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Para evitar doping, atleta recusa até chá de mãe

18 MAR 2016 • POR GE • 13h22

O caso de doping da velocista Ana Cláudia Lemos fez atletas brasileiros redobrarem os cuidados com o que ingerem. Sobretudo com a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio, que ocorrem em agosto. Em entrevista ao GloboEsporte.com em Nova York,onde participou do lançamento dos uniformes a serem usados pela equipe de atletismo do Brasil nas Olimpíadas, a saltadora Keila Costa contou que evita até chás preparados por sua mãe.

- Sempre tive muito cuidado com o que eu como, o que eu bebo, com os remédios que me dão quando estou machucada. Minha mãe até me diz que eu não preciso ser tão teimosa. Ela vem me dar remédio e eu recuso. Aí ela diz: "Mas é só um chá!". E eu: "Não quero! Não posso!". Eu sempre fui muito chata em relação a isso, é um cuidado que a gente precisa ter. Não posso arriscar.

Keila contou que o doping de Ana Cláudia "abalou todo mundo" no meio do atletismo brasileiro, e que ainda não conseguiu conversar com ela.

- É um assunto muito delicado - declarou.

A velocista Ana Cláudia Lemos testou positivo em um exame antidoping realizado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) para a substância oxandrolona. A corredora solicitou contraprova, e a comissão técnica da CBAt diz que segue contando com ela para a composição do revezamento 4x100m feminino e não se pronunciará sobre possíveis mudanças na escalação até segunda ordem. A renovação do Bolsa Atleta da corredora foi suspensa por conta do caso.

Ana Cláudia cravou a melhor marca do Brasil nos 100m na temporada passada (11s01) e é, ao lado de Rosângela Santos, um dos pilares do país para a composição do 4x100m. No ano passado, devido uma grave lesão no músculo posterior da coxa direita, sofrida durante os Jogos Pan-Americanos, a cearense participou de apenas uma das três importantes competições em que o revezamento brasileiro foi testado. 

Quando ela esteve presente, no Mundial de Revezamentos das Bahamas, em maio, o país obteve sua melhor marca na temporada. Responsável por correr a segunda perna, Ana foi titular com Vanusa Santos, Franciela Krasucki e Rosângela. O quarteto cravou 42s92, novo recorde sul-americano, e ficou em sexto lugar, alcançando o objetivo de classificar o país na prova nos Jogos do Rio 2016. 

No Pan, em Toronto, Vanusa e Rosângela tiveram a companhia das jovens Vitória Rosa e Bruna Farias. Chegaram na quarta colocação com o tempo de 43s01. No Mundial de Pequim, menos de um mês depois, Rosângela manteve-se como a única a competir nos três eventos. No Ninho do Pássaro, contou mais uma vez com Vitória e Bruna, além do retorno de Franciela. Com 43s15 no cronômetro, ficaram em nono, a seis centésimos da Rússia, última seleção classificada para a final.