Brasil não avança no enfrentamento concreto ao racismo
9 MAR 2016 • POR Carlos Pires • 09h45Os números não deixam espaço para sombra de dúvidas: entre as mulheres brasileiras, as negras estão em desvantagem. Elas estudam menos, têm salários menores, são as maiores vítimas do desemprego, sofrem mais violência e têm menor representatividade política.
De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, 17,7% das mulheres brancas tinham ensino superior completo. Entre as negras e pardas, só 6,7% têm o diploma. Ainda segundo o instituto, 55,2% das negras e pardas nunca foram à escola ou têm ensino fundamental incompleto.
Entre as brancas a taxa é de 41%. Segundo o Mapa da Violência 2015, entre 2003 e 2013, o número de homicídios de mulheres negras aumentou 54,2%, passando de 1.864 para 2.875. No mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8% (de 1.747 para 1.576). Mais da metade das mulheres brasileiras são negras e pardas.
Na avaliação de Jurema Werneck, ativista da ONG Crioula, não haverá justiça nem democracia no Brasil enquanto esse grupo não for incluído e passar a ter acesso às riquezas materiais e simbólicas do país. A ativista defende que a maior parte da responsabilidade nessa tarefa é do Estado.
