvidos. A investigação conforme ele, já identificou cerca de 10 grandes fazendas, que têm uma área total de 67 mil hectares que teriam sido adquiridas com recursos públicos desviados.
Sobre a investigação, o superintendente explicou que a exemplo do que ocorreu com a operação Lava-Jato, também da PF e que apura desvios de recursos das Petrobras, a ação realizada em Mato Grosso do Sul, poderá contar ainda com o instrumento da delação premiada. “No caso de uma delação, o investigado decide colaborar com a investigação apresentando novos elementos, e ele pode obter da Justiça em troca benefícios como uma diminuição ou até mesmo perdão da pena”, comentou.
Cubas Cesar destacou que essa é uma fase investigativa do trabalho, não existe culpa e nem condenação ainda, mas que já existem fortes elementos e indícios da participação dos suspeitos nos crimes que estão sendo investigados. Apontou ainda que os 15 mandados são para prisões temporárias, que determinam a detenção dos suspeitos por 5 dias, mas que dependendo do andamento das investigações, em alguns casos podem ser prorrogados ou até convertidos em prisões preventivas.
Por fim, ele apontou para novas etapas da operação, diante da quantidade de contratos de obras que ainda tem de ser analisados. “A operação não se encerra nesta fase”, avisou.
