Papéis apontam 107 empresas em paraísos fiscais de citados na Lava Jato
4 ABR 2016 • POR Veja • 13h16Uma investigação jornalística internacional apontou a existência de 107 offshores, como são conhecidas as empresas instaladas em paraísos fiscais no exterior, ligadas a no mínimo 57 pessoas citadas na Operação Lava Jato. A revelação foi feita neste domingo em reportagem do jornalista Fernando Rodrigues, publicado pelo portal UOL.
As empresas teriam sido abertas pelo escritório de advocacia e consultoria panamenho Mossack Fonseca. O escritório foi um dos alvos da 22ª fase da Lava Jato, no início deste ano. Uma funcionária do escritório no Brasil revelou naquela ocasião, em depoimento, que a Mossack dispunha de uma série de offshores "de prateleira" a serem oferecidas a seus clientes - segundo disse naquele momento o juiz Sérgio Moro, entre os clientes estavam pessoas investigadas em fases anteriores da Lava Jato.
A investigação jornalística, chamada de Panamá Papers, foi uma iniciativa do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ). Ela envolveu 376 jornalistas de 76 países, que investigaram um acervo de 11,5 milhões de documentos do Mossack Fonseca. Os papéis foram obtidos originalmente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.
Ainda de acordo com as reportagens, o escritório Mossack abriu dezesseis empresas offshore para ao menos seis grandes empresas ou famílias brasileiras, além de políticos brasileiros com passagem pelo Congresso Nacional.
Abrir uma offshore não é necessariamente ilegal, desde que esteja declarada para a Receita Federal. Em geral, tais empresas são utilizadas para quem deseja reduzir o pagamento de impostos, seja de maneira legal, via planejamento tributário, ou ilegal, quando se trata de sonegação.
A investigação mostra ainda um uso recorrente de offshores por pessoas ligadas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, além de mais de uma dezena de líderes mundiais. Os valores envolvidos chegam a 2 bilhões de dólares no caso do político russo.
