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Em forma e animado com nova fase, Phelps vibra com o recomeço

9 MAR 2016 • POR GE • 10h38

Aquele Phelps de Londres 2012, coroado e idolatrado como o melhor atleta olímpico de todos os tempos, é justamente o Phelps que o nadador prefere deixar para trás. Aquele cara que atingiu o ápice da carreira na Inglaterra era como uma máquina programada para executar os movimentos necessários para somar medalhas. Sua versão atualizada prefere sentir o prazer de cada braçada, ainda que isso não resulte em mais ouros para a coleção. Estar no fundo do poço e conseguir sair dele fez o americano de 30 anos valorizar as pequenas coisas e o empurrou a reescrever um outro fim para sua trajetória nas piscinas. A cinco meses dos Jogos do Rio, ele se sente leve, livre do passado que o atormentava e animado para, enfim, se despedir do jeito que queria: feliz.

- Estou vivendo uma vida mais livre e feliz agora. É uma mudança enorme. Não me sinto mais como se carregasse pesos. Quando me olho no espelho, ainda sou a mesma pessoa. Como eu abordo as coisas é um pouco diferente. A maior mudança que vejo é que estou muito mais aberto. Eu mantenho as pessoas importantes perto de mim. Estou mais engajado em tudo que faço na minha vida. O processo que passei é difícil e desafiador, mas eu não mudaria nada na minha vida. Tudo acontece por uma razão - disse o astro da natação, em um evento em Los Angeles que reuniu nesta terça-feira destaques da seleção olímpica e a imprensa mundial.

Não é a chance de aumentar o seu recorde e incrível coleção de 22 medalhas olímpicas, sendo 18 ouros, que fez Michael Phelps voltar para as piscinas. O que realmente importa é apagar aquela imagem que ele tem de si nos Jogos Olímpicos de Londres 2012: um cara que nadava "no automático" e não via mais prazer no que sempre gostou de fazer. Nos Jogos do Rio, o americano quer ter a chance de dar à sua carreira a despedida digna de suas conquistas. 

Depois de passar por uma dura depressão e enfrentar problemas com o vício em bebidas e jogos, Phelps conseguiu dar a volta por cima deixando o orgulho de lado e se abrindo. Hoje, "desarmado", diz poder ser quem realmente é, sem disfarçar suas fraquezas, tristezas, traumas... Nem mesmo diante das câmeras e de dezenas de jornalistas, se sente inibido em falar sobre as questões que o atormentaram durante tantos anos. 

A imprensa, o público e o próprio nadador estão conhecendo agora quem realmente é Michael Phelps. O que não parece deixar dúvidas é sobre sua determinação. Quando tudo parecia perdido, conseguiu voltar em alto nível. Terminou o ano de 2015 liderando o ranking mundial nos 100m borboleta e com o terceiro melhor tempo dos 200m medley. Atualmente, se gaba ainda das 30 horas de treino por semana, das sessões inclusive aos domingos, dos apenas 5% de gordura corporal e da vitória diária da promessa de ficar um ano sem beber bebidas alcoólicas.