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Lula é obrigado a depor na PF por “evidências” de receber propina

4 MAR 2016 • POR El País • 11h21

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal alvo da 24ª fase da Operação Lava Jato, realizada na manhã desta sexta-feira. Agentes da Polícia Federal chegaram ao apartamento do petista em São Bernardo do Campo por volta das 6h para cumprir ordem de busca e apreensão emitida pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pelos processos da operação em primeira instância. Além disso, Lula foi alvo de um mandado de condução coercitiva, quando o investigado é obrigado a depor, e foi levado para a sede da PF no aeroporto de Congonhas. O filho do ex-presidente, Fábio Luiz da Silva, mais conhecido como Lulinha, também é um dos alvos da investigação: agentes da PF estão em seu apartamento em Moema, zona sul de São Paulo. A nova etapa da Lava Jato, batizada de Aletheia, faz referência à entidade mítica grega ligada à &39;busca pela verdade&39;. Segundo a PF, a operação de hoje tem relação com os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao escândalo de corrupção na Petrobras.

O ex-presidente é suspeito de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras durante e após seu mandato, como por exemplo a reforma de um sítio frequentado por ele em Atibaia e de um apartamento tríplex no Guarujá. As obras em questão teriam sido pagas pelas empresas Odebrecht e OAS. Os desdobramentos da operação de hoje devem ser catastróficos para o Governo e para Lula, que ainda tentava se manter como um candidato viável para disputar a presidência em 2018. A Aletheia acontece menos de 24h depois do Planalto ter sido sacudido por informações não oficiais de que o senador Delcídio do Amaral, que havia sido preso pela Lava Jato, implicava Dilma e Lula em sua delação premiada.

No total, a Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O Instituto Lula, ligado ao ex-presidente, também é um dos alvos da operação. Seu presidente, Paulo Okamoto, também deverá ser levado coercitivamente para depor. Grupos favoráveis e contrários ao petista estão na frente do prédio dele em São Bernardo, e houve princípio de confusão.