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Alunos de escolas de Coxim sofrem sem merenda escolar

20 AGO 2014 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h24

Mediante entrevista do Deputado Federal Antônio Carlos Biffi sobre o problema da merenda escolar no Estado de Mato Grosso do Sul, a redação deste jornal decidiu investigar se há dificuldades nas escolas de Coxim. Segundo o deputado não há uma complementação do valor repassado pelo governo federal e que por isso algumas escolas estão em dificuldade. 
Conversamos com algumas mães de alunos e percebemos que a merenda tem sido alvo de insatisfação dos pais. Conforme informações da ata da escola Clarice Rondon, por exemplo, os pais foram informados durante reunião realizada no dia 12, que a merenda escolar estava suspensa. A escola Semiramis Carlota Benevides da Rocha também sofre com recorrentes problemas deste gênero desde o ano passado conforme informação de uma mãe que não quis se identificar. Já na escola Padre Nunes, a diretora, Gisele Fuzineli, informou que até dezembro tem merenda, mas que já teme a entrada do próximo ano letivo.
Há seis anos o valor destinado pelo governo federal por aluno é de R$0,31 centavos, portanto o repasse não acompanhou as altas dos preços e assim, os alunos estão sendo penalizados. O repasse é padrão, verba do Programa Nacional de Alimentação (PNAE), porém no interior a variedade e a oferta são menores, portanto o custo de vida é bem mais alto. O mel, por exemplo, que faz parte do cardápio das escolas, em algumas cidades do Estado custa R$19 reais, mas em Coxim custa R$34 reais conforme tabela do Procon publicada no Diário Oficial no dia 25 de julho de 2014.
Esta tabela do Procon tem por objetivo determinar o valor a ser pago nos produtos advindos da agricultura familiar e que deve ser de 30% de tudo que o for comprado pelas unidades escolares. 
De acordo com o Deputado Federal Antônio Carlos Biffi, no governo do Partido dos Trabalhadores (PT) esse repasse era inicialmente de R$0,09 centavos e teve uma melhora para os R$0,30 centavos, porém o governo do Estado deveria complementar o valor, e o município também assumir essa responsabilidade em conjunto. 
No caso da escola Clarice Rondon, o repasse chega há um pouco mais de R$17 mil reais, por semestre, o que dividido mensalmente sairia R$2.800 reais. O gasto mensal fazendo toda a economia possível chega perto dos R$3.500 reais para alimentar os 598 alunos. 
Segundo ata realizada na escola o deputado representante do governo, Junior Mochi, participou de uma reunião com os diretores das escolas estaduais que ocorreu no dia 31 de julho, onde o problema foi tratado mas até o momento não se manifestou. O prefeito Aluízio São José também esteve na reunião, mas também não realizou nenhuma ação no sentido de acabar com o problema. Só na escola Clarice Rondon são 598 alunos que ficaram sem merenda, e como é sabido, muitos alunos em Coxim contam com esta oferta alimentar como complementação e as vezes até como a refeição do dia. 
Eliana Aparecida da Silva foi à mãe que decidiu trazer isso à imprensa para tentar uma solução ao problema. Junto com ela, a vereadora Lúcia da AAVC também se dirigiu à escola para averiguar a situação e ter conhecimento da ata onde tudo foi relatado. A vereadora se sentiu impotente diante da situação. Segundo o documento, a Secretaria Estadual de Educação foi informada da situação via comunicação interna, assim como o setor de alimentação. 
Outro problema relatado na ata é a falta de merendeiros para confeccionar a merenda na escola Clarice Rondon e que neste ano professores de sala de aula e até mesmo a diretora da escola teve que dispor do seu trabalho para cozinhar, pois três agentes do setor pediram licença médica e o quarto passou em outro concurso público.  Tem licença de até seis meses, mas a escola está em plenas atividades durante todo o ano, porém de mãos atadas, pois não pode contratar terceirizar ou qualquer outra alternativa. 
Na ata, os pais disseram que iriam procurar o Ministério Público, a imprensa e todas as vias necessárias para garantir o direito dos alunos. Na reunião onde a ata foi confeccionada estiveram presentes aproximadamente 50 pais. 
Redação – Avaliando a situação averiguamos que em outros municípios do país, como o de Extrema em Minas Gerais entre muitos outros, a Prefeitura se sensibilizou e decidiu complementar a merenda em 2012 para assim dar continuidade ao ano letivo dos alunos sem que a refeição fosse suspensa. Já no município de Águas Lindas em Goiás, o Estado colabora com R$0,14 centavos. Sugerimos que nossos representantes possam estudar a possibilidade de a administração local colaborar com as escolas em momentos que a merenda for suspensa por qualquer motivo e ainda requerer do Estado essa complementação em vista das dificuldades e assim nossos alunos tivessem seus direitos garantidos. (Ana Flávia Dorsa)