Logo Diário do Estado

Fifa recua e desiste, por ora, de cobrar valores de Marco Polo del Nero

18 MAR 2016 • POR • 13h37

A Fifa atendeu ao pedido da CBF e declarou por carta assinada pelo diretor de assuntos legais, Marco Villiger, em resposta à entidade brasileira, que não buscará restituição de valores do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, neste momento - conforme antecipado nesta quinta-feira pelo blog Bastidores FC. O presidente em exercício da CBF, Antonio Carlos Nunes, assinou a comunicação brasileira enviada nesta quinta-feira. Na sua carta, Nunes alega que Del Nero não foi condenado por nenhum crime, logo a cobrança nesse momento não se justificaria. Ricardo Teixeira e José Maria Marin, também indiciados, não foram citados, mas como também não foram condenados ou se declararam culpados, estão, em tese, na mesma situação de Del Nero.

A Fifa lançou a ofensiva judicial para tentar recuperar dinheiro e credibilidade. Em comunicado para a Justiça dos EUA, a entidade declarou-se vítima do escândalo de corrupção deflagrado pelas autoridades americanas. A Fifa tenta receber uma parte dos US$ 190 (R$ 725 milhões) milhões recuperados pelas autoridades americanas nesta investigação. A Fifa cobra parte do montante - US$ 28 milhões (R$ 106,75 milhões) - dos dirigentes envolvidos neste escândalo.

A entidade quer que os cartolas devolvam tudo o que receberam entre salários, passagens, hospedagens e diárias entre 2004 e 2015. Nesta lista, estão os três últimos presidentes da CBF: Teixeira, Marin e Del Nero. A carta da CBF se referiu especificamente a Del Nero, mas a Fifa não citou qualquer nome em sua resposta. Em tese, como Marin e Teixeira também estão somente indiciados, o recuo na cobrança também se aplica aos dois. O valor cobrado de Del Nero era de US$ 1.673.171 (R$ 6,3 milhões), cifra considerada alta e que pegou de surpresa os dirigentes da entidade no Brasil.

Confira a carta do presidente em exercício da CBF à Fifa:

"Em minha atribuição como presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), me refiro à declaração de vítima e pedido de restituição impetrado pela Fifa na Corte Americana do Distrito Leste de Nova York no dia 15 de março de 2016, e desejo respeitosamente questionar a Fifa sobre as razões pelas quais decidiu processar e incluir Marco Polo del Nero na lista de réus. 

A este respeito, ressalto que Del Nero não foi formalmente intimado por quaisquer acusações contra ele nos Estados Unidos, e tampouco foi condenado ou suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa ou qualquer outro órgão da Fifa ou pela câmara para infrações éticas e disciplinares, como previamente esclarecido ao senhor Borbély, chefe da Câmara de Investigação no procedimento de investigação Ref. no. 150468 jra.

Em vista dos acontecimentos, a CBF respeitosamente pede novos esclarecimentos à Fifa e permanece à disposição se for necessária qualquer informação adicional".

Confira a íntegra da resposta da Fifa à CBF:

"Em resposta à sua carta pedindo esclarecimentos de certos aspectos do pedido da Fifa por restituição junto ao governo dos Estados Unidos. Especificamente, o senhor pediu esclarecimento sobre a posição da Fifa a respeito de indivíduos que foram indiciados, mas não condenados até o momento. 

Como declarado no pedido de restitução, a Fifa pretende buscar uma compensação pelo prejuízo causado por qualquer indivíduo condenado por crimes apontados pelo governo americano. Até o momento, 13 indivíduos foram condenados (todos se declararam culpados), bem como duas organizações. A Fifa acredita que tem direito a restituição de acordo com a legislação americana dessas pessoas e organizações.

A respeito dos indivíduos que foram indiciados, mas não (ainda) condenados, a Fifa não busca restituição neste momento. Se esses indivíduos forem condenados por um júri ou se declararem culpados, a Fifa buscará restituição deles também".