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Depredar patrimônio público em Coxim virou moda

27 AGO 2014 • POR Carlos Pires • 08h21

Como brasileiro e cidadão coxinense, muitas vezes me pergunto quando passeio pelas nossas praças, ruas e estradas a respeito do grande número de “ataques destrutivos” que sofrem o patrimônio público. Quase nada escapa da agressividade dos vândalos. 
No último final de semana uma lixeira ecológica instalada na Praça da Concha Acústica foi alvo desses desocupados. O servidor público e idealizador do projeto Roni Rodrigues ficou indignado com a atitude desses irresponsáveis, que vale lembrar, representam uma ínfima minoria na cidade. A lixeira destruída era feita de coroas e aros de motocicleta, ou seja, um trabalho árduo, bem feito e artesanal, que além de receber o lixo dos freqüentadores do local é muito resiste às intempéries do tempo. E não é só na Praça da Concha Acústica, por toda a cidade se nota a ação desta ‘praga’ urbana.
A depredação do espaço público é a forma de demonstrar revolta; uma maneira estúpida de auto-afirmação diante da sociedade ou simples diversão. Ela resulta em desordem urbana e insegurança. E os vândalos nem sempre são pessoas revoltadas com sua condição socioeconômica. É grande o número de pessoas de classes média e alta que cometem depredações. O que estimula a ação dos vândalos é a impunidade.
Para conhecimento, a Lei Federal 9.650, de 12 de fevereiro de 1998 pune com penas de três meses a um ano de reclusão e multas que podem chegar a R$ 50 mil reais. Mesmo havendo esta Lei, a impunidade é a motivação que os marginais encontram para continuarem a praticar este ato.
Ótimo, agora que a sociedade de bem está sabendo tudo isso, o que tem a haver comigo? Simples, enquanto cidadãos estamos diretamente ligados com esta informação, ou seja, se depredam algo, nós contribuintes é pagamos a conta e arcamos com o prejuízo. Minha preocupação é mais pontual, principalmente porque Coxim é uma cidade turística histórica, que depende do seu aspecto visual e organizado para atrair  visitantes. Ainda que esteja passando por obras de melhorias e o aspecto ainda não seja o ideal. 
Interessante que quase sempre os vândalos dão justificativas para os seus atos. Um dia é porque os políticos são corruptos, não fazem nada, noutro porque o seu time de coração perdeu, ou porque foi despedido do emprego, etc., e em outras situações simplesmente para se mostrarem quando estão em seus grupos de amizade e precisam “demarcar seus territórios”.
Lendo, pesquisando em várias fontes de informação chego à conclusão de que os vândalos são todos iguais, pobres ou ricos, jovens ou mais velhos, homens ou mulheres, apenas querem depredar o que é pago pelo nosso próprio dinheiro via IMPOSTOS. Além de vermos a cidade suja e quebrada, é necessário recuperarmos todas as depredações, que no fundo não são investimentos, mas gastos desnecessários, valores financeiros que poderiam gerar novas praças, melhores salas de aula, postos de saúde e muitas outras benfeitorias. Afinal, como podemos acabar ou diminuir as depredações do patrimônio público, ou mesmo amenizá-las?
Vejo a Educação como solução inicial mesmo que demore um pouco para termos um retorno real. Desde pequenas, as crianças necessitam aprender a valorizar o que o Poder Público nos coloca a disposição, sendo sabedores de que tudo o que é oferecido a eles é propriedade deles, portanto cabe sim preservá-los. É preciso explicar para uma criança pequena e aos adolescentes que os IMPOSTOS geram praças, escolas, melhoria da saúde, segurança, dentre tantos outros benefícios. O quesito Educação é um pouco complicado de se debater, porém acredito que inicialmente a questão é muito importante e oportuna para valorizarmos a relação do patrimônio público com as crianças e principalmente os adolescentes, gerando neles uma consciência cidadã e de ORGULHO por serem os VERDADEIROS DONOS destes patrimônios no futuro.
Quanto aos vândalos já existentes, vejo como solução a aplicação rigorosa da Lei, a fim de que possam ressarcir ao poder público e a sociedade os prejuízos causados. A denúncia anônima é o único caminho para retomarmos a civilidade e protegermos o patrimônio público, já que é um dever de todos. Hoje é uma simples lixeira, amanhã pode ser um prédio publico. É preciso identificar e punir os vândalos antes que no futuro se tornem  “Terroristas Urbanos”.