Mãe biológica quer guarda de menino torturado em rituais de magia negra
12 ABR 2016 • POR G1 MS • 17h37
Enquanto o menino de 4 anos, que sofreu tortura em rituais de magia negra, permanece na fila de adoção, a mãe biológica procurou a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), para manter contato com a criança e voltar a ter a guarda da criança.
A assessoria de imprensa do órgão disse que a catadora procurou recentemente a entidade, para buscar informações. Ela foi recebida pelo presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA), Venâncio Josiel dos Santos.
"Este é um caso bem complexo que estamos acompanhando desde o início. Neste período recebemos a visita parentes e uma vizinha. Todas afirmam residir em Jardim e tudo teve início porque a mãe biológica veio até o abrigo e não conseguiu autorização na Justiça para visitar o menino. Ela informou toda a sua história, inclusive sobre o paradeiro do companheiro, que também é catador de lixo e usuário de drogas", disse o presidente.
De acordo com Santos, ela estava com certidão de nascimento do menino. "O documento aparentemente é verdadeiro, porém não temos perícia e ainda serão feitas análises. A mulher informou que tentou visitar o menino por três vezes, mas não conseguiu. Nós então protocolamos o documento e após isso encaminhamos ofício para a juíza que preside o processo", comentou.
Após a visita, foi realizado um relatório, com a Comissão dos Advogados Criminalistas (CAC) e a Comissão dos Direitos Humanos (CDH).
O documento foi encaminhado para o município de Jardim, a 217 km de Campo Grande, onde tramita na Justiça o processo da vítima. São ao todo 17 itens no qual eles relatam todas as informações repassadas pela mulher.
Neste período, a conselheira Cassandra Szuberski, visitou e acompanha o menino. “Os trâmites para adoção já estão sendo realizados. A intenção é que ele seja reintegrado com a irmã de 14 anos, pois precisa manter este vínculo. Ele foi transferido e agora estamos dando um intervalo, para que ele não relembre a história”, comentou.
No abrigo, o menino fica com a irmã e mais 36 crianças. Em entrevista recente, a coordenadora da unidade, Ana Paula Queiroz, disse que o garoto está se recuperando a cada dia e que já se sente em casa.
"É uma criança feliz, que come muito bem, brinca com outras crianças. Ele ganhou uns 20 bonecos de homem-aranha, ovo de páscoa, que chegaram de doações, e adora se vestir com roupas de super-herói. Esses dias foi fazer exame de sangue e saiu vestido com a fantasia", contou a coordenadora.
Ainda conforme Queiroz, o menino já morou no mesmo abrigo antes, com os 4 irmãos durante cerca de 1 ano. Na época, ele foi abandonado até dois tios e uma avó ficarem com as crianças. “A minha alegria é saber que, em algum momento, ele guardou essa casa como um lugar acolhedor e hoje está se sentindo protegido porque aqui ele foi cuidado, foi amado”, ressaltou a coordenadora.
Em maio de 2015, só o mais novo foi morar com o tio-avô e a mulher dele, que foram presos pelas torturas em fevereiro de 2016, quando o caso de maus-tratos foi descoberto pela própria equipe do abrigo. A casa de acolhimento onde o garoto está, em Campo Grande, atende crianças e adolescentes há 22 anos. Interessados em colaborar podem entrar em contato pelo telefone (67) 3383-4313.
