“Celeiro musical”, “Bar do Zé Guedes” se destaca pela simplicidade e aconchego
13 ABR 2016 • POR Gilmar Lisboa • 12h31
O tradicional “Bar do Zé Guedes”, localizado no centro velho de Coxim, foi palco, no último sábado (9), da gravação de mais uma edição do programa “Conheça a Nossa Terra”, que vai ao ar aos sábados na TV Guanandi, afiliada da Band em Campo Grande. O programa explora os costumes e tradições musicais dos mais diferentes rincões do estado e país.
Considerado como um dos “celeiros musicais” do estado o bar reuniu, no sábado, talentos regionais famosos para a gravação do programa.
“Soltaram a voz” na ocasião, Beto Reis e Adão Reis, violeiros, compositores e cantores da chamada “música de raiz”. Ambos tiveram a parceria na gravação do sanfoneiro Zé Aurélio e do jovem violeiro e também cantor José Ney, talento descoberto recentemente na vizinha cidade de Sonora.
Junto, o grupo interpretou, por cerca de uma hora, além de composições próprias, criações musicais de figuras inesquecíveis da musicalidade coxinense, como Zacarias Mourão e Goiá, por exemplo.
A gravação do programa se deu num ambiente para lá de apropriado para o tipo de produção: um cantinho do “Bar do Zé Guedes” criado pelo comerciante, compositor e cantor Zé Guedes, no próprio ambiente do estabelecimento, para servir de “passarela” para os amantes da boa música, principalmente regional.
O ambiente, além de abrigar um pequeno palco, reúne uma complexa coletânea de fotografias que remonta várias décadas de história da musicalidade sertaneja regional e nacional, além de peças artesanais originárias da região. As fotos trazem registros de verdadeiras “celebridades” da música sertaneja que já se apresentaram no bar. Como os cantores Mato Grosso e Mathias e Almir Sater e Gabriel Sater, por exemplo.
Também compõem a coletânea, figuras famosas de outras áreas da cultura local e regional, além de políticos e empresários renomados que passaram pelo bar, senão para ouvir uma boa “moda”, para degustar um drink, uma cachaça artesanal ou uma cerveja gelada, servidos pelas mãos do sempre receptivo Zé Guedes.
Conhecido também por “Confraria do Piau”, entidade criada pelo próprio Zé Guedes para propagar a música regional, além de para defender a causa dos talentos da área especialmente de Coxim e região, o bar, ao longo dos últimos anos, também ficou conhecido por ser o principal ponto de referência da música de raiz do município e do estado, sem contar que, até os dias atuais, é ponto de passagem obrigatória dos visitantes que procuram conhecer a cultura e a musicalidade da cidade, especialmente.
“Aqui está parte de minha vida, parte de minha história. Local onde fiz e continuo fazendo grandes e bons amigos”, fala com orgulho Zé Guedes, um paraibano octogenário que há anos trocou seu estado natal pelo sossego de Coxim.
Apoio minguado
A quem o indaga sobre o prazer de tocar um bar que se tornou parte da história da cidade, Zé Guedes não titubeia. Fala, sem “papas na língua”, que a única coisa que o deixa ressentido é a falta de apoio público às suas iniciativas culturais.
Ele lembra que, até pelo menos um ano, tocava, com recursos estritamente próprios, o projeto Quartaneira. O projeto reunia, todas as quartas-feiras, uma infinidade de atrações musicais sertanejas em uma es trutura montada em frente ao bar.
Pelo local passavam os mais conhecidos violeiros e cantores e compositores regionais, em apresentações que se arrastavam até quase às manhãs de quinta-feira. Todas as despesas com os artistas, inclusive os cachês, eram bancadas pelo comerciante.
Foto (Gilmar Lisboa)
“Era um evento que trazia para a porta de meu bar, desde artistas, empresários e políticos, até caravanas de acadêmicos e estudantes de outras cidades da região. Os talentos da música regional se reuniam por aqui, religiosamente, todas as quartas-feiras”, lembra Zé Guedes, que faz questão de ser chamado de “Capitão Zé Guedes”.
O nome, sugere o comerciante, seria fruto do dinamismo e coragem com que tocou, ao longo dos últimos anos, sem qualquer apoio externo, os projetos cultuais que tornaram famosos o seu bar e o seu próprio nome.
Ponto de união de talentos
A exemplo de outros tempos, em que rotineiramente “inspirava” composições e até a formação de novos grupos musicais, o “Bar do Zé Guedes” acaba de ser o ponto de partida de mais um projeto nessa última direção.
Apresentados por acaso em uma pizzaria de Sonora, o compositor e cantor coxinense Beto Reis e o violeiro e igualmente cantor José Ney, nascido em Cuiabá, mas radicado em Sonora há alguns anos, ensaiam um projeto em conjunto.
Ambos pretendem começar a se apresentar em eventos da região, em breve. O primeiro passo foi dado no último sábado (9), quando a dupla animou, com um repertório variado de músicas sertanejas, na Fazenda São Francisco, em Coxim, a festa de 60 anos do administrador de fazendas José dos Santos.
A festa reuniu pelo menos 200 pessoas e a apresentação da dupla agradou, em muito, os frequentadores do evento.
