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Promotor diz que 20 mil foram vítimas de ex-médico

25 AGO 2014 • POR G1 • 17h41

Ex-pacientes das clínicas de reprodução humana de Roger Abdelmassih podem entrar individualmente com ações cíveis para pedir indenizações por danos físicos e morais à Justiça contra o ex-médico, segundo o Ministério Público (MP) de São Paulo.

O promotor Roberto Senise Lisboa estima em cerca de 20 mil o total de ex-pacientes que podem ter sido vítimas de práticas ilegais que vão desde irregularidades em contratos até abusos. A informação foi obtida após levantamento feito com as secretárias da clínica do ex-médico durante dez anos. Entre as vítimas, há também mulheres estrangeiras.

Procurado o principal grupo de vítimas de Abdelmassih informou que não pretende ingressar com ações para pedidos de indenizações.

As seis mulheres responsáveis pela Associação Vítimas de Abdelmassih e Clínica revelam que nunca acionaram a Justiça e não querem ser indenizadas. “Nenhuma de nós quer esse dinheiro. O dano é irreparável. Não tem dinheiro que pague o que sofremos. Nosso interesse era que ele fosse preso”, defende Vanuzia Lopes, vítima e fundadora da associação.

O grupo é administrado por Vanuzia, Teresa Cordioli, Helena Leardini, Ivany Serebrenic, Silvia Franco e Monika Bartkevitch. A associação foi criada para dar suporte às vítimas e ajudar a encontrar o ex-médico, foragido desde 2011. “Não queria que tivesse vinculado a um interesse financeiro. As seis não estão interessadas no dinheiro. Se as demais vítimas quiserem, elas têm esse direito e vamos apoiá-las”, explica Vanuzia.

De acordo com a Promotoria do Consumidor, o ex-médico obrigava mulheres que queriam engravidar a assinar autorizações para exames cirúrgicos quando elas estavam sedadas. Além disso, não fornecia o resultado dos testes e ainda deixava de informar o destino dos embriões descartados nos procedimentos.

“Cerca de 20 mil pessoas foram vítimas, segundo levantamento do Ministério Público”, disse o promotor Roberto Senise Lisboa. “Se elas quiserem entrar com uma ação indenizatória têm esse direito contra práticas abusivas que sofreram da clínica e do então dono dela [Abdelmassih]”.

“Foram detectadas práticas abusivas, ilícitas como não fornecer exames aos pacientes, não fornecer segunda via de contrato, mandá-las assinar autorizações enquanto estavam sedadas e não mostrar a elas o destino dos embriões não utilizados nas fertilizações”, explicou Lisboa.

Mas segundo Lisboa, essas ações indenizatórias específicas contra Abdelmassih têm de ser feitas agora individualmente e não mais de maneira coletiva pela Promotoria, por entendimento da Justiça de São Paulo.