Assentados são esquecidos pela administração de Adão Rolim
28 AGO 2014 • POR • 18h00Os assentamentos Itaqui e Patativa do Assaré esperam pelas melhorias prometidas durante campanha pelo atual prefeito de São Gabriel do Oeste, Adão Rolim, que até o momento não cumpriu com sua palavra, e o pior, faltou com sua capacidade de gestor em resolver o problema que mais afeta as famílias que lá residem: a falta de água.
Privados deste bem que é popularmente conhecido como “a fonte da vida”, os assentados decidiram procurar ajuda da imprensa para resolver esse problema, afinal, desde o início do ano, o Incra que fez um convênio com a Prefeitura, já depositou o dinheiro (cerca de R$ 3 milhões) na conta do administrativo para a obra que prevê a perfuração dos poços e implantação das redes. Porém, com problemas nos processos licitatórios, a obra não segue adiante.
Licitação – Com a verba na conta, a licitação ocorreu e contou com a participação de sete empresas. Após este processo a ordem de serviço foi assinada no dia 29 de julho. Porém a empresa DCA Construtora Ltda EPP alega ter sido desclassificada de forma irregular do certame licitatório para a contratação dos serviços de Implantação do Sistema de Abastecimento de Água. Ainda segundo o mandado de segurança “a DCA pleiteia a concessão da ordem para anulação do resultado do certame e para que ela seja declarada a vencedora do mesmo”.
Com o processo parado, os assentados continuam aguardando a resolução deste problema sem água. Vale lembrar que os assentamentos somam 600 pessoas que há quatro anos estão no local e não receberam a atenção do poder público. Alguns venderam tudo o que tinham para formar um poço na sua propriedade.
“Entendemos que o problema é tratado com pouca preocupação por parte do administrativo. Em época de campanha o prefeito Rolim pediu nosso voto e em contrapartida, afirmou que ajudaria nosso assentamento, mas o que vemos é o descaso de sua parte que não está cumprindo com sua palavra”, reclama a assentada Francineide Silva de Souza também presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Saúde e Educação – A assentada relata que o descaso é em todos os setores. Segundo Francineide, o assentamento recebe médico apenas duas vezes no mês e que se houver necessidade de especialista é necessário aguardar até seis meses para receber atendimento com agenda em Campo Grande.
“Falta remédio nos postos. Muitas vezes viajamos 50 quilômetros de nossa casa até a cidade de São Gabriel e quando chegamos lá, não encontramos médico e nem remédio disponíveis. Temos que retornar e em outro dia, contando com a sorte, voltar à cidade e lutar pela nossa saúde que às vezes precisa esperar quase seis meses para obter um diagnóstico ou tratamento adequado na capital”, desabafa a assentada que pede ao menos um agente de saúde trabalhando em prol do assentamento, marcando as consultas para que os assentados não percam essas viagens.
Para Francineide os assentados sofrem até na hora da Educação, pois os alunos sobem no ônibus escolar às 04hs da madrugada para chegar na escola e a promessa de uma unidade escolar nem é cogitada pela boca dos representantes municipais que não vêem a situação dramática dessas crianças.
Redação - Em fim, os assentados necessitam dos poços, sabem que o dinheiro está disponível e agora estão exigindo a dignidade. Em um mundo que a produção é altamente valorizada, o prefeito de São Gabriel despreza a agricultura familiar mesmo quando se vê famílias e famílias produzindo alface, couve, abóbora, quiabo, melancia, feijão, milho entre outros alimentos. Privar essas pessoas de água, limitar o atendimento de saúde e qualidade da educação é um atentado contra os direitos garantidos na constituição. Nos estranha é que este mesmo prefeito é também presidente do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Taquari (Cointa), porém parece que ele não está atento ao ideal de sustentabilidade idealizado pelo consórcio uma vez que na sua cidade não é capaz de desenvolver seus assentamentos. A sociedade quer uma explicação sobre esse dinheiro, e o destino dos juros em cima do valor depositado e se o mesmo será aplicado para melhorias dos assentados. De outro lado vale lembrar que a bandeira da campanha passada era a saúde que hoje está no CTI.
