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PMDB pode abandonar Dilma em momento mais delicado da petista

29 MAR 2016 • POR • 12h17

O vice-presidente da República Michel Temer avisou neste domingo (28) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o PMDB, legenda comandada por ele, aprovará o desembarque oficial do governo na reunião de seu diretório nacional nesta terça-feira (29).

Segundo reportagem do site da Folha de S. Paulo veiculada no final da tarde desta segunda-feira (28), esta foi a primeira vez que Lula conseguiu se reunir com Temer desde que o partido decidiu pela saída oficial do governo. Na semana passada, o ex-presidente, que tem atuado como articulador informal do governo, tentou se encontrar com o vice-presidente em duas ocasiões, mas Temer não o recebeu.

Na conversa, o peemedebista também avisou a Lula que não havia possibilidade de a reunião ser adiada. Inicialmente, integrantes da legenda ainda aliados do governo tentavam pressionar o peemedebista pelo adiamento para que o processo de impeachment, em tramitação no Congresso, avançasse mais e a sigla não ficasse tanto sob os holofotes.

Conforme a reportagem, no encontro, Temer reclamou a Lula do isolamento que tem sofrido pelo Palácio do Planalto. Em conversas reservadas, ele tem dito que Dilma não o recebe nos últimos dois meses.Ele se queixou ainda das intervenções da presidente em decisões do comando nacional do partido, como a nomeação do deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria de Aviação Civil.

Ela ocorreu após decisão do partido para que nenhum filiado aceitasse cargos até a decisão oficial da sigla de desembarque da Esplanada dos Ministérios. Com a avaliação de que a saída do PMDB do governo federal tornou-se “irreversível”, o Palácio do Planalto tentava, até o final da tarde desta segunda-feira, sem sucesso, esvaziar a reunião do diretório nacional do partido que definirá, nesta terça, o desembarque oficial.

DE ALIADO À ADVERSÁRIO

Um dos principais aliados de Dilma Rousseff na campanha à reeleição da presidente em 2014, o PMDB tem desfrutado, ao longo dos governos petistas, de grande regalia na Esplanada dos Ministérios. Atualmente, a legenda possui um dos maiores números de ministérios, além de comandar a Vice-Presidência da República – sem contar os inúmeros cargos de segundo e terceiro escalões com que desfruta na estrutura do governo federal.